
Estrelado por Omar Sy, ‘Chocolate’ é um dos longas que podem ser conferidos nas duas semanas de festival
E de repente, quando menos se espera, chega o “Natal” para os admiradores do cinema feito na terra da Liberdade, Igualdade e Fraternidade: começa nesta quarta-feira no país e quinta-feira em Juiz de Fora a edição 2016 do Festival Varilux de Cinema Francês, que este ano terá uma semana a mais de exibições e seguirá até 22 de junho, apresentando ao público de 50 cidades 15 filmes inéditos e um clássico de cinematografia francesa. Indo do Norte ao Sul do país, o festival chega a cidades como Belém (PA), Rio de Janeiro e Volta Redonda (RJ), Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), Recife (PE), Tubarão (SC), Caeté (MG), Aracaju (SE), Rio Verde (GO) e Cuiabá (MT), entre outras, além de Juiz de Fora, com o Cinearte Palace participando dos eventos.
O diretor do festival, Christian Boudier, comemora o prolongamento do Varilux este ano mesmo em um momento de crise, em razão principalmente da cobrança do público que, de acordo com ele, se queixava de ter apenas uma semana para acompanhar uma programação tão diversificada. “Propusemos aos cinemas duplicar a duração do festival. Eles aceitaram a aposta e desde já queremos agradecer muito essa confiança. Então, serão mais de quatro mil sessões de filmes franceses organizadas no país inteiro, ou seja, um acréscimo de 60% em relação a 2015. Se o público acompanhar essa tendência e aproveitar esse presente, o Varilux poderá ultrapassar 150 mil espectadores em 2016, tornando-se um dos festivais de cinema francês mais populares do mundo”, declarou o Christian no texto de divulgação do evento.
Programação diversificada
A programação de 2016 conta com produções premiadas e artistas conhecidos até mesmo fora do circuito de fãs que cultuam o cinema europeu. Um dos destaques é “Chocolate”, estrelado por Omar Sy, em que o ator de “Intocáveis” interpreta o primeiro artista circense negro da França, durante a Belle Époque. O diretor Roschdy Zem vem ao país para divulgar o longa. Jean Dujardin, Oscar de melhor ator por “O artista” (2011), é o principal nome da comédia romântica “Um amor à altura”, de Laurent Tirard, enquanto que Vincent Cassel e Emmanuelle Bercot são as estrelas de “Meu rei”. Emannuelle, inclusive, venceu a Palma de Ouro de melhor atriz na edição do ano passado do Festival de Cannes graças à sua atuação no drama de Maïwenn.
O festival apresenta, ainda, o drama histórico “Agnus Dei”, de Anne Fontainer, em que Lou de Laâge interpreta uma médica da Cruz Vermelha que chega a um convento em que as freiras estão prestes a dar à luz, durante a Segunda Guerra Mundial. Para quem gosta de comédia, é possível assistir à “Flórida”, de Philippe Le Gauy, com Sandrine Kiberlain e Jean Rochefort. Outra comédia, “Lolo, o filho da minha namorada”, tem direção de Julie Delpy, conhecida do público brasileiro por filmes como “Antes do amanhecer”, e que estrela a produção ao lado de Vincent Lacoste.
Religião é o tema do drama “Os cowboys”, de Thomas Bidegain, em que um pai inicia uma busca desesperada pela sua filha adolescente, que teria se convertido ao islamismo, contando apenas com a ajuda de seu filho na jornada. “Abril e o Mundo Extraordinário”, de Franck Ekinci e Chiristian Desmares, é uma animação premiada que conta a história de uma menina que sai à procura dos pais em uma França da década de 1940 bem diferente daquela dos livros de História, com Napoleão V sendo o imperador do país ainda numa era pré-industrial, sem rádio, TV e outras maravilhas modernas.
“Marguerite”, de Xavier Giannoli, deu a Catherine Frot o Cesar deste ano de melhor atriz; o filme conta a história da americana Florence Foster Jenkins, que apesar de não ter talento algum persistiu no seu sonho de ser cantora. As memórias de sua adolescência são o tema de “O novato”, de Rudi Rosenberg, enquanto a comédia dramática “A corte”, de Christian Vincent, tem como personagem principal um juiz de difícil trato que passa a ser mais flexível ao se deparar, em um júri, com uma mulher por quem se apaixonou muitos anos antes. A liberdade sexual e o feminismo da Paris dos anos 70 é retratada, por sua vez, em “Um belo verão”, de Catherine Corsini.
Contemporâneos e um clássico que comemora 50 anos
Mantendo a diversidade de sua programação, o Festival Varilux ainda apresenta o drama de guerra “Viva a França!”, de Christian Carion. Passada em 1940, a história mostra a população de uma pequena vila, que decide contrariar as ordens do governo e foge de seus lares ao invés de esperar pela invasão das forças nazistas.”Um doce refúgio” é comédia escrita, dirigida e estrelada por Bruno Podalydes, em que um artista gráfico apaixonado por aviões compra um caiaque ao descobrir que os dois são aerodinamicamente parecidos. A última das produções inéditas é a comédia dramática “La vanité”, dirigida por Lionel Baier, em que um arquiteto procura uma associação de suicídio assistido para dar fim à própria vida. A espanhola Carmen Maura, conhecida pelos seus filmes com Pedro Almodóvar, faz parte do elenco.
Além da produção contemporânea francesa, o Festival Varilux apresenta um clássico que completa 50 anos em 2016: “Um homem e uma mulher”, romance de Claude Lelouch vencedor da Palma de Ouro do Festival de Canne e Oscar de filme estrangeiro e roteiro original. Estrelado por Jean-Louis Trintignant, Anouk Aimée e Pierre Barouh, o longa mostra o relacionamento entre dois viúvos que, apesar do sentimento mútuo, precisam lidar com a presença ainda marcante dos amores que se foram.

