
Atores de ‘Rua Cloverfield, 10’ gravaram boa parte do filme sem saber que o longa tem ligação com o filme de monstro lançado em 2008
Os nomes do diretor, produtor, roteirista, faz-tudo e “homem mais perigoso do universo” J. J. Abrams e da produtora Bad Robot são sinônimo de mistério desde setembro de 2004, quando o primeiro episódio da série “Lost” foi ao ar nos Estados Unidos. E foi este mesmo mistério que cercou a produção e o lançamento de “Cloverfield – Monstro”, em 2008, após meses de especulações e campanhas de marketing viral que circularam pela internet sobre um filme (dirigido por Matt Reeves) em que uma gravação perdida mostraria o ataque devastador de um monstro contra Nova York. Desde então, a expectativa por uma continuação aumentava ou diminuía de tamanho de acordo com as notícias que rolavam – como foi no caso do lançamento de “Super 8” (2011), dirigido pelo próprio J. J. Abrams. Pois a longa espera terá fim a partir desta quinta-feira, quando “Rua Cloverfield, 10” chega aos cinemas brasileiros, com direção do estreante Dran Trachtenberg e pegando os fãs do primeiro filme de surpresa.
A Bad Robot sempre foi pródiga em vender seu peixe, e com “Rua Cloverfield, 10” não foi diferente. Todo mundo foi surpreendido quando, há cerca de dois meses, foi anunciado o teaser trailer do filme, pois ninguém sabia que ele estava sendo produzido. Com o título fictício “Valencia”, o longa foi rodado durante 36 dias em 2014 com os atores não sabendo todas as falas – e muito menos de que se tratava de um novo “Cloverfield”. O roteiro era impresso em folhas de papel vermelhas, para impedir que fossem copiadas. E o sentimento de “o que está acontecendo?” continuou com a divulgação dos comerciais, trailers, pois quem esperava uma continuação direta de “Cloverfield” viu algo completamente diferente, absolutamente nada a ver com o found footage do original. Em entrevistas, J. J. Abrams declarou que o novo longa é um “primo distante” ou “parente de sangue” de “Cloverfield”, tendo como característica comum habitar o mesmo universo. Boa parte da crítica começou, então, a ver o novo filme como integrante de uma “antologia” nos moldes da série de TV “True detective”.
Confinamento e desconfiança
Enquanto “Cloverfield – Monstro” se passa na Nova York da década passada, “Rua Cloverfield, 10” parece situado anos depois do filme original, e tem como cenário uma área rural dos Estados Unidos. Nenhum dos personagens do longa de 2008 aparece no longa. Estudante de moda, Michelle (Mary Elizabeth Winstead) tem uma discussão com o namorado/noivo e sai de casa furiosa, sofrendo um acidente de carro que a deixa desacordada. Ela acorda, acorrentada, no abrigo nuclear subterrâneo de Howard, (John Goodman), que diz à jovem ter salvado sua vida de um ataque com armas químicas. Ele acrescenta, entretanto, que o mundo exterior se tornou inabitável e que eles precisarão ficar, provavelmente, até dois anos enclausurados. A explicação é endossada pelo outro “morador”, Emmeth (John Gallagher Jr.).
Michelle, porém, não acredita na explicação de seu salvador – um tanto quanto que paranóico quanto à situação do mundo – e procura formas de fugir dali, iniciando um conflito repleto de suspenses e reviravoltas. As relações com o primeiro “Cloverfield, que são poucas e indiretas, aparecem apenas no que diz respeito às informações vindas do exterior do bunker, como no momento em que um dos trailers mostra que algo muito grande parece passar por cima – ou ter explodido – sobre o abrigo.
Mesmo que acabe por não responder às inúmeras questões dos fãs (Existem outras gravações? O monstro foi destruído em Nova York? Ele era o único de sua espécie? Ele veio do espaço – como parece mostrar a cena final de “Cloverfield”, em que algo parece mergulhar no mar na última cena?), o longa vem sendo elogiado pela direção segura e eficiente do estreante Trachtenberg, pelo roteiro do trio Josh Campbell, Matthew Stuecken e Damien Chazelle e o desempenho do trio de protagonistas – em especial John Goodman, em uma de suas melhores atuações nos últimos anos, e Mary Elizabeth Winstead, comparada à Sigourney Weaver no primeiro “Alien”.
Ainda que prenda a atenção do público de forma tão angustiante quanto seu predecessor, “Rua Cloverfield, 10” tem tudo para ganhar o público pela tensão e suspense gerados pela relação das três pessoas estranhas entre si dentro de um espaço restrito, num clima de medo e paranoia provocado pelo medo do desconhecido – afinal, o que está acontecendo de verdade lá fora? Só dá para descobrir indo ao cinema – mas sem fechar os olhos, por favor.
RUA CLOVERFIELD, 10
UCI 1 (dub): 15h45. UCI 1: 18h, 20h15 e 21h30. Cinemais 3 (dub): 15h10 e 19h30. Cinemais 3: 17h20 e 21h50
Classificação: 12 anos

