Nada de contista ou romancista, o pouso-alegrense Tiago Rattes é, simplesmente, poeta. Sou uma pessoa da rua, suburbana, do espaço público, por isso acredito que sou poeta. Contudo, suas primeiras incursões literárias, ainda na adolescência, foram em forma de prosa. De acordo com ele, o contato com a música popular e com os versos juiz-foranos de outros tempos e de companheiros da sua geração, além da sua entrada para o time do Eco Performances Poéticas, em 2008, foi decisivo para o aprofundamento na poesia. A prosa é uma espécie de laboratório em que exercito minha capacidade de escritor e faço ‘terapia’, vamos dizer assim. Os poemas são trabalhados, pensados, revistos, conta o doutorando em história pela UFJF, que, desde 2006, posta suas criações no blog www.tiagorattes.blogspot.com.br.
Acredito que esse tipo de ferramenta, como também as redes sociais, são importantes para divulgação da poesia em uma época em que o livro está em intenso debate sobre seus rumos. Essa tecnologia ainda obriga o poeta a refletir sobre o licenciamento de sua obra, diz Rattes, que trabalha na publicação impressa, sem data para ser lançada, de Três quartos. Ele adianta que o Eco Performances volta à ativa possivelmente este mês em local ainda a ser definido. O Eco vai inaugurar uma nova fase, buscando pensar de forma mais crítica a poesia da cidade.
Livro
Rapace, de André Capilé
O André é, sem dúvida, um dos grandes da nossa geração de poetas, se é que existe uma geração ‘nossa’. Eu diria que a grande marca da sua poesia é conseguir agregar a consciência de linguagem a uma poesia extremamente atraente
Poeta
Paulo Henriques Britto
Acredito que o Paulo hoje é o grande nome da poesia brasileira não só pela qualidade de seu trabalho, mas também pelas suas reflexões sobre a poesia contemporânea
Poema
E assim em Nínive, do Ezra Pound
Traz uma das mais belas definições do poeta: (..) É que eu sou um poeta, /e bebo vida /Como os homens menores bebem vinho
Filme
Holy Motors, de Leos Carax
Há tempos que não assistia a algo tão forte. A intenção metafórica é nobre, mas não se perde em si. Acho um filme fundamental para pensarmos os rumos do cinema hoje em dia
CD
Caetano e Gil – Barra 69 – ao vivo na Bahia
Apesar de discos ao vivo serem tão discutíveis, esse registro é uma das coisas mais preciosas do período. Retrata muito o espírito de época, e a força que as novas manifestações da música popular vieram ganhando. Até as limitações de gravação são interessantes
Música
Paquetá, dezembro de 56, de Aldir Blanc
Nessa canção, o Aldir demonstra sua capacidade poética gigantesca. Uma história contada em forma de música com uma trama que, no final das contas, é sobre o ato de contar uma história
Site
www.farofafa.com.br, de Pedro Alexandre Sanches e Eduardo Nunomura
Um site de crítica musical, mas que traz os aspectos da música de forma mais ampla, promovendo, na prática, um debate sobre sociedade e cultura
Vídeo na internet
www.youtube.com/watch?v=v9zeyZsod4A
É uma espécie de clipe da música ‘O show tem que continuar’, do Luiz Carlos da Vila. Nele, o poeta aparece cantando no Irajá, numa festa de rua, bem à vontade. É a imagem que tenho desse grande sambista
Programa em JF
Feijoada do Futrica aos sábados
O Futrica é um bar especial, um ótimo lugar para jogar conversa fora com os amigos e amigas, encontrar pessoas, além, é claro, de ter o chope mais gelado da cidade
Cineasta
O pernambucano Claudio Assis
O Cláudio é um grande cineasta e provou isso com seus três longas: ‘Amarelo manga’, ‘Baixio das bestas’ e ‘Febre do rato’. E ao mesmo tempo é uma figura que não se inibe em ousar na estética e na política, promovendo a provocação fundamental que a arte exige
