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Versos com sabor de Minas

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somos filhos de nossos pais, / netos de nossos avós./ por tantas vezes,/ são ainda eles/ que falam por nós, diz o poema Memórias, de Renata de Aragão Lopes. Com um eu lírico entre a delicadeza em tratar o tempo e a sensibilidade de menina, os outros poemas de Doce de lira, poesia à mesa também demonstram o estilo simples, repleto de pequenas sutilezas cotidianas e marcado por uma dicção caracteristicamente mineira. meu sonho de menina/ parece de éter agora:/ me alucina/ e se evapora, brinca a autora em Inalante. Financiada com recursos da Lei Murilo Mendes, a obra de estreia da escritora juiz-forana, lançada hoje, às 20h, no Teatro Clara Nunes, partiu da experiência do blog www.docedelira.blogspot.com.br, no ar desde 2009. O livro é resultado de um processo muito natural. Querendo ou não, para ser literatura tem que estar no papel. A internet é abstrata demais, parece efêmera, comenta a poeta.

Graduada em direito, a escritora começou a escrever versos ainda bastante jovem. Aos poucos, foi retirando da gaveta, inscrevendo-se em concursos e finalmente arrebatou leitores pela internet. O tal doce virtual serviu, até mesmo, a uma dissertação de mestrado. Ainda assim, Renata nunca circulou no meio literário local, nunca pertenceu a guetos. Apesar disso, seu tempero chegou ao Rio de Janeiro. No final do ano passado, com o projeto já aprovado pela lei de incentivo, enquanto estava de férias, decidiu fazer uma oficina na Casa do Poema, escola especializada em versos fundada pela poeta, jornalista, cantora e atriz Elisa Lucinda. No último dia de aula, Renata conheceu Elisa e entregou-lhe a obra. Em janeiro, a carioca convidou a mineira para uma visita em sua casa e comprometeu-se a prefaciar o livro.

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Como fazem os bons poetas, ela nos leva pela mão, e vamos com ela lá dentro da relação com o pai, com o homem, com o filho, com a mãe, com a irmã, com a palavra, com a vida. Elegante, consegue tirar o véu e expor o que há de nelsonrodriugueano em toda a família e nós entendemos tudo. Mas este tudo é tomado de uma inteligência poética tão cuidada, tão preciosa, tão amorosa com a língua portuguesa que o livro protege o que revela, escreve Elisa, dizendo-se tocada pelos versos de Doce de lira, poesia à mesa. Esse encontro foi muito decisivo. Juntas nós tiramos alguns poemas e inserimos outros. Ela me deu a certeza de que devo prosseguir, entusiasma-se a autora.

Segundo Elisa Lucinda, o próprio nome da obra de Renata de Aragão Lopes aponta para uma minuciosa artesania. Há um ponto diferente no doce da autora, que se diz uma confeiteira. Esse doce é um convite para que o leitor prove, deguste, a poesia e a tenha como hábito. Defendo que a poesia saia desse lugar intocável. Quero dizer que todos temos condições de ler versos, afirma a escritora, cujo blog já alcançou mais de 45 mil leitores e possui mais de 700 seguidores. Ler um poema pode ser fácil e simples, defende Renata.

Para lançar a obra, a autora promove, nesta quarta, um encontro mediado por Debora Coghi, com a participação das musicistas Amanda Martins e Bia Nascimento, e leitura realizada pela roteirista Adriana Barata e pelos atores Felipe Saleme, Gutto César, Lella Ganimi, Letícia Nogueira, Lívia Gomes e Zezinho Mancini. Além disso, para acompanhar seu doce, Renata oferece um café. O café é quente, aconchegante e mineiro, brinca.

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