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Curta-metragem local tem atores globais

Gabriel Godoy e Luciana Paes formam o casal que não se beija em
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Gabriel Godoy e Luciana Paes formam o casal que não se beija em “Aqueles cinco segundos”

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Felipe Saleme dirige o curta-metragem roteirizado por Tairone Vale a partir de uma conversa de bar

“Tá faltando beijo nessa história.” Essa é a conclusão a que chega o casal protagonista do curta-metragem “Aqueles cinco segundos”, que será filmado neste final de semana em um quarto de hotel em Juiz de Fora. A produção, escrita por Tairone Vale em parceria com Zezinho Mancini, conta a história dos amantes que mantêm um relacionamento há dois anos e, em um desses encontros casuais, descobrem que – mesmo após todo esse tempo – jamais se beijaram. Esse é o ponto de partida para que os dois, então, discutam essa relação em que um dos atos de intimidade mais prosaicos entre os casais (o beijo na boca) vem sendo absolutamente negligenciado, o que abre espaço para discutir como os relacionamentos na atualidade podem ser superficiais, além da própria liberdade sexual, individualismo e o quanto estamos dispostos a ficar íntimos do outro. A direção do projeto é de Felipe Saleme, e os atores escalados para interpretar os amantes são dois nomes que vêm merecendo destaque recentemente na tela pequena: Luciana Paes, da novela da Rede Globo “Além do horizonte”, e Gabriel Godoy, da série “O negócio (HBO) e que estará na próxima novela das 19h da Globo, “Alto astral”.

Responsável pelo roteiro do filme, Tairone Vale conta que já pensava em fazer algo ligado ao cinema e que a ideia de “Aqueles cinco segundos” surgiu naquele que chama de “o campo mais fértil que existe”: um boteco. “Estávamos conversando sobre filmes, cinema, histórias de amor, e o Felipe falou da teoria dos cinco segundos que antecedem o beijo, que seria um momento que nunca se repete. Aí pensei na possibilidade de haver um casal que nunca tivesse passado por isso”, diz ele. “O Tairone fez o contrário do que outros fariam, que seria começar pelos tais cinco segundos”, emenda Felipe. O projeto, aprovado no ano passado pela Lei Murilo Mendes, será filmado no formato digital e está em produção desde maio. “Ele (o filme) tem o nome de curta, mas é só a ponta do iceberg. É um trabalho intenso”, ressalta o diretor, egresso do teatro e que parte para a direção de seu segundo filme – o anterior é “Entre parênteses”, em parceria com Diego Zanotti e que aguarda lançamento.

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“Aqueles cinco segundos”, na opinião de Tairone, é um filme de atores, baseado no diálogo, o que espera que fique claro pela escolha de apenas um cenário (o quarto de hotel). Para que essa ideia funcione, porém, era necessário escolher uma dupla que se encaixasse na proposta dos realizadores. E os nomes pensados foram exatamente os de Luciana e Gabriel. A atriz, mais conhecida pelo seu trabalho no teatro, diz que conheceu Tairone na Rede Globo. “Foi apenas um dia, mas conversamos muito e continuamos a nos falar depois disso. Ele me falou do filme, mandou o primeiro tratamento do roteiro, e fomos trocando ideias a respeito.” No caso de Gabriel, o contato foi por meio de um dos produtores, Cézar Campos. “Sempre que recebo um convite para fazer cinema, fico muito feliz, mas tomo cuidado para não cair em ‘roubada’. Continuamos conversando, e quando soube que a Luciana também tinha sido convidada, fiquei mais animado.” “Quando são apenas dois atores contracenando, é preciso saber com que vamos trabalhar”, emenda Luciana.

Os dois são só elogios ao filme. “É um filme de casal, mas não é bobo, tem essa coisa do estranhamento. O texto é fluido, tornou orgânica uma coisa abstrata”, destaca Luciana Paes. “A princípio, achava isso (a falta de beijo num relacionamento) inverossímil, mas agora vejo como uma metáfora da intimidade. O maior desafio é a história em si, deixar verossímil o absurdo”, completa Luciana.

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Quem vê a cumplicidade entre os dois pode até imaginar que os protagonistas do filme se conhecem há anos, tamanho o entrosamento da dupla durante a entrevista. Gabriel lembra, porém, que eles não se conheciam pessoalmente, mesmo acompanhando o trabalho do outro à distância. “Mas temos uns 150 amigos em comum no Facebook”, diverte-se Luciana. Animados com a empreitada, os protagonistas já aproveitaram a quinta-feira para fazer a leitura de texto por mais de duas horas. “Eles já estavam ensaiando no avião, antes mesmo de chegar”, elogia Tairone.

Sintonizados com o projeto-relâmpago, Luciana e Gabriel consideram igualmente importante o fato de o curta-metragem ser filmado em Juiz de Fora. “Isso ajuda a ficarmos ainda mais próximos. Estando em Juiz de Fora, acabo fazendo só isso, mergulho 100% no trabalho. A Lu tem uma coisa de humor/amor que nos uniu”, diz ele. “Parece que nossa vida parou. Em São Paulo (cidade onde moram), você encerra a gravação, vai para casa, não tem o mesmo contato”, afirma Luciana. “E tem o making off também, nos sentimos em um reality show”, brinca o ator.

Após as gravações, os dois atores já estão com outros projetos confirmados. Gabriel, que pode ser visto na segunda temporada de “O negócio”, começa a gravar neste mês sua participação na novela “Alto astral”, em que vai interpretar o personagem Afeganistão – que é irmão de Itália e Israel, e tem uma mãe chamada Austrália. Já Luciana prepara a mochila para novas aventuras teatrais: ela vai viajar para a Grécia com a Cia. Hiato, e em 2015 vai se apresentar com o grupo em Nova York e Washington (Estados Unidos), Vancouver (Canadá) e Viena (Áustria). Para o próximo ano, também está previsto o lançamento de outro filme em que trabalhou, o misto de “musical no cemitério” e comédia “Sinfonia da necrópole”, de Juliana Rojas, vencedor de melhor trilha sonora no Paulínia Film Festival e melhor filme pelo júri especializado do Festival de Gramado.

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Quanto a Tairone e Felipe, eles vão se concentrar na montagem de “Aqueles cinco segundos”. “Esperamos concluir até o final de outubro ou início de novembro, para podermos pegar os festivais que iniciam as inscrições no período. Vamos tentar participar do maior número possível, depois o objetivo é veicular na televisão”, encerra Felipe Saleme.

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