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Entrevista exclusiva: Rogério Flausino fala sobre novo álbum e os 30 anos do Jota Quest

Foto Jota Quest NAHAS
Foto Jota Quest Jpsofranz
Grupo se apresenta neste sábado no Festival de Inverno (Foto: Jpsofranz/Divulgação)
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A banda mineira Jota Quest construiu uma carreira marcada pela mistura de funk, soul, pop e rock, criando um dos catálogos mais reconhecidos da música brasileira. Prestes a completar 30 anos de estrada, o grupo segue se reinventando sem perder a identidade que conquistou uma legião de fãs ao longo de sua trajetória.

A banda chega a Juiz de Fora, neste sábado (5), para se apresentar no Festival de Inverno 2025, trazendo no repertório grandes sucessos e faixas do mais recente álbum, “De volta ao novo”. No palco, a promessa é de uma noite que equilibra nostalgia e novidades, com o carisma e a energia que são marcas registradas do quinteto.

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Em entrevista exclusiva à Tribuna, o vocalista Rogério Flausino fala sobre o novo trabalho, o processo criativo atravessado pela pandemia de Covid-19, as colaborações especiais e as expectativas para o futuro. Ele também relembra a turnê comemorativa de 25 anos e adianta novidades sobre as celebrações que o Jota Quest prepara para marcar três décadas de carreira.

Tribuna:O novo álbum, “De volta ao novo”, resgata a essência do Jota Quest com groove, soul e mensagens positivas. Como foi o processo criativo do álbum?

Rogério: Esse álbum De volta ao novo” é um barato para a gente. Ele foi feito de uma forma diferente de todos os outros, porque teve uma pandemia no meio. Nós começamos a produzir no final de 2019, começo de 2020, e aí veio a pandemia. Ficamos esperando ela passar, e ela não passava nunca. Fomos lançando singles de seis em seis meses, com canções muito interessantes. Assim que a pandemia acabou, fomos para a estrada primeiro e depois retomamos o álbum. Então, o período todo engloba quase quatro anos de produção musical da banda.

Tem de tudo um pouco. Todos os álbuns do Jota sempre têm alguma coisa de soul, de funk, de disco — música que foi a base da banda — e as canções com um lado mais rock do Jota Quest. Esse disco contempla toda essa diversidade. É um álbum do qual a gente tem orgulho. Ao todo, já estamos com sete singles trabalhados, se contarmos as músicas lançadas durante a pandemia. É um disco bem diverso, com participações especiais diferentes e parcerias em composição, como o Sérgio Britto, dos Titãs, que é o compositor da canção que está tocando atualmente, “Queria ser canção para Rita Lee”, uma homenagem à Rita Lee.

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Tivemos também uma dobradinha especial com Herbert Vianna, dos Paralamas do Sucesso, algo que nos encheu de orgulho, porque ele é um grande ídolo nosso, entre outras parcerias novas. Tem o FBC, rapper mineiro que está fazendo muito sucesso. É um disco bem amplo, chamado “De volta ao novo” porque, depois de tanto tempo, voltamos ao estúdio em busca de fazer coisas novas. Esse é o conceito do álbum: ele tem de tudo um pouco e traz mensagens positivas, como você falou.

Acho que a canção que dá nome ao álbum fala exatamente disso: de a gente se reconectar com o nosso início, com os amigos que estiveram com a gente lá atrás, com os nossos familiares, que nos deram as instruções para chegarmos até aqui, com os nossos ídolos também, e com os nossos amores. Escolhemos essa música para dar nome ao disco porque ela é muito legal, energética e está, inclusive, no repertório do show.

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Ao longo da carreira, o Jota Quest sempre transitou entre o funk, soul, pop, rock e eletrônico. Como vocês equilibram essas influências sem perder a identidade da banda — especialmente agora, com a chegada de um novo disco?

O Jota é uma banda diversa. O início foi muito dedicado à black music, ao soul, funk, disco. E, com o passar dos anos, fomos deixando outras influências entrarem, porque somos naturalmente da família do rock. Eu, pessoalmente, tenho a MPB como uma grande referência, e isso também permeia o nosso som.

Depois, vimos a chegada do hip hop e da música eletrônica, o que também nos influenciou demais. A música pop hoje é outra, muito diferente de quando começamos, e é preciso estarmos abertos a essas novas referências para dar vazão à criatividade. Isso inclui usar as novas ferramentas e até as redes sociais, que influenciam na forma como nos comunicamos com os fãs, aproximam e tudo mais…

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Acho que isso foi um processo natural do Jota: poder se abrir e continuar se abrindo. Se estivermos curtindo o que estamos fazendo, estamos dentro da parada. E acho que estamos. Tudo isso está muito presente em “De volta ao novo”. Ele é um álbum grande, com 22 faixas, que passeia por todas essas influências que a gente gosta. É um disco que representa a banda, e estamos muito felizes com ele.

A turnê de 25 anos marcou uma celebração da trajetória da banda e passou por grandes palcos, como o Beira-Rio. O que esse momento representou internamente para o grupo? E o que vocês aprenderam revisitando a própria história em cima do palco?

A turnê de 25 anos foi a mais legal e bacana que já fizemos até hoje, tanto em termos técnicos, quanto artísticos. Aprendemos demais. Nunca tínhamos feito shows sozinhos em estádios. Foi uma construção muito interessante.

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Saímos da pandemia com muita saudade dos palcos, depois de dois anos parados. Esse reencontro com a plateia potencializou a nossa vontade de celebrar o aniversário da banda — com certo atraso, porque foram dois anos de pandemia. Caímos na estrada, no primeiro ano, de forma independente, com uma equipe legal, e depois conseguimos apoios e patrocínios para crescer e chegar aos estádios.

Esses shows foram históricos. O primeiro, no Beira-Rio, foi transmitido ao vivo pelo Multishow, com 30 mil pessoas. Um ano depois, fizemos São Paulo, com 35 mil pessoas. Foram shows tecnológicos, com estrutura incrível, que marcam uma evolução na trajetória da banda. Ainda estamos sob o efeito dessas emoções todas e nos preparando para o que vem por aí.

Quais projetos estão sendo preparados para celebrar os 30 anos do grupo?

Muito em breve, vamos apresentar novidades sobre o que vem por aí. Certamente, teremos uma celebração dos 30 anos da banda. Em 2026, o nosso primeiro disco, aquele das perucas, celebra 30 anos do lançamento. Já estamos preparando vários acontecimentos para celebrar esses 30 anos, incluindo algo especial sobre esse álbum especificamente. Se Deus quiser, vem muita coisa boa por aí.

O repertório dos shows costuma equilibrar nostalgia e novidades. Em Juiz de Fora, o que foi essencial manter no setlist e o que entrou da nova fase?

Grandes clássicos, com certeza, para dar aquela base e matar as saudades da galera lindamente. E algumas músicas do “De volta ao novo”. A própria canção “De volta ao novo” faz parte, além da música atual, “Queria ser canção para Rita Lee”. Devemos cantar também outras faixas novas.

Como é um festival, não temos tanto tempo assim — são três artistas na mesma noite — então, vamos tentar fazer um apanhado para aquecer essas noites frias de inverno na nossa querida Juiz de Fora.

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