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Um segundo desabrochar

as matildas bia nascimento juliana stanzani amanda martins e fabricia valle contam com a participacao do contrabaixista wiliam tonasso e do baterista thales scoton no cd patua leonardo costa

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As “Matildas” Bia Nascimento, Juliana Stanzani , Amanda Martins e Fabrícia Valle contam com a participação do contrabaixista Wiliam Tonasso e do baterista Thales Scoton no CD “Patuá” (Leonardo Costa)

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Rec. Bastou apertar o botão para iniciar a gravação, e todo o temor se foi. Quando Juliana Stanzani, uma novata leopoldinense em terras juiz-foranas, começou a cantar, a percussionista Fabrícia Valle mudou de ideia. Amanda Martins, que acompanhava na flauta também percebeu que o encontro teria eco. Era 2009, quando apresentei Juliana a Fabrícia e Amanda numa gravação para uma trilha sonora. Logo, juntava-se Bia Nascimento e seu violão. Formado o quarteto, as mulheres, então muito jovens, conheceram o muito.

Ficaram muito amigas, compuseram muito, ganharam muitos fãs, fizeram muitos shows e viajaram mais um tanto. Entre as muitas músicas, projetaram um disco. Rec. E desta vez o o botão travou. Como um cometa, passaram. Mas não desapareceram. Quatro anos após o início das gravações, retornam à cena para o show de lançamento do álbum “Patuá”, nesta quinta, 7, às 20h, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, com participações de Dudu Costa e Caetano Brasil.

“O processo do disco foi muito difícil. Tivemos muitos problemas. Uma coisa que era tão bonita, tão desejada, acabou se tornando um ‘trem’ a ser resolvido”, conta Juliana, referindo-se a episódios que fizeram as contas não fecharem. Foi preciso criar um novo projeto, de crowdfunding, para dar conta de uma proposta financiada, no início, exclusivamente pela Lei Murilo Mendes.

Nos ouçam!

“O lançamento do CD não é só um compromisso com a lei e com as pessoas que contribuíram no Catarse, mas uma questão de honra para nós, com nosso som. Nossa música merece que lancemos”, defende Fabrícia. As quatro “Matildas” se reapresentam, em Juiz de Fora, ao público que as acompanhava. “Nos ouçam!”, querem dizer elas, que agora se uniram ao contrabaixista Wiliam Tonasso e ao baterista Thales Scoton.

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Segundo a flautista Amanda Martins, “antes havia uma energia que chamava a atenção da galera não só pela música, mas por ter o tambor, ter quatro mulheres e uma coisa regional e autoral”. Agora também tem, garantem. “Mas o foco está no cuidado com o som”, aponta Amanda. “A gente cresceu. Antes estávamos engatinhando, agora estamos aprendendo a andar”, brinca Bia Nascimento.

“No início, tinha o fervor de estar se conhecendo. Agora já nos conhecemos bem. As músicas foram repaginadas. Somos uma banda. É uma nova fase”, afirma Amanda, para logo completar: “Mesmo com o afastamento dos palcos, não fomos, cada uma para um lado. Pelo contrário, estivemos sempre juntas, reunidas, pensando em como fazer para voltar. O bolo demorou a sair, mas saiu gostoso”.

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Nos leiam!

O “Patuá” que traz em seu design marcas pessoais de cada integrante, como tatuagens e objetos pessoais, resguarda uma identidade estética e artística de jovens que, longe dos holofotes, tornaram-se adultas. “Nossa bandeira é o som. Não é nossa onda sermos feministas no palco. A mulher, como fazedora de arte, é interessante pensar, e nós problematizamos isso, mas não ficamos restritas a essa questão. Tem um quê de feminino em nossas canções, da mulher como força criadora e criativa, mas esse não é nosso foco primeiro”, adverte Fabrícia Valle.

Há uma “mineiridade” tanto nos instrumentos utilizados quanto nas inventivas letras. “Dona Elzira”, uma das mais conhecidas, retrata uma casa de vó dessas com café quente no bule. “Porque pedra se és sendo flor em flor?”, cantam em “Flor em flor”. “O tempo é graveto que queimou, é brasa sem cor, vermelho e flor”, entoam em “A cor de ver morrer o sol”. Uma colcha de retalhos delicados unidos por mãos femininas.

“Sem querer, nos envolvemos mais com as mulheres. As Garimpeiras estão fazendo nosso figurino para o show, Laura Delgado veio ajudar na direção”, diz Bia, certa de que o tempo que fez com que olhassem com mais clareza para todo o trabalho também passou carregando uma cidade na qual fincaram raízes. “Juiz de Fora viveu uma mudança muito grande. Os lugares onde tocávamos já não existem, e o diálogo com as casas existentes ficou mais difícil.”

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Nos sigam!

Quando Matilda floresceu, naquele 2009, “nasciam” também artistas hoje muito atuantes na cena local, bem como eventos que ganhavam fôlego, como o Eco – Performances Poéticas e o Encontro de Compositores. Tempo próspero, estranho a atual tempestade. Sair, então, torna-se imperativo. “Sempre admirei isto no Ponto de Partida: vamos nos manter em nossa cidade, mas com o horizonte para fora”, comenta Amanda Martins.

“Durante a gravação do disco, não pensamos em mais nada,mas pensar em lugares para tocar faz parte da nossa gestão de carreira. E sair não é uma questão só de visibilidade ou de ganhar dinheiro, mas de ter espaço, de sobrevivência”, diagnostica Fabrícia, aos olhares concordantes das parceiras. Com “Patuá” em mãos, as Matildas estão cheias de fé nos dias que chegam.

MATILDA

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Lançamento do disco “Patuá”

Nesta quinta, 7, às 20h

CCBM

(Av. Getúlio Vargas 200)

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