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Inesgotável poesia

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A ocasião dá motivos para pompa e circunstância, reaviva a memória de um ilustre juiz-forano e justifica uma pausa para reflexão. Duas exposições e um seminário terão lugar no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm) para celebrar os 110 anos de nascimento do poeta, na próxima sexta, dia 13. A data é uma oportunidade para reanimar as discussões sobre a obra do poeta e também para contabilizar o rastro deixado pelo centenário do poeta, amplamente comemorado em 2001.

A responsável pelo setor de pesquisa do Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), Lucilha de Oliveira Magalhães, realiza desde 2005 um levantamento sobre livros, monografias, dissertações e teses produzidas sobre o poeta, além de outras modalidades que constituem a fortuna crítica do escritor, como artigos publicados em periódicos. "Depois do centenário, começaram a pipocar os estudos", constata. Nesse período, foram localizados mais de cem trabalhos, quase 80% surgidos depois das comemorações pelos cem anos do poeta.

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No material elencado, consta estudos de pesquisadores de todo o Brasil, com destaque para São Paulo e Rio Grande do Sul. Pioneira no estudo da obra de Murilo Mendes, Leila Barbosa também constata o crescimento expressivo na divulgação desse legado durante a última década, não só no Brasil como em outros países que fizeram parte da trajetória do poeta, como Portugal e Itália. "É algo cíclico. Tem fases em que há maior movimento em torno do nome dele, em outras épocas o interesse é menor. Convenhamos que Murilo não é um poeta muito fácil ou muito popular", avalia. 

Intelectual multifacetado

"As efemérides estimulam novas leituras sobre a obra de um escritor. Isso é muito importante para a fortuna crítica de um autor e garante a sobrevida da obra", opina a coordenadora do Mestrado em Letras e Literatura Brasileira do Centro de Ensino Superior (CES-JF), Nícea Helena Nogueira. A poesia de Murilo Mendes, a propósito, é tema recorrente no programa. Alguns dos trabalhos lançam olhares diferenciados sobre o legado muriliano, abordando aspectos filosóficos da obra ou elementos do feminino nos versos do escritor. "É uma obra multifacetada, que toca diversas áreas do conhecimento humano. Há possibilidades infinitas de pesquisa", comenta.

"Murilo dá margem para muitos tipos de abordagem: história, geografia, turismo, museologia, religião e arte, além da literatura propriamente dita", complementa Lucilha Magalhães. A funcionária do Mamm cita trabalhos que exploram recortes inéditos da obra do poeta, como dissertações que estudam a sexualidade em seus poemas ou destrincham a correspondência entre o escritor e sua irmã, Virgínia Mendes Torres. Entre os trabalhos mais representativos, também está a edição de crônicas inéditas reunidas pela professora da UFJF Teresinha Zimbrão. Os textos foram publicados originalmente no jornal "A Tarde", entre 1920 e 1921. Leila Barbosa concorda que o legado muriliano ainda está longe de ser esgotado. "O interesse ainda é pouco em comparação ao que Murilo foi. Ainda há muita coisa para ser lida e estudada."

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As pesquisas também têm sido alimentadas periodicamente pelas novas aquisições do Mamm. Além do acervo de obras de arte do poeta, o museu vem adquirindo correspondências do juiz-forano, incluindo as cartas trocadas com os pintores Arpad Szenes e Maria Helena Vieira da Silva e com o crítico literário Antônio Cândido. 

Seminário e exposições

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Programado para os dias 24 e 25 deste mês, o seminário "Murilo Mendes: Retratos-relâmpago" promove um ciclo de mesas-redondas sobre o poeta juiz-forano sob a percepção de professores da USP, Unicamp, PUC-Rio, CES-JF e UFJF. O evento toma de empréstimo o título de uma das obras do juiz-forano e enfatiza a forma com que o autor se mostra nas entrelinhas de seus poemas. Também no dia 25, será aberta no Mamm a mostra "Retratos de Murilo Mendes", com imagens do escritor em diversas fases de sua vida. O poeta também estará presente na exposição "Convergências contemporâneas: explorações estéticas interativas – De Murilo Mendes ao Twitter", do artista Alexandre Bressan.

Há 20 anos, as professoras Leila Barbosa e Marisa Timponi realizam palestras e outras atividades para celebrar a memória de Murilo Mendes no mês de seu aniversário. Na sexta, elas participaram do projeto "Poesia no Sesi-RJ", no Rio de Janeiro, com a palestra "As marcas de Murilo Mendes". Durante o evento, as pesquisadoras apresentaram a literatura muriliana e as vertentes reveladas em mais de três décadas de pesquisas sobre o legado muriliano. A dupla ainda apresentou o livro "Ismael Nery e Murilo Mendes: reflexos", que aborda a relação de amizade entre e o artista plástico Ismael Nery e o escritor juiz-forano. Publicado em 2009, a edição trouxe uma abordagem completa sobre o vínculo entre os dois intelectuais, incluindo arquivos de colecionadores e da Biblioteca Nacional e publicações antigas de diversas instituições de Juiz de Fora, uma vez que várias crônicas do poeta foram veiculadas em revistas católicas. "Continuamos sempre pesquisando e, todos os anos, fazemos algum evento nessa época de aniversário. Não hesitamos quando as pessoas nos convidam", comenta Leila.

 

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