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Outras ideias: com Sebastião Carlos Alberto Vianna

bem humorado vianna se veste de rosa e posa em seu carro da mesma cor

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Bem-humorado, Vianna se veste de rosa e posa em seu carro da mesma cor
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Bem-humorado, Vianna se veste de rosa e posa em seu carro da mesma cor

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Para alguns, a sociedade se divide em dois grupos de pessoas: os de azul e as de rosa. Estanque, a classificação tenta dar conta de um humano de cores inimagináveis. Redutora e excludente, inunda as margens e conforma tudo em via central. “Azul é de quem gosta de azul”, disse, certa vez, um pai a sua filha, que se recusava a usar a cor, por considerá-la exclusividade masculina. Não era Sebastião Carlos Alberto Vianna a dizer. Mas poderia ter sido. “Não provoque! É cor-de-rosa choque.”

“O rosa foi só para acabar com o preconceito, para acabar com o machismo. Começou como brincadeira e foi crescendo. No início pendurava um banner no corpo dizendo: procuro corredor machão que queira fazer parte da Equipe Pantera Cor-de-Rosa. Hoje tem 120 pessoas no grupo. A fantasia só uso quando é corrida noturna no frio, por conta do calor”, conta Vianna, o Pantera. “Senhor, não!”, exclama ele, aos 78 anos, mais de 10km corridos por dia, 300km no último trimestre e 11.800km desde 2007, quando começou a anotar. O dono das centenas de medalhas, guardadas num pequeno quarto da casa no Bairro Alto dos Passos, já percorreu o equivalente a ida e volta do Oiapoque, no Amapá, ao Chuí, no Rio Grande do Sul.

Vestido dos pés à cabeça no tom da Pantera Cor-de-Rosa – “O tênis eu pinto, porque ele é preto. Passo spray e esmalte” -, Vianna apresenta o carro, um Gol da década de 1990 que pintou no tom de seu confronto. “O estofado é normal, porque aí eu ia gastar muito dinheiro”, ri. Ao posar para as fotos, sugere: “Se quiser posso subir em cima do capô”. Entusiasmo juvenil a comprovar que branco também pode ser cor de cabelo para os que não se cansam do risco. “É a vida: eles gozam da gente, e a gente goza deles”, diz, ao término da entrevista, aos risos, confirmando que sem leveza a vida corre sem ter ponto de chegada.

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Um estatuto

Numa parede do quarto de medalhas, Vianna aponta para uma foto. No céu, enquanto ele voava de asa-delta, nuvens formaram o que ele interpreta como o rosto do Deus Éolo, dos ventos. “Já fiz paraquedismo, mergulho, asa-delta, pesca, ciclismo, canoagem. Hoje só mexo com corrida e natação. Ia até ganhar umas três medalhas esse mês, mas machuquei o ombro na Páscoa”, enumera, cheio de fôlego, o autor de um recorde de asa-delta, modalidade na qual fez mais de 50 voos, em Governador Valadares, com cinco horas e dez minutos no ar. Ufa! E não para. Já correu quatro edições da Volta Internacional da Pampulha e participou de uma Meia Maratona do Rio. “Em Belo Horizonte, quando garoto, tinha futebol, que eu nunca fui bom, e natação, que foi o que optei. Entrei para o Atlético, depois Cruzeiro, Aeronáutica, e daí por diante. Nunca gostei de fumar e beber e nunca tive dinheiro para o vício. Na minha faixa pego muito o primeiro lugar, mas o importante é cuidar de mim, da minha saúde.”

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Nos States

Filho da capital mineira e quinto de um “chofer de praça” e ex-mineiro de Nova Lima com uma descendente de italianos, Vianna é ousado por profissão. Sua trajetória passa por lugares tão distintos quanto as funções que exerceu. “Comecei a trabalhar com 14 anos. Meu primeiro emprego foi na Mesbla, depois na Phillips, daí fui para a Aeronáutica, de lá para o Rio, fui representante de livro, empresário”, recorda-se ele, hoje representante de relógios para complementar a renda e ex-dono de dois táxis em solo carioca. Com mais de 30 chegou a Juiz de Fora, associou-se a um irmão numa fábrica de sapatos e abriu uma loja de calçados na São João. Prosperou até comprar uma loja, que mais tarde vendeu para ir morar, em 1994, nos Estados Unidos. Ficou um ano e preferiu o calor brasileiro.

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Seu status

O rosa é segurança, ele concorda. E não haveria de discordar o homem que enumera trabalhos, esportes e muitos namoros. Foram quatro casamentos, uma união estável e incontáveis namoros. No próximo dia 9 embarca para os Estados Unidos ao lado da nova companheira, a quarta que também é a primeira, com quem se casou há algumas décadas e teve o primeiro de três filhos, Carlos Alberto, o Chu, que faleceu num acidente no norte de Goiás, aos 12 anos. Carrega o nome e apelido dele numa corrente no braço. A única filha, Vivianne, de 41, mora há 16 anos nos “States” e lhe deu duas netas. Já Yan, o mais novo, de 26, mora numa rua perto de casa. “Que eu saiba são só esses… Viajante, né?!”, brinca Vianna, que fez vasectomia em 1989, para prevenir as surpresas de uma vida entusiasmada. “O fato de viver muito tem o reverso da medalha: já enterrei três irmãos, uma irmã, três sogras, três sogros, a mãe de um filho, as peguetes, as inimigas, as amigas, as amantes…”

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