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Tradição regada a chope

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O Bairro Borboleta ganha as cores da Alemanha a partir de hoje. Principal reduto da cultura do país europeu em Juiz de Fora, a comunidade convida para a 19ª edição da Deutsches Fest, a Festa Alemã, promovida ininterruptamente desde de 1995 pela Associação Cultural e Recreativa Brasil-Alemanha. A associação celebra, em 2013, 20 anos de atividades. Até 8 de setembro, os arredores da Igreja São Vicente de Paulo abrigam os festejos que misturam elementos indispensáveis à representação da tradição germânica: música, dança, boa comida e bebida.

Um dos destaques da edição, o Trio Musical Pedro Dahmer – O Alemão da Volksmusik/O Pastor dos Alpes, da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, se apresentará todos os dias do festival. O grupo, que vem pela primeira vez a Juiz de Fora, tem passagem pelas principais festas alemãs do mundo, a exemplo da Oktoberfest de Munique e de Blumenau (SC).

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Também pela primeira vez na festa, o Grupo de Danças Folclóricas Pomeranas Grünes Tal, de Domingos Martins (ES), se apresenta no sábado, às 20h. Presença tradicional no evento, o Grupo Folclórico Blumenberg Volkstanz, de Petrópolis (RJ), é outra atração típica, no palco da festa no sábado, às 18h, assim como a também petropolitana Banda Típica Alemã Bauernband, designada para fechar o dia, à meia-noite, e para as 13h, no domingo.

Se toda boa festa alemã é regada a cerveja, o Bairro Borboleta entra na tradição com a primeira edição da Bierwagen. Além da anual competição de chope a metro, no domingo, das 13h às 15h, um carro típico distribuirá a bebida gratuitamente àqueles que estiverem vestidos a caráter. "O carro é um dos exemplares feitos pela antiga Fábrica de Carroças e Carruagens Surerus, empreendimento alemão que funcionava na Avenida Getúlio Vargas nos anos 1880", conta o vice-presidente da Associação Cultural e Recreativa Brasil-Alemanha, Salcio Del Duca.

A carroça faz parte do acervo da instituição, que funciona provisoriamente na escola municipal do bairro. "Uma das frentes da associação é garimpar essas peças para o acervo, como documentos, utensílios e fotografias. Esses objetos farão parte do museu que temos o objetivo de criar." Segundo o vice-presidente, a doação de uma área pública do bairro, na qual será construída a sede da associação, está tramitando e deve sair ainda este ano.

 

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Regiões da Alemanha representadas na dança

Como de costume, os 120 integrantes, de 4 a 75 anos, que compõem as sete categorias do Grupo de Danças Folclóricas Germânicas Schmetterling (borboleta em alemão) apresentam ao público do evento, que é estimado em 50 mil pessoas nos cinco dias de festa, suas coreografias e trajes típicos, inspirados em diferentes regiões da Alemanha. "Cada categoria tem, no mínimo, dois trajes folclóricos de regiões diferentes. Os antepassados alemães que chegaram a Juiz de Fora vinham de dezenas de cidades, cada uma com suas características. Ao longo dos anos, tentamos resgatar as riquezas de cada região", explica Del Duca.

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Uma das novidades do ano nas apresentações do Schmetterling é a categoria "schuplattler", espécie de sapateado dançado exclusivamente por homens. "Esta modalidade significa ‘bater com a palma das mãos nas solas dos pés’." Integram ainda a festa representantes das comunidades italiana e portuguesa, com os grupos de danças folclóricas italianas Tarantolato e portuguesas Luís de Camões.

Também será divulgado no evento o livro e o documentário "Turnerschaft-Club Gymnastico de Juiz de Fora", lançado em março deste ano. A obra resgata a história da instituição, fundada em 1909 por imigrantes alemães e teuto-brasileiros, e sua contribuição no desenvolvimento do esporte na cidade.

Chegar à Festa Alemã também será mais fácil esse ano, já que um estacionamento com capacidade para 400 veículos estará disponível na entrada do bairro, evitando que as ruas fiquem congestionadas.

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Embora a edição seja a 19ª festa ininterrupta promovida pela Associação Cultural e Recreativa Brasil-Alemanha no bairro, a tradição do festejo na cidade teve início em 1969, antes mesmo da considerada primeira festa germânica do país, acontecida em 1973, no interior de Santa Catarina. Com isso, no próximo ano serão comemorados 45 anos da primeira "Oktoberfest" de Juiz de Fora.

Em apenas um aspecto a festa juiz-forana se difere das demais do país e do mundo. Outubro é o mês escolhido para lembrar as tradições germânicas pois é, na Europa, início da colheita do trigo, da cevada, do malte, utilizados na fabricação da cerveja. A opção por realizar o evento um mês antes do habitual, em setembro, só se deve ao período das chuvas. As demais tradições permanecem as mesmas.

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