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alem do livro monalisa trabalha na montagem da peca em colonia inspirada no livro holocausto brasileiro de daniela

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Além do livro, Monalisa trabalha na montagem da peça

Além do livro, Monalisa trabalha na montagem da peça “Em Colônia” inspirada no livro “Holocausto brasileiro”, de Daniela Arbex

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Destino, jogo, sedução, previsão, morte, vazio, êxtase e obsessão são alguns dos adjetivos que a escritora Monalisa Vasconcelos usa para definir “Dirty Martini”, seu romance de estreia que tem lançamento neste sábado, em São Paulo, no Espaço Parlapatões. O trabalho é mais um dentre os tantos compromissos que tomam o tempo da artista juiz-forana, que se divide ainda entre o teatro e trabalhos eventuais para cinema e televisão.

A história se passa na cidade de São Paulo, onde mora desde 2008, mas deslocada no tempo. Em “Dirty Martini”, a trama se desenrola entre 1923 e nos dez anos seguintes, temo como protagonista a jovem Martina. “Ela tem entre 16 e 17 anos, e a história se trata da obsessão dela por um homem que se torna seu cafetão. A história exala sensações, trabalha com cheiros, texturas, na atmosfera em que tudo acontece. Para mim, o que a gente percebe à nossa volta altera os fatos”, filosofa.

Lançado agora, “Dirty Martini” teve seu rascunho escrito em 2011, em um ônibus, quando voltava para casa após realizar um trabalho. “Estava num momento difícil da vida, sem muita perspectiva, distante do que planejei quando vim para São Paulo, e no trajeto do ônibus que era longo (cerca de uma hora e meia) acabei criando essa história, escrevi e guardei. Nesse momento, eu ainda não pensava nisso (escrever) como ofício, apesar de sempre passar minhas ideias para o papel desde jovem.”

Para a escritora, toda obra “nasce da necessidade do próprio artista, um vazio que buscamos preencher em nossa vida”. “Eu vim para São Paulo depois de me formar em comunicação social em Juiz de Fora, mas sempre quis ser atriz, mesmo nunca tendo manifestado isso. O caminho que nos leva de um ponto ao outro nem sempre é uma linha reta, mas quando planejamos é sempre em linha reta. Mas passamos por momentos difíceis, de muita solidão, barreiras… Eu estava num momento da minha vida de pensar o que o que havia feito da minha existência. Que destino é esse que me aguarda?. O livro tem muito disso, de jogar com uma previsão, uma expectativa. A Martina tem uma fome de vida, de pertencimento, de encontrar seu lugar, e acho que nisso a gente se comunica.”

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As desventuras de Martina voltaram à tona em 2013, quando Monalisa havia retomado o hábito de escrever e tinha criado os blogs Rastros (de poesia) e O Percebedor (sobre o cotidiano, com participações de outros internautas). Segundo ela, foi a hora de fazer da escrita uma atividade diária, de ofício, deixando de ser meramente intuitiva. “Nesse contato com a poesia, eu pensava que escrevia muito sobre mim mesma, então criei um desafio de escrever algo que não fosse sobre mim, foi então que retomei o ‘Dirty Martini’, com versões para teatro e romance literário.”

Criando para se encontrar

A ida para São a fim de realizar o sonho de atuar passou por muitos caminhos tortuosos, em que Monalisa precisou trabalhar em outras profissões para conseguir se estabelecer. Ela conta que o acordo feito com o pai, então, era que ele a ajudaria durante três meses e, se nada acontecesse, voltaria para Juiz de Fora. Quando o prazo estava para estourar, conseguiu emprego em uma editora, onde ficou por cerca de dez meses, mas preferiu sair para não correr o risco de se acomodar.

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“Trabalhei com muita coisa, recepcionista em feiras e eventos, hostess, locução, apresentadora, mestre de cerimônias, gravação de vídeos institucionais. Descobri que é na dificuldade da sobrevivência que o artista consegue perceber pelo que está vivendo.” A primeira peça teatral em que atuou em São Paulo foi “Trilogia do fim”, em 2011, mesmo ano de “Armadilha para um homem só”.

Em 2012, com a Cia. Trilhas da Arte – Pesquisas Cênicas, atuou em “Catadióptrico”, sua estreia como dramaturga. Monalisa também participou de um episódio da série “Portas do além”, do Discovery Channel, e de produções para o cinema como os curtas “Cutting”, “Cardápio chinês”, “Destinatário anônimo”, entre outros. Também fez parte da websérie “Santa BR”.

Escrevendo para transformar

A agenda de Monalisa Vasconcelos continua repleta. Atualmente, ela ensaia o espetáculo “Peça-manifesto”, do grupo Coletivo Dramaturgia em Movimento, com estreia prevista para 8 de junho no Sesi da Avenida Paulista. O grupo é formado por colegas que participaram com ela, em 2014, do Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council, em que ela e mais 11 novos dramaturgos estudaram textos de autores contemporâneos e aprenderam a lidar com novas narrativas. Ao final do Núcleo, cada novo autor precisava ter concluído pelo menos um texto, mas Monalisa produziu logo dois, que pretende montar em breve: “O tríptico”, inspirado na obra do inglês Francis Bacon, e “Em colônia”, que tem como base o livro “Holocausto brasileiro”, de Daniela Arbex, e que terá leitura encenada na próxima quarta-feira, também em São Paulo, no Espaço Mezanino do Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso.

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“Tem uma coisa que sempre me acompanhou, mas que descobri apenas recentemente: eu escrevo para ser capaz de me despedir das coisas. Elas me atravessam e me tomam de tal maneira que se eu não escrevesse não seria capaz de me livrar delas. Quando conheci essa história (escrita pela Daniela) eu quase fui junto com ela, porque fiquei muito impressionada com a nossa crueldade. Não pode haver loucura maior, mania mais torpe que nossa crueldade, nossa cegueira em relação ao outro. Aquilo não acontecia sem que ninguém soubesse, e esse horror foi aprofundado com os anos, e nada foi feito”, diz.

“Eu escrevi não pelo resgate da memória, pois se fosse assim a memória das duas guerras mundiais serviria para não corrermos o risco de uma terceira. Sou de Juiz de Fora, e isso aconteceu perto da minha cidade, e isso me comove como ser humano. Talvez não seja capaz de tirar essa angústia, pois ela permanece ali, mas pelo menos consigo transformá-la. O horror não deixa de existir, mas passa por um processo de transformação.”

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