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Do computador para os palcos

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Espetáculo estrelado por Rezende Evil é baseado em série para o canal criado por ele em 2012 (Foto: Carmen Kley/Divulgação)
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Ser youtuber não deve ser fácil, mas quando o sujeito consegue atingir o público é sucesso (quase) garantido. Fazem parte dessa lista Kéfera – que, além de livro, já estrelou um longa-metragem para o cinema -, Douglas Thomaz com dicas para “Pokémon Go”, o “Coisa de Nerd”, com o casal Nilse e Leon… Seja falando de cultura pop, games ou aconselhando a garotada, entre outros temas, são muitas as celebridades instantâneas que produzem seu próprio conteúdo e o transportam para outros formatos. Um desses casos de sucesso é o do paranaense Pedro Afonso Posso Rezende, que aos 19 anos de idade é o criador do canal Rezende Evil, sobre o game “Minecraft”, criado em 2012 e que tem nada menos que nove milhões de seguidores e mais de três bilhões de visualizações no YouTube, que o colocam como um dos maiores youtubers na área de games do planeta.

Um dos maiores sucessos de Rezende Evil – que já lançou dois livros – foi a série “O Paraíso”, que durou 2.162 episódios e teve mais de 140 milhões de visualizações. A repercussão da novelinha pela web gerou a peça de mesmo nome, que será apresentada neste sábado no Cine-Theatro Central e dá continuidade à série no YouTube. No palco, um telão reproduz o vídeo da aventura, com Rezende interagindo com dois bonecos. “A série no YouTube começa com alguns amigos em um parque de diversões; quando entram em uma montanha-russa, acabam indo para um mundo paralelo. Lá participam de diversas aventuras para voltar. O espetáculo continua exatamente do ponto em que acabou a primeira temporada no canal e traz o desenrolar da história, com mais aventuras e mistérios. A ideia partiu da Non Stop, produtora do espetáculo, que também levou outros youtubers para o teatro. Fizemos algumas reuniões e achamos que seria interessante colocar a segunda temporada de ‘Paraíso’ nos teatros”, diz Pedro. “O mais difícil é lidar com as reações espontâneas que acontecem durante a apresentação. Nos vídeos, é diferente, sou apenas eu e a câmera, então considero que esse é o maior desafio, tem que ter jogo de cintura.”

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Entrando na Web

Já a ideia para o canal veio da dificuldade de Pedro em passar de fase em um jogo. Ao encontrar um canal no YouTube que dava as dicas para o jogo, resolveu criar o seu. “Mas só me dediquei integralmente ao canal quando voltei da Itália depois de um período jogando futsal em um time profissional. Com o tempo, jogando ‘Minecraft’ e fazendo os vídeos, decidi criar as séries, e foi quando o canal deu um grande salto. Sempre fui uma pessoa imaginativa e gostava de escrever histórias, então usei isso no ‘Minecraft’ e deu resultado.”

Mas não foi apenas o estilo do canal que mudou, o mesmo se deu com o equipamento utilizado. Segundo Rezende Evil, o que começou com apenas um celular atualmente conta com câmera, iluminação e uma equipe que o auxilia nas animações e na edição e divulgação. Nem por isso, destaca, o ritmo de trabalho diminui. “Estou gravando bastante porque tenho as apresentações do espetáculo no fim de semana, então preciso adiantar os vídeos. Chego a ficar mais de 15 horas gravando, às vezes. O maior desafio é ter conteúdo novo sempre. Como são até quatro vídeos diários, preciso trazer novidades para o público que acompanha. Mas é um desafio que me motiva e me anima a sempre tentar coisas novas.”

A responsabilidade de falar para milhões

O sucesso do canal pode ser medido pelos números obtidos nos quatro anos de atividades, com nove milhões de seguidores e mais de três bilhões de visualizações, que rendem uma média de 700 milhões de minutos assistidos por mês dos vídeos de Rezende Evil. “É difícil de explicar o que sinto, porque quando você para e pensa… Três bilhões de visualizações é muita coisa! E saber que nove milhões de pessoas seguem o canal também é muita coisa. É muita alegria e gratidão.”

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Com a quantidade, vem a responsabilidade. O canal comandado por Pedro tem muitos seguidores entre crianças e adolescentes, e com isso é preciso não esquecer o quanto ele pode servir de exemplo para tantos espalhador por aí. “Sei da minha responsabilidade, até por isso não falo palavrão nos vídeos. Tento agregar com entretenimento e, se possível, passar alguma mensagem com as séries e os vlogs. Mas é necessário ter um cuidado para não expor mais do que o necessário”, afirma. “Desde o comecinho, tenho essa preocupação, mas ficou mais forte depois que fui a um evento e vi o público com quem lidava. O limite é algo que vamos moldando com o tempo, percebendo o que não foi muito bem aceito. Meus pais me ajudam com isso também, sempre estão me orientando e dando dicas.”

O mesmo vale para as ações publicitárias. “Busco fazer ações com produtos que tenham ligação com o meu ambiente e a minha vida. Desta forma, já faço um filtro natural, e analisamos caso a caso.”

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Do virtual para o real

Seja como Pedro ou Rezende Evil, o youtuber precisa lidar ainda com uma questão talvez mais desafiadora que passar de fase nos games: o contato com os fãs e admiradores do seu trabalho. “O assédio existe sim, mas eu lido bem. Gosto de ter o contato com o meu público, afinal de contas eles são os grandes responsáveis pelo sucesso do canal. Então gosto de conversar, interagir, tirar fotos”, diz.

Para quem pensa seguir os passos que ele iniciou em 2012, Rezende Evil dá a dica: “É muito importante não desistir do canal mesmo quando não tenha um número de inscritos e visualizações que esperava. É difícil decolar logo no início, então é bom ter perseverança e acreditar, fazer um conteúdo que tenha domínio, assim fica mais natural.”

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O PARAÍSO

Neste sábado, às 17h

Cine-Theatro Central

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