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Por corações revolucionários

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Qual é a sua revolução hoje? Para os atores Pablo Sanábio, Fabrício Belsoff e Natália Lage, a resposta mais imediata refere-se à arte que produzem, quase como uma militância. Mas bastam alguns segundos a mais para já ouvir inquietações relativas à polêmica "Aldeia Maracanã", ou ao "Caso Feliciano", ou ainda às distantes, mas não menos inquietantes mobilizações que criaram a Primavera Árabe e o Wall Street Occupation. Não é preciso procurar, as revoltas estão por aí. Afinal, "todo coração é uma célula revolucionária", já diriam Peter, Jan e Jule, respectivamente interpretados por Pablo, Fabrício e Natália no espetáculo "Edukators", que abre nesta sexta (05), às 21h30, curta temporada no CCBM.

Dirigida por João Fonseca ("Tim Maia – Vale tudo, o musical" e "R & J Shakespeare – Juventude interrompida"), a peça é a primeira adaptação teatral do filme homônimo dirigido pelo austríaco Hans Weingartner. Lançado no Brasil em 2005, o clássico cult se passa numa Berlim ainda sombreada pela rivalidade capitalismo versus socialismo. Peter e Jan são amigos e, de forma silenciosa, invadem mansões e reviram todos os móveis, em ações que levam a assinatura do que chamam de "Edukators". Numa viagem de seu namorado Peter, Jule se aproxima de Jan, e juntos praticam as mesmas rebeldias pacíficas. Porém, a garota comete um deslize, e o magnata Hardenberg (personagem de Edmilson Barros, que completa o elenco) descobre a autoria da desordem em sua casa, o que obriga os três a sequestrá-lo, levando-o para um abrigo no campo onde se desenrolam discussões acaloradas sobre a desigualdade e os desejos revolucionários.

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Contrariando os embates e a postura política rígida, os três jovens também se envolvem num triângulo amoroso, aí vivido com muito mais conservadorismo do que o esperado, haja vista a libertação com que tratam seus movimentos pacifistas. Porém, as doses românticas integram as sublinhas pelas quais o discurso é adjetivado no enredo. "Os ‘Edukators’ são muito românticos. A história é quase ingênua em alguns momentos", pontua Sanábio.

 

À mesa com o capitalismo

Para não localizar a história, Rafael Gomes, responsável pela dramaturgia, atentou-se para a força universal da trama. "Essa história poderia se localizar em qualquer espaço. Hoje em dia, através da rede, você vê muita gente se mobilizando. As pessoas estão conscientes", confirma Natália Lage. "Atualmente, a internet é um grande aliado nas revoluções que fazemos", pontua Pablo Sanábio, idealizador do projeto. "Olho para os ‘Edukators’ como pessoas que têm a coragem de agir. Sou a favor da internet, do Facebook, do YouTube, mas a gente também tem que ir para a rua", completa Fabrício Belsoff.

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E é fora do teatro, quase na rua, que o espetáculo começa. O público é convidado a invadir, junto aos personagens, o espaço de encenação. Apesar de se manterem em seu lugar na plateia, os espectadores são convidados a acessar uma trama que não se passa em apenas uma locação. Num mesmo palco, com cenografia do prestigiado Nello Marrese, estão espaços internos da casa do magnata e do cativeiro. Mas ainda que todo o visual, afinado com as montagens contemporâneas, chame atenção, é a palavra que potencializa o drama.

Se no filme frases como "seus dias de fartura estão contados" pontuavam o clímax das ações rebeldes, segundo Sanábio, no teatro a força do texto é ainda mais presente. "Quando algo acontece, também acontece tudo que vem depois", brada o personagem Peter, precedendo a fala de Jule: "Tudo fora do lugar". Retirada de "Hamlet", de William Shakespeare, a passagem também ilustra a ponderação que "Edukators" lança sobre os discursos feitos "à mesa com o capitalismo" (rubrica utilizada por Gomes).

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"Hoje, prestes a completar 30 anos, acredito tanto nos ‘Edukators’ quanto no magnata", comenta Sanábio. "Dentro de cada um, existe um senso de justiça. Todo mundo tem os dois lados", destaca Belsoff. Para Natália, ser mais individualista é uma tendência contemporânea, e a arte é uma das vias que propõem o encontro. "Meu trabalho é minha forma mais plena de revolucionar. Preciso acreditar que, de alguma maneira, a arte toca e transforma as pessoas", expõe.

 

EDUKATORS

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Sexta (05) e sábado (06), às 21h30. Domingo (07), às 20h

Centro Cultural Bernardo Mascarenhas

(Av. Getúlio Vargas 200)

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