
“Shi-Zen, 7 Cuias” mistura minimalismo do Butoh-Ma japonês a técnicas de representação do próprio Lume
A oitava edição do Festival Nacional de Teatro se despede de Juiz de Fora com três representantes paulistas. Enquanto a Cia A DitaCuja, de Ribeirão Preto, investe em uma comédia de rua para agradar os especialistas e público que comparecerão ao último no dia da Mostra de Espetáculos do Festival, a Cia Palhaço Bisgoio, também de Ribeirão, chega com uma performance centrada na figura do clown. Para cerrar as cortinas, o Lume Teatro, de Campinas, traz a aplaudida “Shi-Zen, 7 Cuias”. A atração convidada já foi vista em sete pontos do globo. Programação garantida nas tardes de domingo, o projeto Diversão em Cena também entrou nessa temporada teatral com a peça “Romeu e Julieta na era dos recicláveis” (ver página 3), de O Trem Companhia de Teatro, sediada na capital mineira. Desde o dia 31 de agosto, 23 apresentações foram levadas aos palcos da cidade.
De acordo com crítica publicada no jornal “El Comercio”, do Equador, Lume Teatro é “Alucinação, sedução e encantamento… se aproxima da perfeição. Tocando-a com dedos frágeis”. Apresentado pela primeira vez em 2004, em Göttingen (Alemanha), “Shi-Zen, 7 Cuias” já integrou os festivais mais aclamados do mundo, entre eles Festival Internacional Experimental de Quito (Equador), Festival International de Liège (Bélgica), e Teatromania Festival, Bytom, Polônia. Sete atores utilizam seus corpos como recipientes para contar uma versão particular do ciclo da vida. “O Shi-Zen é uma mistura de uma técnica desenvolvida por nós ao Butoh-Ma, do Japão. É dança teatro”, diz o ator da trupe Carlos Simioni, que durante a semana comandou uma oficina sobre a presença do ator em cena. “Trata-se de um espetáculo de quadros em movimento, sem palavras, com música variada e canções acústicas.”
Sem querer antecipar o desfecho da montagem, resultado de um intercâmbio entre o grupo e o ator, dançarino e coreógrafo chinês criado no Japão, Tadashi Endo, Simioni diz que o elenco vai do drama à poesia. “Além da beleza plástica, a energia que emana dos atores é muito forte, contagia o espectador, e, ao mesmo tempo, acaricia tocando sua sensibilidade e emoção”, completa ele, justificando o fato de a peça arrebatar aplausos por onde passa. Voltada para um público a partir dos 14 anos, ela é anunciada como uma uma das principais opções do festival. A apresentação acontece, às 21h, no Cine-Theatro Central.
Comédia em dose dupla
A Cia DitaCuja terá o campus da UFJF como cenário de exibição da clássica história do Cavaleiro da Triste Figura, criada por Miguel de Cervantes, e adaptada para o teatro sob o título de “Dom Chicote Mula Manca e seu fiel escudeiro Zé Chupança”. Às 11h, crianças e adultos terão 60 minutos para viajar em uma trama alucinante, povoada por bruxas, centauros e gigantes. Dom Chicote é um recém-nomeado cavaleiro que, por ordem do seu rei, parte em busca das ovelhas roubadas de seu amigo Zé Chupança, em uma jornada repleta de perigos imaginários e conspirações reais. Quem ainda tiver fôlego para rir poderá conferir “Sananab”, às 19h, no Pró-Música. A promessa é de um momento de interação. A peça retrata o universo de Bisgoio, um ser ingênuo, estúpido e humano à flor da pele. Vivenciando situações embaraçosas e surpreendentes, o palhaço constrói e desconstrói tudo ao seu redor, revelando sua essência.
A estimativa, segundo a Funalfa, é que o evento contabilize uma plateia de cinco mil espectadores. Até a última sexta-feira, 3.500 pessoas já haviam passado pelos diversos espaços da cidade. “A maioria dos grupos tem recebido, muito bem, o debate com os críticos, e percebemos a criação de um público específico. Quem veio nos outros anos está voltando. A Daniele Geammal (cenógrafa e figurinista carioca, que ministrou oficina nesta edição) disse que o nível dos participantes da oficina melhorou muito”, ressalta a diretora de produção do evento, Fernanda Lauro. Os ingressos são trocados, no CCBM, por um livro de literatura em bom estado, e na portaria dos teatros, caso não esgotem com antecedência.
DOM CHICOTE MULA MANCA E SEU FIEL ESCUDEIRO ZÉ CHUPANÇA,
A Cia DitaCuja (Ribeirão Preto/SP)
Às 11h, no campus da UFJF
SANANAB, da Cia Palhaço Bisgoio (Ribeirão Preto/SP)
Às 19h, no Pró-Música (AV. Rio Branco 2.329)
SHI-ZEN, 7 CUIAS, do Lume Teatro, (Campinas/SP)
Às 21h, no Cine-Theatro Central
