
Mais uma vez interpretado por Daniel Craig, James Bond terá que enfrentar inimigos de um passado distante no 24º filme da série ‘007’
Bond, James Bond, era um produto cinematográfico da época da Guerra Fria que, aos poucos, estava se tornando irrelevante num mundo em que sujeitos como Jason Bourne enfrentam problemas geopolíticos atuais e, ao mesmo tempo, precisava suar – de verdade – a camisa para enfrentar os seus inimigos, fossem eles bandidos da pesada ou gente dentro de governos mais interessados em esconder os esqueletos em seus armários. A mudança, porém, veio com a escolha improvável de Daniel Craig para viver o icônico 007 em “Cassino royale”, de 2006; a partir daí, atualizado para o século XXI, o agente com licença para matar viu sua posição no imaginário pop subir com os sucessos de “Quantum of Solace” (2008) e, principalmente, “Skyfall” (2012), que levou o personagem a lugares inimagináveis quando tudo que Sean Connery e Roger Moore precisavam fazer era bater em inimigos bizarros, beber martinis e conquistar as garotas. “007 contra Spectre”, que estreia nesta quinta-feira, é considerado pela crítica o fechamento desse círculo virtuoso em que James Bond entrou nos últimos anos.
Mais uma vez dirigido por Sam Mendes – responsável pelo über upgrade de “Skyfall” – e com Daniel Craig pelo quarta vez no papel de 007, “Spectre” (no original) tem James Bond indo até a Cidade do México para eliminar um sujeito chamado Marco Sciarra sem que seu chefe no Mi-6, M (Ralph Fiennes), tenha conhecimento da missão. A tarefa resulta numa série catastrófica de eventos que faz com que 007 seja suspenso de suas atividades e tenha, sem saber, um rastreador instalado na corrente sanguínea por Q (Bem Whishaw), o que permite saber todos os seus passos. Ao mesmo tempo, M tem que tentar lidar a todo custo com as tentativas de cancelar o programa que dá licença para matar a alguns de seus agentes.
Todos os problemas enfrentados pelo agente inglês são apenas pano de fundo para uma ameaça maior. Uma mensagem misteriosa do seu passado o coloca novamente à frente contra a organização Spectre, que deu ao personagem um de seus mais conhecidos vilões, Ernst Blofeld, que serviu de inspiração para o Mister Evil de “Austin Powers”. Conhecida por aparecer em produções como “007 contra a chantagem atômica” e “Moscou contra 007”, Spectre é a sigla em inglês para Executiva Especial de Contra-inteligência, Terrorismo, Vingança e Extorsão, e que tem se aliado a governos corruptos ao redor do mundo para defender seus interesses – entre eles o de dominação mundial.
A organização surge apenas agora na filmografia com Daniel Craig devido a problemas judiciais que se arrastavam há décadas, mas mesmo assim o roteiro aproveita a Spectre para criar uma trama em que o grupo do mal estaria agindo nos bastidores desde “Cassino Royale”, fechando algumas pontas que estavam soltas ou justificando determinadas situações ocorridas. Além de manter no ar diversos temas citados nos três filmes anteriores, o novo “007” ainda aproveita para criticar a vigilância ilegal feita sobre as comunicações da população em todo o mundo.
O herói que bate, mas também apanha
A versão “2.0” de James Bond, aliás, continua muito distante dos seus antecessores não apenas nos temas tratados nos filmes, mas nas próprias ações e reações do personagem. O personagem de Daniel Craig continua brutal, violento, carregando as marcas emocionais do passado e de seus atos; apesar de sair vitorioso no final – ou algo próximo disso -, o triunfo só vem após muito suor, sangue (sim, James Bond apanha feio), explosões e tiros. O resultado desse agente secreto duro na queda são críticas positivas e bons resultados nas bilheterias: em sua Inglaterra natal, “007 contra Spectre” estreou na última semana e arrecadou nada menos que 41 milhões de libras (cerca de R$ 244 milhões), pouco mais que o dobro obtido por “Skyfall”.
007 CONTRA SPECTRE
UCI 3 (dub): 13h. UCI 3: 16h (todos os dias), 19h (exceto segunda-feira) e 22h (todos os dias). UCI 4 (dub): 14h. UCI 4: 17h, 20h (todos os dias) e 23h (sexta-feira e sábado). Cinemais 1: 15h30, 18h30 e 21h30. Cinemais 5 (dub): 15h, 18h e 21h. Palace 2 (dub): 14h30 e 17h30 (exceto segunda-feira). Palace 2: 20h30 (exceto segunda-feira). Santa Cruz 1 (dub): 15h15, 18h e 20h45
Classificação: 14 anos

