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Na vibe do ‘toca Raul’

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Uma roda de amigos e um violão. De repente, alguém grita: "toca Raul!". Os dedos no instrumento dedilham as melodias, trazendo de volta os clássicos do pai do rock brasileiro. Há quase 24 anos de sua partida, completados no próximo dia 21, Raul Seixas ainda permanece vivo na memória, e, cada vez mais, tem conquistado novos admiradores. "As músicas de meu pai são muito visionárias", destaca a filha de Raulzito, a DJ Vivi Seixas, que se apresenta amanhã, no Cultural Bar, no "Especial Maluco Beleza", abrindo o show de Marcelo Nova, uma parceria que promete muitas surpresas ao público e fãs do cantor.

"Geração da Luz" é o novo trabalho de Vivi, lançado em março deste ano, em homenagem a seu pai. O álbum traz releituras da obra de Raul, com roupagem mais dançante. "Achava a melodia e os arranjos antigos. Com esses remixes, dei uma roupagem moderna às letras de músicas, que são superatuais. Hoje em dia, é uma tendência a união do orgânico com o inorgânico." O título do CD é inspirado na canção homônima, composta por Raul e sua mãe, Kika. Para a DJ, a mensagem desta música aposta em uma geração futura para a salvação de alguns preconceitos e comportamentos. "Essa letra é muito importante para mim, pois ele passa a bola para nós."

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Vivi comenta que, embora tenha convivido pouco com seu pai – falecido quando ela tinha 8 anos de idade -, guarda lembranças muito gostosas, principalmente aquelas ligadas à música. "Mesmo separada, minha mãe fez questão de nos manter sempre unidos. Ou eu ia para São Paulo, ou ele vinha para o Rio de Janeiro me visitar. Era um pai muito presente e atencioso. Tive a oportunidade de crescer ouvindo muita música boa. Acredito que herdei o meu bom gosto musical do meu pai."

Para montar o repertório do show, ela procurou selecionar músicas dançantes e com pegada rock’n’roll, mesclando às suas preferidas, principalmente as pertencentes ao lado B do cantor ."Conheço muito as músicas do meu pai e amo quase todas, por isso, ficou difícil de selecionar", comenta, entre risos. A apresentação ainda reserva ao público projeções de fotos inéditas dela com Raul.

Mesclar o conteúdo de Raul a plataformas eletrônicas não intimidou a execução do trabalho de Vivi. "Tive o maior cuidado para manter a identidade musical dele intacta. As pessoas têm um certo preconceito, pois, quando escutam falar em remix, acham que eu saí editando e fazendo loucuras com a música dele. Só que, quando escutam, mudam de opinião. Ainda tenho muito material guardado, por isso existe possibilidade de um novo álbum. Há músicas que eu adoro que ficaram de fora."

 

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‘Marcelo é a representação do meu pai na Terra’

A transição entre os shows de Vivi e de Marcelo Nova será marcada por uma curta apresentação da dupla. Ambos subirão ao palco para homenagear Raul Seixas, porém Nova não adianta o que irão aprontar. "Não combinamos nada. A surpresa é muito melhor que o previsível", enfatiza. O show em Juiz de Fora será o segundo momento em que ambos aparecerão juntos no palco. "Nossa primeira apresentação aconteceu no começo do ano em um evento grande em São Paulo com outros artistas. Resolvi chamá-la para cantar uma música do Raul. Foi ótimo, e nós adoramos. Fico contente por ter cantado com pai e filha, ela canta muito bem", comenta Marcelo Nova.

Para Vivi, Marcelo ocupa posição muito importante em sua vida. "O vejo como a representação de meu pai Raul na Terra. Tanto eu quanto ele ficamos muito emocionados! Adoro escutar suas histórias com meu pai."

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A relação de Marcelo Nova com Raul Seixas começou quando o cantor tinha 14 anos, ao assistir, em Salvador (BA), a um show de Raulzito e Os Panteras. Anos mais tarde, em 1989, os dois lançaram o disco "Panela do diabo". "Este álbum resume tudo aquilo que foi a nossa parceria: a união de dois artistas, de gerações diferentes, com algumas afinidades e perspectivas."

Além de "tocar Raul", Marcelo Nova apresenta seu novo show, baseado no mais recente disco de inéditas, "12 fêmeas", lançado este ano, após oito anos de hiato. "Só lanço um novo trabalho quando tenho algo a dizer. Não me prendo ao fato de estar em evidência e atender ao mercado." O novo CD tem a figura da mulher como tema central de suas composições, relatada do ponto de vista masculino. São 12 canções de amor e ódio, êxtase e dor, perda e redenção.

Em duas horas de show, Marcelo pretende resumir 33 anos de carreira com composições pertencentes a 18 álbuns, incluindo canções de sua carreira solo e de quando liderou o Camisa de Vênus. "Chega a ser impossível, mas vamos tentar", promete.

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