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Entre excessos e delicadezas

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Somos sufocados pelos excessos e libertados pelas delicadezas. A vida transcorre entre o muito e o pouco. É com a mesma poesia de suas letras, tão simples quanto arrebatadoras, que Paulinho Moska descreve seu mais recente trabalho, o projeto Muito Pouco, que era para ser um disco só, mas acabou virando dois, Muito e Pouco. Muito é cheio, extrovertido, com arranjos para banda, com bateria, baixo, teclados, metais…e o Pouco é mais vazio, tímido, com arranjos simples para poucos instrumentos. Vivemos num mundo cheio de informações, competições e violências. Gosto de jogar com opostos que se combinem em um novo sentido e acredito que entre eles está o que podemos chamar de poesia. Isso já foi muito trabalhado por mim em projetos anteriores, como Cheio de vazio, Tudo e nada, Novo de novo, entre outros, diz o compositor em entrevista à Tribuna.

Aliás, compositor é o termo que, para ele, melhor define seu trabalho. Não me vejo como um especialista, costumo dizer que não sou músico, não sou cantor, não sou fotógrafo, nem apresentador de TV. Sou um compositor, na medida em que ‘compor’ é juntar coisas de acordo com o seu olhar.

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Em Muito Pouco, este olhar se debruçou sobre o mundo com lentes fotográficas, algo que Moska incorporou e reconhece em seu processo criativo desde seu álbum anterior, Tudo novo de novo. Durante a turnê, ele fez uma série com quatro mil autorretratos nos banheiros de hotéis em que se hospedou. Na tentativa de imitar meus ídolos, descobri que eu nunca seria eles, então o jeito foi potencializar aquilo que era meu, que eu não conseguia mudar. Tudo que faço tem um caráter fotográfico. Retratos do agora, das relações com as pessoas e das imagens que a vida traz. Penso sempre em um ‘jogo’ de palavras, de rimas, de ritmo, como um quebra-cabeça.

Entre uma peça e outra, Muito possui faixas que convidam a sair da inércia, algumas com a participação do Bajofondo Tango Club, grupo argentino/uruguaio de tango eletrônico, enquanto Pouco é calcado no violão de Moska e em sua voz ao lado das de Chico César, Maria Gadú e dos hermanos Kevin Johansen e Pedro Aznar.

Em meio a criações lançadas por outros artistas – como a própria Muito pouco, lançada por Maria Rita em Dois (2005), e Saudade, que está em Tua (2009), de Maria Bethânia – e as inauguradas agora, Paulinho aponta o que já compôs de melhor. O Pouco abre com uma canção para o filho novo, Valentim (‘Semicoisas’) e em seguida tem uma canção para o mais velho (‘O Tom do amor’). Filhos são a melhor canção que um homem pode fazer.

Desde o roqueiro Vontade, álbum que marca sua estreia solo em 1993, o então Paulinho Moska tem construído um trabalho, disco a disco, sólido o suficiente para agradar a crítica, sem deixar de cair nas graças do público, com composições que já foram trilhas de novelas e estouraram nas rádios.

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De lá para cá, uma das maiores reviravoltas em sua carreira foi a criação de um selo próprio, o Casulo, que o tornou um artista independente. Desde então, não tenho mais prazos para nada, e isso foi a maior diferença que experimentei. Antes, contratado por companhias discográficas, tinha prazo para mostrar o repertório, para entrar em pré-produção, para gravar, para lançar o disco e para fazer sucesso. Agora meus discos só saem quando eu acho que já estão prontos. E, paralelo à música, pude me dedicar à fotografia, ao cinema e à televisão… enfim, me tornei um artista contemporâneo.

Essa pluralidade deu origem a novos intercâmbios artísticos, como a organização de dois festivais – Mercosul Musical e Soy Loco Por Ti, America -, que reuniram músicos de diversas partes da América Latina, e a criação do projeto Zoombido, série televisiva em que Moska vem debatendo, desde 2006, o processo criativo e os rumos da música brasileira junto a grandes compositores. É uma escola de composição popular, aprendo muito. Acho interessante uma pessoa dedicar toda sua vida a alguma coisa que não sabe explicar. Pergunto a todos: ‘O que é música?’ E escuto as mais variadas respostas, que são sempre muito abstratas. É aí que mora a beleza.

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Em mais de 20 anos de música, Paulinho, contabiliza o muito e o pouco de sua caminhada. Muita alegria e pouco dinheiro! É uma boa média!, diverte-se o artista, que, de volta ao Cultural, vem estreitando os laços com Juiz de Fora. É sempre um público que gosta muito de música e que vibra muito nos shows. Além disso, me casei com uma mineira (Larissa Bracher) de Ouro Preto nascida em Juiz de Fora e que tem família na cidade. Aos poucos vou me sentindo cada vez mais em casa.

Na apresentação de hoje, o músico vem acompanhado pelo power trio Suricato, que abre a noite e é formado por Diogo Gameiro e Mário Vargas e Rodrigo Nogueira, guitarrista da turnê Muito Pouco. O trio é quente, como deve ser o rock’n’roll, anuncia Moska. A tríade abriu todas as apresentações de Bailão do Ruivão, de Nando Reis, e agora lança o álbum autoral Para sempre primavera pelo país. Vamos tocar nosso som e algumas músicas de artistas com quem já trabalhamos, como o próprio Paulinho, Nando Reis, Lulu Santos, que as pessoas gostam e se identificam, adianta Rodrigo, a quem Moska não poupa elogios. Ele colabora de forma tão talentosa na sonoridade do meu show que tudo que eu puder fazer pela divulgação do Suricato será ainda ‘muito pouco’.

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PAULINHO MOSKA

Abertura com Suricato

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Hoje, a partir das 23h

Cultural Bar

(Av. Deusdedit Salgado 3.955)

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