
Adelino Benedito e Sandra Almeida vivem o microempreendedor Reginaldo e a sacoleira Marilda (Divulgação)
Microempreendedor individual, machista, egoísta e preconceituoso, Reginaldo é abandonado pela mulher. A coitada não aguentava mais os mandos e desmandos do marido que, além do mais, sofre de TOC (Transtorno obsessivo compulsivo). Ele fica transtornado ao não encontrá-la em casa e sai à sua procura, indo parar numa roda de samba. Lá Reginaldo bebe muito e se envolve com Marilda, uma mulher de personalidade muito diferente da ex, e aí essa história começa para valer. De acordo com Adelino Benedito, que faz sua estreia na direção, esse encontro casual de “Os opostos se atraem” promete gargalhadas do início ao fim. A estreia em Juiz de Fora é neste sábado, às 21h, no Cine-Theatro Central.
“A Marilda não aceita tudo, não abaixa a cabeça para as ignorâncias dele, o que faz surgir uma série de conflitos. Por estar muito bêbado, no dia seguinte, ele nem lembra que a convidou para morar com ele. Ela bate o pé e não aceita sair de casa”, conta o diretor, que divide a cena com a atriz Sandra Almeida, com quem já trabalhou em outras duas montagens. “Eu já tinha em mente que faria outra peça com a Sandra porque nós temos uma afinidade grande”, diz Adelino. “Sei que ela é uma atriz que defende bem o personagem, e eu precisava de alguém de confiança.”
Quando Adelino escreveu pensando que precisaria de alguém em quem pudesse confiar de olhos fechados, certamente ele levou em conta que “Os opostos se atraem” exigiria muito mais dele, por ser sua primeira vez como diretor. “Já esperava, um dia, dirigir um espetáculo, mas não que eu estivesse no palco ao mesmo tempo”, comenta ele, satisfeito com a nova experiência. Na escrita, ele já havia se aventurado com o drama “Teófilo – Um sonho de liberdade” e a comédia “Piastras e fuxicos”. “Gostei muito de fazer drama, porém eu já tinha uma trajetória no humor, que é o gênero que sinto mais prazer de fazer”, destaca ele, apontando os motivos de sua inclinação para o riso. “Acho mais complicado fazer rir. Na comédia, o que a gente pensa que vai funcionar não funciona, eu falo, e a plateia responde. Consigo sentir, imediatamente, se o trabalho deu certo. Com o drama, o termômetro é só no final.”
Para viver as peripécias dos dois personagens, Adelino e Sandra têm uma sala de estar como cenário. Segundo Adelino, como o esperado, a ideia é arrancar gargalhadas do espectador, apesar de essa não ser a única finalidade da obra. “Ela também toca em assuntos, como machismo, preconceito, câncer de próstata, religiosidade e espiritualidade. É uma comédia pontuada por questões sérias”, enfatiza o diretor, esclarecendo de onde vem a inspiração para criar o protagonista. “Quando escrevi, não sabia que ele teria TOC, essa característica foi surgindo. Ele representa várias pessoas que conhecemos ao longo da vida.”
“OS OPOSTOS SE ATRAEM”
9 de julho, às 21h
Cine-Theatro Central
3215-1400
