
Loló Nevves mostrará situações pelas quais passou ao realizar um check-up médico
Fizeram um desafio para Loló Névves, e ela topou. “Falaram que queriam ver se eu tinha a cara de pau de subir ao palco de cara limpa e que eu sempre me escondo atrás dos meus personagens. Entrar de cara limpa é o que faço desde que era criança”, brinca a atriz, justificando a decisão de realizar, nesta sexta-feira, no Clube Dom Pedro, a partir das 22h, o primeiro stand-up comedy da carreira. A pedido da humorista, após o espetáculo comemorativo das três décadas de humor, o DJ Marquinhos Vovô animará a plateia com um setlist regado a músicas dos anos 1980. “A ideia é que as pessoas passem por lá para ver a atriz que elas encontravam nos teatros-bares de Juiz de Fora. Quero ter tempo para estar com esse público.” Parte da bilheteria será doada para a ABAN – Associação dos Amigos.
Seguindo a receita desse tipo de montagem, com apenas um microfone na mão, a atriz contará fatos do cotidiano e mostrará situações hilárias pelas quais passou ao fazer um check-up médico. “Acho que todo humorista faz de sua desgraça um motivo de rir. Meu humor sempre me salvou, e defendo que a gente tem que achar graça em meio às dificuldades, ensinamento que aprendi com minha avó. Falarei de momentos da minha vida que já contei para amigos, na minha casa, e eles começaram a rir”, adianta ela, ansiosa por fazer a estreia na cidade onde nasceu. “Sinto saudades de Juiz de Fora e do público que sempre me prestigia.”
Pelo trocadilho do título do espetáculo – “Nu dos outros é refresco!” -, é possível vislumbrar que, mais uma vez, Loló não fechará os olhos para a realidade que a cerca. “A pessoa morre de rir, mas depois vê que a situação não está tão para refresco assim. O governo está achando que nu do povo é refresco, e o que se vê é petrolão e corrupção. Na hora de aumentar o salário mínimo, fala que não pode porque vai quebrar os cofres públicos”, desabafa ela, que não se privou de fazer coro com a população que tomou as ruas para reivindicar. “Vou à política sem ficar falando de política porque está todo mundo cansado e sem esperança. Estou desde o início participando de panelaço e não aguento mais ver essa angústia toda”, afirma a humorista. “Seja do partido que for, quero que todos que roubam tomem cana.”
Atriz com visão de mundo
Foi em 1985 que Heloisa Helena Lopes Neves (a idade ela não diz de jeito nenhum) estreou como atriz. O pontapé no teatro foi dado com a peça “Tudo começa assim e termina assado”, de Edgar Ribeiro, sob as bênçãos da madrinha Maria Clara Machado. Três anos depois, em 1988, ela debutava como autora e diretora teatral em “Me engana que eu gosto”. A despeito da distância temporal, Loló demonstra o mesmo vigor para planejar do início de estrada. “Quero ter meu trabalho reconhecido aqui, nos Estados Unidos, na Europa, em todas as comunidades brasileiras. Quero estar na grande mídia, e eu busco isso. Canalizei meu trabalho para o teatro, ele é o meu ganha-pão e é com ele que me sinto realizadíssima, que eu tenho o resultado na cara. Sei se estou agradando ou não.”
Durante esse tempo, Loló abocanhou o a liderança no terceiro Festival Nacional de Novos Humoristas – Palácio das Artes (BH), marcou presença na sétima arte, no filme “Menino Maluquinho 2”, e em comerciais de televisão. Na telinha, também participou de produções, como o quadro “Saco de risada”, do “Domingão do Faustão”, transmitido pela Rede Globo, e em um quadro para novos humoristas do Fantástico, também da emissora carioca.
A Loló que hoje tem fama nacionalmente e que conquista aplausos com espetáculos, como “A vingança de Milonga”, sabe que não é a mesma que deixou Juiz de Fora para se formar no Tablado. “Tenho outra visão de mundo. A vida te obriga a mudar todos os dias”, sentencia a atriz, listando suas conquistas. “Hoje tenho uma agência, tenho empresário, viajo o Brasil inteiro.” Radicada em São Paulo, ela conta os desafios encontrados no grande centro. “Fui com a cara e a coragem. Tive que desbravar aquela cidade, fazer com que a mídia reconhecesse meu trabalho, desse seu aval.” Sua lista de montagens conhecidas aumenta com “Dona Corrupção e Dona Inflação”, “Que papel miserável” e “A culpa é sua”.
“Só tenho motivos para comemorar, estou muito feliz porque cheguei a 30 anos de carreira sólida, vivo muito bem, vou aonde quero e tenho prazer de trabalhar. Sei que é para poucos fazer aquilo de que se gosta num país como o nosso. Consigo tirar do meu trabalho a qualidade de vida que todo mundo tem que ter. A que mais se diverte sou eu. Quero mais 40 anos pela frente.”
NU DOS OUTROS É REFRESCO!
7 de agosto,
às 22h
Clube Dom Pedro
(Rua Ewbanck da Câmara 245 – Mariano Procópio)

