O guitarrista e bluesman carioca Celso Blues Boy, 56 anos, morreu na manhã de ontem, quando estava em sua casa, em Joinville, Santa Catarina. Cantor, compositor e guitarrista, Celso sofria de câncer na garganta há cerca de um ano. Segundo informações do jornal "O Globo", o músico mantinha a existência da doença em segredo e se recusou a fazer os tratamentos necessários. A pedido do próprio Celso, seu corpo não será velado e foi encaminhado para um crematório em Blumenau.
A morte de Celso foi comentada pela classe artística de Juiz de Fora e do Brasil. Em sua página no Facebook, um dos sócios do Cultural Bar, Marcelo Panisset, lamentou a morte de Celso, que, por várias vezes, se apresentou na casa de shows da cidade: "Morre hoje, um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Sem palavras. Vai com Deus meu velho e bom amigo. Foi muito bom te conhecer". Também na rede, o músico Edson Leão publicou uma das letras de Celso como forma de homenagear a memória do artista. Para ele, a obra de Celso é muito forte e autêntica. "Ele contribuiu de maneira significativa para que duas áreas da música brasileira tivessem projeção: o blues e o rock", diz. Edson destaca que, além de grande guitarrista, o músico – uma das primeiras referências de sua carreira – fazia canções que tentavam transpor a tradição poética e temática do blues, trazendo-as para a língua "brasileira". "Ele transmitia a alma do blues. Antes de música, o blues é uma questão de alma, de sentimento."
A internet também foi o meio para artistas de todo o país falarem sobre a morte de Celso. O apresentador Serginho Groisman lembrou de episódios da vida do artista. "Morreu Celso Blues Boy. Tive o prazer de assistir a ele tocando sua furiosa guitarra. Seu encontro com B.B.King é antológico." O tremendão Erasmo Carlos também comentou: "Uma vez fomos induzidos a tocar ‘Coqueiro verde’ numa festa, e o resultado foi hilário…Saudades", escreveu em seu perfil no Twitter.
Já o vocalista e guitarrista da banda de rock Autoramas, Gabriel Thomaz, lembrou sua própria relação com Celso. "Quando eu era criança, ouvia muito o Celso Blues Boy em casa, pelo rádio e pela televisão. Era a época em que eu comprava discos com o dinheiro da mesada", recordou. Com recente passagem pela cidade, Leoni também comentou a perda de Celso pelo Facebook: "A música brasileira perdeu um de seus grandes nomes, e eu perdi um amigo querido. Valeu, Celso Blues Boy!"
Celso começou a tocar profissionalmente na década de 1970 e, aos 17 anos, já atuava como apoio a grandes nomes da música como Raul Seixas, dividindo com o Maluco Beleza o trabalho em "O diabo é o pai do rock". Considerado um dos maiores guitarristas do Brasil, tocou ainda com Sá & Guarabyra, Renato e Seus Blue Caps, Luiz Melodia e Cazuza – com quem gravou a faixa "Marginal" -, além de fazer parte das bandas Legião Estrangeira e Aero Blues.
Em seu currículo, constam ainda trilhas de filmes que marcaram a década de 1980 do cinema nacional, como "Rock estrela" e "Bete balanço". Ainda na música, seu primeiro disco, "Som na guitarra", foi lançado em 1984, com seu maior sucesso, "Aumenta que isso aí é rock’n’roll", e outros hits como "Blues motel" e "Rock fora da lei". Foi na década que veio o reconhecimento de seu trabalho, levando o músico a ser habitué do Circo Voador. Na casa de shows carioca, ele é o recordista de apresentações em seus 30 anos de história, tendo se apresentado por lá 104 vezes. A 105ª já estava marcada para o aniversário da casa, em 23 de outubro.
