Um acordo entre a Universidade Federal de Juiz de Fora e o Diretório Central dos Estudantes pôs fim ao impasse envolvendo o prédio localizado nas esquinas da Rua Marechal Floriano Peixoto e Avenida Getúlio Vargas. De acordo com a assessoria de comunicação da UFJF, no dia 21 de maio, o juiz da 2ª Vara Federal, Renato Grizotti, deu decisão favorável para a universidade com relação ao processo de reintegração de posse, movido contra dois professores, sendo um de capoeira e o outro de taekwondo, que dão aula no local e que teriam alugado o espaço indevidamente. Com a sentença, a reforma do conjunto arquitetônico deve começar na próxima semana. A expectativa é a de que os trabalhos, orçados em R$ 1,9 milhão, estejam prontos em um ano e sete meses (janeiro de 2015).
Segundo o professor Paschoal Tonelli, pró-reitor de Infraestrutura da UFJF, a ordem de serviço está assinada desde o mês de dezembro de 2012. Contudo, a ocupação irregular impediu que o documento fosse expedido. Ele garante que, com a liberação do imóvel até esta sexta, data estipulada para que a edificação seja entregue à universidade, a empresa Ribeiro Alvim, vencedora da licitação, iniciará os trabalhos imediatamente. Em entrevista à Tribuna em dezembro de 2012, o reitor Henrique Duque havia informado que foi preciso lançar mão de uma liminar na Justiça para que funcionários da UFJF pudessem entrar no local e avaliar seu estado. O mestre de taekwondo, Heitor José Pinto disse que vai recorrer da sentença. "Claro que se tiver que cumprir a ordem vou cumprir, já que não quero infringir a lei, mas vou pedir a meu advogado que entre com recurso, pois tenho meus direitos de inquilino", alega o docente, apesar de a atual coordenação do DCE afirmar desconhecer a existência de qualquer contrato de locação vigente.
O projeto de reforma já está pronto e aprovado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac). Além de uma construção prevista para os fundos, composta por área administrativa, banheiro, depósito de material de limpeza e mezanino, já assegurada ao DCE pelo pró-reitor Paschoal Tonelli em janeiro deste ano, o movimento estudantil garantiu, em juízo, espaço na edificação principal para abrigar um arquivo histórico; criação de uma comissão, formada por membros do DCE e da UFJF, que deverá gerir o local e fazer um regimento; e certeza de que o prédio será chamado Centro Universitário de Cultura e Arte do DCE (Cuca). "Aquele imóvel tem uma função que vai além do operacional e administrativo e, por isso, tem que estar ligado à cultura. Ele não pode ficar restrito ao público acadêmico", afirma Laís Pierrut, atual coordenadora do DCE. A estudante também comenta que a UFJF ofereceu transporte e local de armazenamento do maquinário da gráfica do DCE, que hoje funciona na área dos fundos – com entrada pela Floriano Peixoto – e que será demolida com a reforma. No local, está previsto, em projeto, um espaço de convivência.
Erguido em 1894 para abrigar a Inspetoria Municipal de Higiene, o prédio foi comprado pela Universidade em 1914, servindo de sede para a Faculdade de Engenharia até a década de 1960. O Diretório Central dos Estudantes passou a ocupar o local, com a transferência da unidade para o Campus. De lá para cá, o imóvel sofreu três intervenções, conforme consta em dossiê arquivado na Divisão de Patrimônio Cultural, da Prefeitura de Juiz de Fora. O projeto de reforma, de autoria do professor Júlio Sampaio, se arrasta desde fevereiro de 2012. A intenção era de que os trabalhos começassem em abril de 2013.
Em conversa com a Tribuna em janeiro, o ex-coordenador do DCE, Felipe Fonseca, afirmou que os estudantes sempre foram a favor da obra de restauro, já que o estado de degradação do espaço coloca em risco a integridade física de seus membros, que, por segurança, preferiam não se reunir no conjunto. Porém, eles queriam a certeza de que teriam um espaço depois que os trabalhos fossem concluídos. "O DCE não conta com qualquer repasse de verba. Então, a UFJF vai ser a responsável pela manutenção. Não é justo onerar os alunos. Há um entendimento de que a guarda do espaço deve ser compartilhada entre a UFJF e o movimento", defende Laís.
O objetivo da UFJF com a obra é resgatar a edificação de forma que ela volte a mostrar a arquitetura da época em que foi construída. A ideia inicial é que cada sala do prédio principal funcione como uma espécie de "amostra" do que a instituição possui, estimulando a sociedade a ir ao campus conhecer todo o acervo depois de passar por lá. O projeto ainda prevê a demolição do espaço onde hoje funciona o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino do Município de Juiz de Fora-MG (Sintufejuf), com acesso pela Getúlio Vargas. No lugar, será erguida uma edificação nova, que esteja em harmonia com o restante do conjunto.
