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Pesquisadoras investigam erotismo na mulher madura

performance balkan erotic epic da artista marina abramovic e uma das referencias para a pesquisa

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Performance “Balkan erotic epic”, da artista Marina Abramovic, é uma das referências para a pesquisa

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Muito foi conquistado ao longo das últimas décadas, mas é indiscutível o horizonte que ainda aguarda as mulheres. Passado, a luta também é presente e futuro. E não há combate sem reflexão. Iniciado no próximo sábado, o projeto “Hedonês”, financiado pela Lei Murilo Mendes, promoverá quatro encontros, das 14h às 19h, aos sábados, com a proposta de investigar o universo do erotismo com mulheres com mais de 50 anos, e retratar, ao fim, esses pensamentos em videodanças. “Já era uma inquietação minha, de ver o lugar que a mulher ocupa nessa sociedade patriarcal em que vivemos. Cada vez mais se fala que a mulher tem lugar na sociedade, que o corpo também tem. Mas, que mulher é essa? Que corpo é esse?”, questiona a professora e pesquisadora de dança Letícia Nabuco, autora do projeto ao lado da também estudiosa em dança Raíssa Ralola.

“Minha percepção é de que o corpo está sempre muito em voga, é sempre um problema a se resolver, bem como o erotismo, por consequência. Vejo que esse corpo de hoje em dia não sente, está anestesiado e muito distante do erotismo verdadeiramente. É o corpo do Photoshop, que não tem sangue correndo”, comenta Letícia, para logo completar: “Cada vez mais o que tem lugar é uma juventude fabricada e desesperada pela jovialidade. Dentro da sociedade em que vivemos, qual é o lugar dessa mulher que não é mais adolescente?” Em tempos de “mulheres-fruta” e uma corrida desenfreada por não deixar que o corpo revele uma estrada já percorrida, o projeto propõe muito mais que pergunta, garante a pesquisadora.

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Realidade de opressão

“Hedonês” começa justamente dias após o vídeo “10 hours of walking in NYC as a woman” vir à tona levantando discussões sobre a cultura ainda bastante agressiva e opressiva dos homens diante do sexo oposto. No pequeno filme de pouco menos de dois minutos, produzido pela ONG Hollaback, que combate o assédio sexual nas ruas norte-americanas, a atriz Shoshana Roberts, de 24 anos, caminha em silêncio pelas ruas de Manhattan, durante dez horas, e é alvo de olhares e comentários constrangedores. “E aí, garota, como você está?” é uma das mais leves falas direcionada a ela no vídeo visto por mais de 33 milhões de internautas. E não se trata de uma realidade distante. A hierarquia que coloca homens mais fortes que mulheres, mais cheios de direitos, é a mesma que sufoca o erotismo feminino, que lhe torna estéril.

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“É um universo muito mais amplo que a sexualidade, ela faz parte do erotismo. Desde o entendimento de que a criança tem seu próprio erotismo, bem como todas as faixas etárias. Acessamos o erótico a partir dos sentidos, o que tem a ver com as sensações de prazer, com uma pulsão de vida que o Freud fala ao abordar Eros e Tânatos”, explica Letícia Nabuco, apontando para o nome do projeto, referente à deusa do prazer Hedonê, filha de Eros e Psiquê.

Durante os encontros, a mitologia grega é um dos pontos de partida para as discussões. “Não se trata de uma oficina normal, mas compartilhada. Eu e a Raíssa vamos pesquisar, com essas mulheres, esse universo. Vamos experimentar algumas práticas corporais, já temos algumas referências artísticas e arquetípicas para trabalhar a partir de vídeos, textos, fotos. Queremos gerar 20 videodanças, um de cada participante, da maneira como cada uma entender esse universo erótico”, explica.

Uma das referências de Letícia é o livro “Mulheres que correm com os lobos”, da escritora e psicanalista norte-americana Clarissa Pinkola Estés. “As deusas e a mulher madura”, de Jean Shinoda Bolen, também é uma indicação da pesquisadora, além de textos da escritora brasileira Hilda Hilst, conhecida por sua literatura erótica.

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Reverenciada por suas performances polêmicas, a artista sérvia Marina Abramovic também estará presente nos encontros. Produzido em 2006, o vídeo “Balkan erotic epic”, no qual ela investiga o erotismo do povo balcânico, é outra forte influência para a pesquisa. “Não quer dizer que os vídeos que vamos produzir serão assim. Essa é uma referência minha, que quero trazer”, adianta-se Letícia. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail contato.diversaoearte@gmail.com.

HEDONÊS

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Das 14h às 19h. De sábado a 29 de novembro, aos sábados

No Diversão & Arte Espaço Cultural

(Rua Halfeld 1.322)

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