
Em 2011, Fernanda foi rainha da Parada Gay de Juiz de Fora
Juiz de Fora amanheceu menos divertida, glamourosa e engajada nesta sexta-feira. Aos 41 anos, a travesti Fernanda Müller, que estava internada desde 28 de maio, morreu às 6h56, devido a complicações em decorrência de uma acidente vascular cerebral (AVC). Atuante no Movimento Gay de Minas (MGM), Fernanda já foi rainha da Parada Gay de Juiz de Fora e apresentadora do tradicional concurso Miss Brasil Gay, além de fazer performances em diversas casas noturnas da cidade. A artista também se destacou pela participação no carnaval juiz-forano, sendo rainha de bateria da Turunas do Riachuelo e da Unidos do Ladeira.
O fundador do MGM, Oswaldo Braga, destaca a militância de Fernanda em prol da causa gay. "Para se ter uma ideia, sua carteirinha era a número 001 do MGM. A Fernanda tinha um discurso muito positivo em prol dos direitos humanos e era completamente bem resolvida quanto a sua identidade de gênero, lutando muito contra o preconceito sofrido por travestis. Além disso, soube levar o nome da nossa cidade para o país com muita elegância, tinha muito orgulho de ser juiz-forana. É uma tristeza que vai demorar a passar."
Para o diretor de comunicação da Liga das Escolas de Samba de Juiz de Fora (Liesjuf), Fernando Baldioti, Fernanda deixa uma grande lacuna no carnaval local, do qual era uma das maiores entusiastas. Foi destaque em diversas escolas e uma das organizadoras do concurso de rei e rainha do carnaval e emprestou seu nome a um troféu que premiava, anualmente, os melhores da folia. "Ela queria ver o carnaval acontecer e apoiava tudo, frequentando almoços, jantares e eventos de todas as agremiações, fossem dos grupos A, B ou C. Ela gostava muito de viver e transmitia alegria, bom humor e respeito por onde passava."
Diva gay
Diretor de teatro, Edgar Ribeiro ressalta o talento artístico de Fernanda. Em 2005, ele idealizou e dirigiu o espetáculo "Uai, nós temos bananas", em que a travesti encarnava várias divas da cultura pop nacional e internacional, como Madonna, Lisa Minelli, Clara Nunes, Carmen Miranda e muitas outras. "É muito difícil encontrar artistas que saibam cantar, dançar e representar bem, e ela, que até então nunca tinha feito teatro, fez isso com maestria e com sua beleza incomum. Fico feliz de ter podido mostrar este lado dela, e tenho certeza que os frutos de seu trabalho brilharão para sempre."
Já o coordenador e diretor criativo do Miss Brasil Gay, André Pavam, destaca que o concurso, apresentado por Fernanda durante quatro anos, perde parte de sua identidade. "É um espaço muito difícil de se preencher, quando retomamos o Miss Gay não pensei em outro nome que não fosse o dela. E a combinação foi perfeita. Muito mais que uma artista, ela era uma ‘showwoman’ nata, carismática nos palcos e na vida, além de um ser humano incrível."

