Ícone do site Tribuna de Minas

Cimento e cinzel da poesia

PUBLICIDADE

Recolhidos ao acaso, elementos do cotidiano são o ponto de partida para a poesia de José Augusto Ribeiro da Fonseca. Peculiaridades de Juiz de Fora, objetos do dia a dia ou mesmo cores se transformam em metáforas para traduzir sentimentos e questões existenciais. A produção reunida em mais de uma década de lida poética chega às mãos dos leitores no livro Estilhaços, lançado hoje, às 19h, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM). A noite ainda contará com declamação de poesias do ator Marcos Marinho e show com Big Charles Trio.

PUBLICIDADE

Publicado pela editora Ibis Libris em parceria com a Funalfa, por meio da Lei Murilo Mendes, o volume reúne 79 poemas e 50 aforismos, distribuídos em quatro seções. Batizada como Estilhaços – mesmo nome do livro -, a primeira parte traz versos com inspirações diversas, tratando de temas como a existência, o tempo e o cotidiano. O título escolhido ressalta o sentido de fragmentação presente nas múltiplas fontes que podem servir de fagulha para a literatura. Ideias podem vir de qualquer lugar, de um livro, de um filme ou da rua, diz. Por outro lado, o termo também revela as buscas de um jovem poeta por uma linguagem própria. Este é meu primeiro livro, e percebo que ainda não tenho um estilo definido, avalia.

A cidade e seus autores também estão presentes em poemas como Retratos de Juiz de Fora e Trem da madrugada. Graduado em filosofia, José Augusto mantém uma convivência de 14 anos com a literatura. Além de produzir seus versos, estudou a obra de escritores da cidade, integrando o núcleo de pesquisas do antigo Centro de Estudos Murilo Mendes da UFJF. Os livros também se fizeram presentes na vida do jovem autor por meio de sua tia, a professora Leila Barbosa, estudiosa da obra de Murilo Mendes e outros escritores juiz-foranos e autora de uma dissertação de mestrado sobre Belmiro Braga. A pesquisadora, aliás, assina a orelha de Estilhaços ao lado da professora Marisa Timponi.

Cor e memória

Com o título Objetos, a segunda parte de Estilhaços eleva elementos cotidianos à condição de metáforas para explorar questões que angustiam o ser humano. A areia que escorre pela ampulheta simboliza o próprio tempo, e a frieza de um par de muleta serve de pretexto para falar da morte. Já em Miséria, José Augusto revela suas reflexões sobre problemas sociais que se fazem presentes através dos noticiários ou na própria paisagem urbana. Nesse âmbito, surge oportunidade para versos inspirados na tela Os retirantes, de Cândido Portinari, ou na imagem de trabalhadores que circulam pelo Calçadão da Rua Halfeld, no poema Vendo e compro ouro.

PUBLICIDADE

Sentimentos e memórias relacionadas às cores são o ponto de partida para as poesias de Policromia, seção que encerra o livro. O autor parte de associações consagradas, como o bucolismo remetido pelo verde, e chega a relações pessoais. O prata, por exemplo, faz referência a talheres, travessas e baixelas da família. Objetos de estima também se vinculam ao branco, associado à toalha de renda da avó. A inspiração pode ser qualquer coisa, pois tudo é vida, resume.

PUBLICIDADE

ESTILHAÇOS

Lançamento hoje, às 19h

CCBM

PUBLICIDADE

(Avenida Getúlio Vargas 200)

Sair da versão mobile