
Música mineira é o norte musical do novo trabalho da banda Los Kactus (Divulgação)
Dezesseis anos podem ser uma piscadela de olhos numa escala universal, mas é muita coisa se olharmos exclusivamente para nosso mundinho. Este é o caso do grupo Los Kactus, que durante este tempo teve diversos integrantes, fez shows em todos os lugares possíveis e imagináveis e ainda encontrou brecha na agenda para burilar e amadurecer o seu som. E é o resultado dessa passagem de calendário que pode ser conferido em “Maria Fumaça”, segundo trabalho do sexteto e que é lançado 16 anos após o primeiro registro sonoro da banda.
Num processo de criação que durou cerca de três anos, o álbum foi concretizado por meio da Lei Murilo Mendes e teve produção de César Santos, guitarrista da banda de Flávio Venturini, com sessões em Juiz de Fora e Belo Horizonte. Segundo o baixista Hudson Martins, a demora entre um trabalho e outro deveu-se ao mergulho da banda em fazer shows noite afora, com uma média de três a quatro shows por semana, sem parar para se dedicar à composição de um trabalho próprio. “Voltamos a compor quando sentimos que estávamos desenvolvendo uma identidade musical, fomos trabalhando aos poucos”, explica. “O primeiro lançamento foi muito rápido, a banda havia se formado em 1988, e tinha um estilo que tinha a ver com aquele consolidado por alguns artistas nos anos 90, como Skank, Cidade Negra, Gabriel o Pensador, Seu Jorge ainda com o Farofa Carioca.”
Ainda de acordo com Hudson, muito dessa consolidação de estilos se deve à formação atual da banda, que conta com Anderson Guimarães (voz, percussão e flautas), Pérsio Granato (guitarra) e Edmar Lima (voz e violão) da formação original, além do próprio Hudson, Júlio “Slayer” Oliveira (bateria) e Leandro Trombini (guitarra) entrando no grupo com o passar dos anos. E foi dessa mistura de pessoas com influências tão diversas (rock brasileiro dos anos 80, metal, MPB, música regional, Mutantes) que saiu a sonoridade de Los Kactus, ainda que a música mineira em geral – e o Clube da Esquina em particular – seja a base musical.
‘Passe de mágica’
“Somos uma banda de rock urbano mas com características rurais, da nossa música mineira, em que o Clube da Esquina fala mais forte”, define Hudson. Para chegar ao som imaginado pelo sexteto, o baixista considera fundamental a produção de César Santos, que foi professor de Leandro na Bituca e aceitou no ato o convite para comandar as gravações. “A leitura que ele fez da banda foi primordial para que chegássemos ao produto final”, elogia. “Ele acrescentou, principalmente, na parte da harmonia, porque somos uma banda de rock com dois guitarristas que tocam pesado e um baterista de metal (risos). Não mexeu quase nada nas melodias. Ele acrescentou um violão de nylon, um piano, e tudo foi mudando como num passe de mágica. Ele apontou uma direção que todo mundo na banda apoiou, fomos caminhando até chegar a uma música mais brasileira.”
O show de lançamento, assim como a produção do disco, está sendo planejado com calma. Ele vai acontecer no dia 13 de setembro, no Mamm, e deve contar com a cenografia elaborada pelo grupo e participações especiais. O Los Kactus espera, ainda, utilizar elementos de poesia e outras bossas que foram utilizadas em um show de 2009, no Teatro Pró-Música, que chegou a ser gravado para um DVD que não foi lançado, segundo Hudson, por problemas técnicos. Até lá, o álbum está por meio das páginas da banda no Facebook e Instagram. “Mas estamos vendo a possibilidade de colocar o disco à venda em algumas lojas da cidade”, adianta Hudson.

