
O Feijão de Ogun realiza a sua 22ª edição em Juiz de Fora, com o tema “Gênero, raça e sexualidade — a resistência dos corpos negros”. O evento, de cunho religioso e festivo, agradece e celebra o orixá Ogun por meio da oferta do feijão e aborda temáticas raciais e de consciência negra. A programação gratuita tem início na segunda-feira (7) e segue até domingo (13).
Entre as atividades, estão programadas mesas, palestras, lançamento de documentários, rodas de conversa, feiras e apresentações musicais, que celebram a cultura negra e as religiões de matriz africana. A Praça Antônio Carlos, o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas e o Mercado Municipal serão palco das atividades.
Também serão realizadas a Caminhada pelos Territórios Livres no centro da cidade e a tradicional feijoada aberta à população na quadra da União das Cores, no bairro Milho Branco, na Zona Norte. A atividade é uma realização do Instituto Feijão de Ogun, do Movimento Negro Unificado (MNU) e do Instituto Albert Sabin, em parceria com a G.R.E.S União das Cores.
Bastidores do Feijão
No mês de março, mais de cem pessoas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do MNU se reuniram no acampamento agroecológico Roza Cabinda para plantarem as sementes de feijão do evento de 2025. A atividade contou com alunos da faculdade de Serviço Social da UFJF, agentes populares de saúde, representantes do Mutirão da Meninada e de povos de terreiros. O plantio foi seguido de uma roda de conversa sobre “A sacralidade da terra”, com colaboração de Hubono Camilo de Oyá e Kenia de Osogiyan. A colheita de toda a produção do feijão para o evento foi realizada no dia 13 de junho, com o intuito de ser distribuído gratuitamente no último dia do evento (13), conforme a organização.
“O Feijão busca trabalhar tanto a questão política, quanto a questão cultural na sua totalidade e representa avanços na compreensão do movimento negro, que passa a ter uma ação mais propositiva do que uma ação somente de denúncia. O principal objetivo nessa edição de 2025 passa pela efetivação de vínculos com a comunidade da periferia e com as ações que ao longo desses anos a gente vem construindo, uma aliança com setores oprimidos, como o MST”, afirma o coordenador do MNU, Paulo Azarias.
Ele defende que “há a busca dessa aliança com os oprimidos, a discussão da masculinidade negra e a discussão da mulher negra na sua complexidade. Há a busca, também, pela construção de ferramentas que possibilitem o mapeamento do povo tradicional de matriz africana e ações para garantir direitos, como a regulamentação do Estatuto da Igualdade Racial e a luta permanente contra o racismo.”
“Somos muito gratos e ficamos muito felizes em honrar e poder receber um evento dessa magnitude e de simbolismo tão grande pra Juiz de Fora e para nossa comunidade. Ter todo um rito até a conclusão do evento é uma coisa muito forte, de muita fé. É um reencontro dessa ancestralidade”, analisa o diretor da escola de samba, Bruno Souza, mais conhecido como Bruno Black.
Ele complementa que “este ano, a festa vem ainda mais vibrante, com roda de samba, comida feita com carinho, homenagens às tradições de matriz africana e muito axé no ar! Quem vier, vai sentir o coração bater no compasso da nossa história!”
Serviço
Data: 7 de julho (segunda-feira)
Abertura 22º Feijão de Ogun
19h – Lançamento e apresentação do Documentário MNU – Movimento Negro Unificado
19h30 – Mesa Redonda com autoridades
20h – Palestra Magna com Paulo Azarias
Local: Teatro Paschoal Carlos Magno (R. Gilberto de Alencar, 1 – Centro)
Data: 8 de julho (terça-feira)
19h – Caminhada pelos Territórios Livres
Trajeto: Saída do Parque Halfeld, Rua Halfeld, Avenida Getúlio Vargas, Rua Dr. Paulo de Frontin e
dispersão na Praça Presidente Antônio Carlos.
Data: 9 de julho (quarta-feira)
18h- Abertura da Exposição “Caminhos ancestrais” por Daniela Miranda
18h30 – Coral Akorin – (Mercado Municipal)
19h – Roda de conversa – “Entre peles e padrões: Identidade negra, masculinidade e
dissidências sexuais”
Local: Mercado Municipal (Av. Getúlio Vargas, 188 – Centro)
19h- Mesa: Tiago Azeviche (BA), Martvs das Chagas e Mediação Camilo Azarias
Local: CCBM (Av. Getúlio Vargas, 200)
Data: 10 de julho (quinta-feira)
18h45 – Exibição do Documentário “Decifra-me”
19h – Roda de Conversa: “Herança e luta: Racismo e a realidade socioeconômica das famílias
negras”
Mesa: Danielle Teles, Joana D’arc Talha, Jussara Alves e Mediação Dani Melo
Local: CCBM (Av. Getúlio Vargas, 200)
Data: 11 de julho (sexta-feira)
16h – Feira de Etnodesenvolvimento e Economia Solidária
17h – DJ MCastro
19h – Samba de Colher convida Aline Crispin e Camila Brasil
21h – RT Mallone convida Maria Preta e BRK Mallone
23h – Encerramento
Local: Praça Antônio Carlos
Data: 12 de julho (sábado)
Caminhada Juiz de Fora Negra
Horário: 10h às 12h
Local: Do Parque Halfeld até o Mirante do São Bernardo
Valor: R$ 30,00 (compra via link do Sympla)
14h – Feira de Etnodesenvolvimento e Economia Solidária
14h – Dj Anderson Fofão
15h – Samba D’Ilê convida Samba do Mato
16h45 – Maracatu Trovão da Roza
18h – Muvuka convida Òrúnmilá (RJ)
20h30 – Baile Black Bom (RJ)
23h – Encerramento
Local: Praça Antônio Carlos
Data: 13 de julho (domingo)
12h – Distribuição do Feijão de Ogun (Gratuito)
12h – Samba de Ogun convida Mulheres do Samba JF e Bateria Sensação
16h – Xirê de Ogun
17h – Ingoma
Local: Quadra União das Cores (Rua Daniele, R. Cláudia Lamarca Pereira, 11 – Milho Branco)

