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Como bailam os afetos

tiago rama e sofia lans convidam espectador a repensar expressoes intimas

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Tiago Rama e Sofía Lans convidam espectador a repensar expressões íntimas
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Tiago Rama e Sofía Lans convidam espectador a repensar expressões íntimas

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Perceba: quando corpos se encontram, alteram-se as pulsações, os olhares, as vozes, as formas e muito mais. Do visto ao invisível. Das sensações e gestos mais primitivos ao mais sensível romantismo. Do simples contato ao entrelaçar. Nessas fronteiras, os uruguaios Tiago Rama e Sofía Lans (Grupo iNTIMO) aportaram o espetáculo “Oscilaciones”, que apresentam desta sexta a domingo, no espaço Diversão & Arte, junto da oficina “Corpo a corpo”, na qual investigam esses toques que se fazem contágios. “Partimos de nossa relação na hora de desenvolver a pesquisa. Comovidos com a potência que tem um encontro, nos vimos no desejo de ressignificar e expandir o assunto em cena”, explica o duo. “O corpo é tudo o que temos e somos. É através do corpo que a reunião ocorre”, completam.

“Onde podemos nos encontrar? Quantas chances têm nosso encontro? Como podemos transmitir o encontro?”, indagam Tiago e Sofía, apresentando as questões centrais de uma pesquisa “na qual o corpo é a ferramenta, entendendo-o em sua totalidade: pele, voz, desejos, pensamentos, massa, peso, saliva, olhar, intenções e muitos outros aspectos”. Sob uma iluminação sem pirotecnias, os dois dançarinos se mostram com roupas usuais, na ausência de sons que desviem a atenção do barulho de pés se mexendo, corpos se debatendo e sussurros e vocalizações sendo proferidos instintivamente. Ainda que o cotidiano pareça pulsar em cena, o que está em destaque é o intimismo do embate.

“A peça tem uma estrutura definida, sabemos para onde vamos e o que queremos. Por sua vez, dentro dessa estrutura, há um espaço que é preenchido. A estrutura define um percurso que vai sendo feito e criado no momento”, pontuam, destacando o que há de intencional quando o tema central perpassa o impulso. “Os sentimentos são subjetivos, sem dúvida, mas as experiências dos sentimentos são compartilhadas culturalmente. Todos podem reconhecer uns nos outros. Por outro lado, o trabalho aposta numa proximidade com o público que seja capaz de transmitir o nosso encontro não só pelo significado ou pela imagem, mas através da pulsação, do que é transmitido corpo a corpo.”

De acordo com uma das boas críticas recebidas pelo espetáculo no Festival Internacional de Danza Contemporánea de Uruguay, “alguns olhos lacrimejantes contêm a excitação, enquanto outros são tomados pela boca até as entranhas”. “O amor anda por aí”, destaca o coletivo Somosvínculo, demonstrando que a construção passional da cena resulta em estratégia emocionante ao levantar questões sobre o duo, o par, o casal, e, consequentemente, o encontro.

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Perceba!

Entre abraços, empurrões, puxões, lambidas e beijos, “Oscilaciones” joga luzes sobre os movimentos que extrapolam a visualidade. “Entender o limite entre corporalidades e visualidades é extremamente complexo. Acreditamos e apostamos que quando o corpo atinge certos estados, a forma de nossos corpos passa a um segundo plano, em que o que você vê está relacionado à sua percepção, estimulada por nosso trabalho”, apontam Tiago Rama e Sofía Lans, que durante a oficina apresentam o processo de criação da cena e discutem as expressões visíveis ou não dos contatos. “A oficina é uma sistematização da pesquisa para criar o trabalho. Todo componente filosófico que pode estar presente foi adquirido através de nossa investigação, desenvolvida em torno do corpo e da dança. Propomos um lugar onde se geram duos. Nossa tarefa é fornecer ferramentas para criar esses encontros singulares de maneiras diferentes, entendendo esse viver na potência do encontro afetivo com outra pessoa”, explicam.

Criada numa residência no Taller Casarrodante – Club de Danza, em Montevidéu, o espetáculo, que estreou em maio deste ano, já passou por São Paulo e Barra Mansa, no Rio de Janeiro, e integra o projeto de intercâmbio do jovem grupo, que entre suas realizações conta com performances públicas, em praças, subvertendo as normas de conduta ao propor atitudes de intimidade diante de muitos olhos. Para Tiago e Sofía, a arte contemporânea navega, exatamente, por esses rompimentos, que, de alguma maneira, propiciam o enlace. “Percebemos que a dança contemporânea está sendo pensada, permitindo o encontro e a união. Entendemos a arte contemporânea como a ferramenta mais poderosa para que a Amércia Latina esteja unida nos dias de hoje”, dizem. “Queremos saber mais sobre o trabalho de artistas de diferentes países, compartilhando estratégias, pesquisas, sensibilidades e pensamentos.”

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Ao término da entrevista, feita por uma rede social, não me contenho e pergunto: São um casal? “Sim. Somos noivos”, respondem, para logo completar: “Não nos interessa ser apresentados dessa maneira”. Afinal, todo encontro, independentemente das intenções, resulta em oscilações, das mais latentes às mais sutis.

“OSCILACIONES”

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com Grupo iNTIMO

Nesta sexta-feira e sábado, às 20h, e domingo, às 19h

Oficina

Cuerpo a Cuerpo

Neste sábado e domingo, das 14h às 17h

Diversão & Arte

(Rua Halfeld 1322 – Centro)

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