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Verde-moderno

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Nas primeiras décadas do "breve século XX", como chamou o historiador Eric Hobsbawm, agitações tecnológicas, industriais e sociais saíam da Europa e aportavam no continente americano. Era o anúncio de um novo mundo. E com um novo mundo vieram uma nova literatura e uma nova forma de ver as artes plásticas. Esta mais recente visão fez nascer o Modernismo, que no Brasil teve seu pontapé inicial dado na Semana de Arte Moderna de 1922, a Semana de 22, no Teatro Municipal de São Paulo.

A semente dos modernistas se espalhou, e, na pequena Cataguases de setembro 1927, surgia a pioneira revista "Verde". Pensando em manter viva a "Verde" e fazê-la chegar às novas gerações, o poeta, crítico e ensaísta Joaquim Branco e o artista plástico Fernando Abritta lançam hoje, no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), às 20h, o livro "Uma verde história". Aberta no mesmo dia, na galeria Lugar de Honra, a mostra "Verde" irá apresentar as ilustrações do livro e recordar a revista modernista, bem como a arquitetura de Cataguases.

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Partindo de pesquisa documental e fotográfica, Fernando Abritta buscou referências daquela Cataguases para o trabalho realizado no livro. "Construir aquele cenário é refazer um pouco a história. Criei paisagens que vão de 1910 a 1927", destaca Fernando, que é, ainda, sobrinho de Oswaldo Abritta, um dos jovens que levou ao público os seis números da "Verde".

"Sou de Cataguases e tenho quase uma ‘obrigação caseira’ de falar sobre a revista. Convivi com seus autores e me coloco um pouco na sucessão dos ‘verdes’. É um livro que pode ser o grande divulgador do modernismo de Cataguases", pontua Branco. Segundo o professor, o Movimento Verde é a base de todos os movimentos culturais de Cataguases, que viu surgir a revista "Meia-pataca" nos anos 40 e o Grupo Tótem em meados da década de 60.

Doutor em literatura, o professor Joaquim Branco conta que o trabalho para lançar hoje o "Uma verde história" começou há aproximadamente três anos. Em um texto simples e direto, de modo a tornar seu conteúdo disponível e acessível para públicos de todas as idades, ele conta como os fundadores da revista viveram e como ela foi fundada. "Conheço a história da ‘Verde’ e de seus autores de toda uma vida de estudos. Para o livro, liguei os fatos e as situações contadas, criando uma história de ficção em cima da história", explica o autor.

Ao final, os autores deixam uma breve biografia de cada um dos fundadores da "Verde", além da sugestão de dois planos de aula: um para estudantes de Cataguases, que podem passear pela cidade e ver as cenas retratadas nos livros, e outro para estudantes de escolas de outros municípios. Uma versão reduzida do livro também está disponível em preto e branco, para ser colorida.

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Nomes como Carlos Drummond de Andrade, Mário de Andrade, Alcântara Machado, Sergio Milliet, Pedro Nava e Murilo Mendes marcaram presença nas páginas verdes. Drummond, inclusive, está presente logo em sua primeira edição, com o poema "Signal de apito". A revista "Verde", que foi criada por Henrique de Resende e redigida por Martins Mendes e Rosário Fusco, reunia ainda os poetas Ascânio Lopes, Camilo Soares, Christophoro Fonte Boa, Francisco Ignácio Peixoto, Guilhermino César e Oswaldo Abritta. Ela foi uma das quatro publicações modernistas que circularam no estado na década de 1920.

"A ‘Verde’ se tornou ímpar simplesmente por existir. Seus autores fizeram o melhor que podiam, além de realizar intercâmbio com outras produções. Ela ajudou a descentralizar o modernismo e fazê-lo chegar ao interior", argumenta Branco. Já Abritta destaca a revista e seus autores como pontos iniciais de toda a modernização da cidade na primeira metade do século XX. "Francisco Ignácio Peixoto impulsionou mudanças na arquitetura de Cataguases. Transformou sua arquitetura trazendo Oscar Niemeyer para desenvolver projetos por lá." O arquiteto foi responsável pelo Colégio Cataguases e pela residência de Peixoto.

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O escritor e jornalista Luiz Rufatto aponta a "Verde" como única revista realmente modernista no interior, com os pilares propostos na Semana de 22. "Era uma publicação radical. Nomes importantes participaram dela." Embora destaque sua importância, Rufatto define a "Verde" como uma "âncora" na cidade. "Infelizmente os intelectuais e as faculdades ficaram muito centrados nela e isso é uma pena. Deveria ter havido mais avanços."

Para Rufatto, o movimento modernista abriu possibilidades para a escrita e ainda tem reflexos nos dias de hoje. "Depois dele, tivemos liberdade. Antes tudo era muito engessado, e o modernismo quebrou tudo isso. Tanto que na literatura mundial hoje não temos uma escola predominante."

 

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