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Perigosa e incomparável

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Por causa de um acidente no tornozelo em 2010, Elza Soares, que ainda se locomove com dificuldades, não deixou a animação de lado, ao se apresentar sentada numa cadeira no Cultural no último sábado. Acompanhada pelos novos comparsas da banda Farofa Carioca, a cantora desfilou hits da longa carreira, como A carne, Brasil e Mas que nada, além de um medley com Taj Mahal, Salve a Mocidade e muito mais, durante cerca de uma hora e meia de show. Dona de um vocal ímpar na música brasileira, Elza Soares, que chegou a ser comparada a Louis Armstrong – pela rouquidão jazzística -, subiu ao palco por volta das 2h, recebida por aproximadamente 1.200 fãs. Na véspera da performance, ela conversou com a Tribuna sobre a parceria com o Farofa, encontro carinhosamente apelidado de Os Compulsivos e a Perigosa.

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Tribuna – Antes, era Farofa com participação de Elza, agora, você está mais dentro do grupo que nunca…

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– Foi um namoro no início. Na Europa (onde tudo começou em 2009), o show foi crescendo muito e vem crescendo a cada apresentação. A gente batizou (Os Compulsivos e a Perigosa) ao perceber que se tratava de um espetáculo muito bonito, forte, energético e dançante. Adoro fazer isto, independentemente do meu trabalho solo.

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– Além do documentário autobiográfico, o que vem por aí?

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– Além do documentário (Elza), dirigido pelo meu marido Bruno (Lucide), tem um longa previsto para este ano, mas ainda depende de patrocinador. Você sabe como é cultura. No Brasil, é tudo muito difícil. Tem um livro biográfico também assinado por Bruno e pela cineasta Elizabeth Martins.

– Você tem raízes em Minas?

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– Nasci no Rio, em Padre Miguel, mas meu pai e um dos meus avós são mineiros. Sempre vim muito a Juiz de Fora, onde mantenho grandes amigos. Tinha um cara que trabalhava com madeira e me levava à rádio, mas não me lembro seu nome. Me recordo de um show que fiz por aqui num clube muito chique, mas não faço ideia de quando.

– Dois anos na Europa, o que mais gostou?

– Viajo muito para o exterior. Fui premiada a cantora do milênio pela BBC de Londres durante uma turnê por lá em 2000, e eles adoram esta coisa quente nossa.

– Você corre riscos? É abusada, arisca e intensa?

– Eu sou é fogo cara. Muito fogo, entro de cabeça numa parada. Agora estou fazendo fisioterapia por causa de uma queda (em 2010), mas a saúde está em cima. Isto porque não bebo e não fumo.

– Duas linhas de artistas do subúrbio no palco. Qual é a explosão?

– A gente não vê diferença alguma, fica tudo igualzinho no palco, a mesma identidade musical. A coisa fica normal quando cantamos juntos, como se sempre tivesse sido assim.

– Você vai de Bezerra da Silva a Jorge Ben…

– Tudo é muito show, muito funk, samba, rap. É Brasil puro.

– O que mais gosta no Rio?

– Das pessoas, do molejo. Tenho o título de a mais carioca do Rio (prêmio concedido em 2010 durante o aniversário da cidade). É muita beleza, a liberdade da mulher, a malícia, além das belezas das praias. Vocês são cariocas também. Não tem uai por aqui, e gosto muito disto.

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