A presença da fotografia foi crucial na vida de Arthur Arcuri. "Despertou nele o interesse pelas artes e pela arquitetura", diz o arquiteto, historiador e professor do Departamento de História da UFJF, Marcos Olender, curador da mostra "O observador, o caçador e o explorador: Dimensões possíveis das fotografias de Arthur Arcuri", em cartaz no parque do Museu Mariano Procópio. "A fotografia foi responsável por sensibilizar o olhar de Arcuri em relação a cenários, paisagens e detalhes", completa.
A arte fotográfica não só o atraiu para outras artes, mas, como dizia o próprio arquiteto – que completaria 100 anos em 2013 -, o fez "refém da arquitetura". A homenagem é composta por 15 reproduções emolduradas(impressas em 40cm X 30cm) das imagens originais, pertencentes ao acervo do museu, selecionadas a partir de uma entre tantas possíveis leituras de sua obra. Em meio às imagens pré-selecionadas para a exposição, Olender optou por aquelas que se enquadravam em três posturas que podem ser adotadas por um fotógrafo.
Como "observador", o profissional é um espectador, que contempla paisagens. "Aquele que contempla se detém aos detalhes", lembra Olender. Detalhes já familiares ao observador, mas que acabam sendo ressaltados por sua percepção apurada. Neste sentido, foram escolhidas fotografias de Juiz de Fora, que retratam o Museu Mariano Procópio, a Igreja da Glória, o Morro do Cristo.
Outra possível postura do artista é a de "caçador", que, após se deter ao que é familiar, parte em busca do que é novo. "O caçador, contudo, procura por algo já escolhido, tem um objetivo traçado". Aí enquadram-se as fotografias de outras paisagens mineiras, conhecidas, mas afastadas de sua cidade natal, como Poços de Caldas. "Os imigrantes italianos sempre gostaram de descansar nas águas termais", lembra o curador.
Por fim, é desvendada a faceta de "explorador" de Arcuri. "Um alpinista faz um planejamento para escalar uma montanha, mas o que verdadeiramente o encanta é vencer o desconhecido." As fotos escolhidas sob a premissa dessa postura representam tal abertura de Arcuri para o mundo. São retratados o Convento da Penha, no Espírito Santo, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e o mar. "Se lançar ao mar é estar aberto a tudo. A paisagem é sempre dinâmica, um cenário belíssimo e cheio de possibilidades", finaliza.
Além da homenagem ao centenário de Arthur Arcuri, a exposição lembra o Dia Mundial da Fotografia, 19 de agosto. De acordo com o diretor-superintendente do Museu Mariano Procópio, Douglas Fasolato, a instituição tem fortes vínculos com a fotografia. "Os filhos de Mariano, Alfredo e Frederico Ferreira Lage, eram amantes da fotografia, fotógrafos amadores", conta. "Alfredo foi, inclusive, premiado e chegou a ocupar o cargo de presidente do Photo Club do Rio de Janeiro."
O museu possui um dos mais importantes acervos fotográficos brasileiros, com cerca de 35 mil itens, dos mais variados suportes. A coleção de Arthur Arcuri integra o acervo, tendo sido, em parte, doada pelo arquiteto ainda em vida. "A ligação de Arcuri com o museu também é muito forte, pois ele fez parte do Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio desde de 10 de janeiro de 1955 até sua morte, em 2010, e, além disso, foi diretor da instituição durante 14 anos", acrescenta Fasolato.
Outra iniciativa que lembra o centenário do engenheiro-arquiteto, o Concurso de Monografias Centenário de Nascimento de Arthur Arcuri, promovido pela Funalfa, já tem divulgado seu trabalho vencedor. "Memórias da urbe: A arquitetura encontra com a moda no Magister", da estudante de arquitetura da UFJF, formada em moda pela Estácio de Sá, Alana Nobre Torres, receberá o prêmio de R$ 3 mil. As outras duas propostas inscritas na concorrência obtiveram menos de 70 pontos, valor estipulado pela comissão julgadora como ponto de corte, de modo que não foram aprovadas.
A comissão julgadora foi formada pela historiadora doutora Valéria Leão Ferenzini, integrante da Divisão de Patrimônio Cultural (Dipac), pelo arquiteto e doutor Marcos Olender e pela jornalista e mestre em educação, Alice Gonçalves Arcuri, filha de Arthur Arcuri.
O OBSERVADOR, O CAÇADOR E O EXPLORADOR: DIMENSÕES POSSÍVEIS DAS FOTOGRAFIAS DE ARTHUR ARCURI
De terça a domingo, das 8h às 18h. Até 22 de setembro
Parque do Museu Marino Procópio
(Rua Mariano Procópio 1.100)
