
‘Coco cana fusão e wi-fi’, de Tamy Orlando, ficou em primeiro lugar no concurso promovido pelo Museu Mariano Procópio
‘Vagão do tempo’, de Maga Bastos, levou o terceiro lugar
Hugo Bonfatti Delgado registrou a solidão noturna no trabalho que conquistou a segunda colocação
Localizado em um dos mais antigos e tradicionais bairros de Juiz de Fora, o Museu Mariano Procópio é referência visual, artística e histórica para a localidade, que também possui suas peculiaridades, pontos de referência e um cotidiano todo particular. A fim de registrar o que vai além dos seus muros, a instituição promoveu o concurso fotográfico “Mariano Procópio: O museu e o bairro”, que terá os trabalhos finalistas exibidos a partir deste domingo, às 10h, na varanda do parque do museu. Serão 14 trabalhos que ficarão expostos no local até 13 de março, mostrando um pouco da história, do patrimônio e do dia a dia do bairro.
Os trabalhos premiados pela instituição foram os de Tamires Gasparetto Orlando, Hugo Bonfatti Delgado e Magali Bastos Altomari de Souza, que, assim como os demais concorrentes, foram avaliados pela comissão julgadora formada pela pró-reitora de Cultura da UFJF, Valéria Faria; pela professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFJF e membro do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (Comppac), Ana Barbosa; e pelo repórter fotográfico Oswaldo Luiz Calzavara. Para definir os finalistas e vencedores, foram utilizados como critérios ineditismo, originalidade, técnica utilizada e adequação ao tema.
Já o dia para o início da exposição (10 de janeiro) foi escolhido por ser a data de nascimento do fundador do museu, Alfredo Ferreira Lage. Segundo o diretor do Museu Mariano Procópio, Douglas Fasolato, o concurso tem como um dos objetivos valorizar a fotografia. “Começamos anos atrás um inventário da instituição e catalogamos mais de 35 mil itens em diversos materiais, como as imagens feitas em daguerreótipo, incluindo uma grande quantidade do século XIX. Muita coisa era do Ferreira Lage, que era amador, e vimos que precisávamos reforçar a questão da fotografia no museu, a relação do público com a foto”, explica. “Começamos com o ‘Safári no parque’, em 2009, e desde então transformamos esse olhar fotográfico do público em exposições temáticas.”
Se essas exposições concentravam-se em temas ligados à instituição, como o patrimônio do museu, as artes, a fauna e flora do parque do Mariano Procópio, desta vez o concurso mirou no entorno do museu. “Percebemos que era preciso trabalhar a vizinhança do museu, ampliando o sentimento de pertencimento por parte da comunidade. O entorno também precisa ser preservado, mas para preservar é preciso conhecer, mas não só o patrimônio material, como igualmente o imaterial. Afinal, o reconhecimento como patrimônio cultural brasileiro não foi apenas do Museu Mariano Procópio, como também do bairro.”
Ainda de acordo com Douglas, o concurso teve uma boa participação de moradores do próprio bairro – sendo que Tamires Gasparetto Orlando, vencedora do concurso, tem uma ligação sentimental com o bairro, que frequenta desde a infância e onde vive parte de seus parentes. O fato de nomes ainda pouco conhecidos estarem entre os vencedores é outro ponto que o diretor da instituição destacou. “Tivemos entre os três primeiros lugares fotógrafos que não são canônicos, que não conhecíamos pessoalmente e com visões diferentes”, comemora. “Muitas fotos tiveram a visão que o museu queria instigar: um pequeno detalhe, um ornamento, gesto, ofício, que muitas vezes passaria despercebido. Queremos que o Mariano Procópio seja um construtor da identidade e tenha ligação com a contemporaneidade.”
“O MUSEU E O BAIRRO”
Abertura neste domingo, às 10h. Visitação de terça-feira a domingo, das 8h às 18h. Até 13 de março
Parque do Museu Mariano Procópio
(Rua Mariano Procópio 1.100 – Mariano Procópio)

