A peça "Aqueles dois", da Cia. Luna Lunera, de Belo Horizonte, é a grande atração de hoje, no 5º Festival Nacional de Teatro, que tem, ainda, "Uma história oficial", do grupo local Cortejo Cia. de Teatro. Amanhã, o destaque é o infantil "Biliri e o pote vazio", da Kompanhia do Centro da Terra, de São Paulo, que proporcionará ao público um espetáculo calcado em diferentes técnicas visuais.
Criado a partir do conto homônimo do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu (1948-1996), "Aqueles dois" exibe a evolução do relacionamento entre Raul e Saul, dois novos funcionários que ingressam em um inóspito ambiente de trabalho. O estabelecimento da relação entre eles acaba causando desconforto entre os colegas que dividem o espaço, que reagem com desconfiança e repressão.
Um dos diretores e atores da peça, Cláudio Dias explica que o espetáculo foi concebido por meio de uma direção coletiva, em que cada ator teve uma semana para elaborar um projeto de direção. No decorrer dos dias, o trabalho foi ganhando corpo, até que se chegasse ao roteiro final, que permanece o mesmo desde sua criação, em 2007. Prestes a completar quatro anos de estrada, "Aqueles dois" já garantiu uma bem sucedida carreira, colecionando criticas positivas e premiações, como a de melhor iluminação, pelo Prêmio Shell São Paulo 2008.
Dias atribui o sucesso às questões cotidianas que permeiam o diálogo dos personagens. "A amizade e o amor que nasce do afeto entre os dois toca as pessoas", diz, explicando que a relação entre eles se constrói e reconstrói diante da plateia. Com quatro atores se revezado nos papéis de Raul e Saul durante a encenação, a montagem insere, de maneira direta, iluminação e som no interior das cenas. Isso porque o cenário conta com elementos como aparelhos de TV e som, utilizados pelos atores no desenrolar da trama.
Já a peça "Uma história oficial", tem quatro personagens, a menina, a mulher grávida, o vendedor de Bíblia e o negro, incumbidos de criar uma nova cidade. Diante da oportunidade de um recomeço, eles tentam conceber uma nova história. Os personagens são vistos como jogadores, enquanto criam novas personalidades para si próprios, tendo suas emoções misturadas. A partir dos embates entre os quatro, temas polêmicos, como política, religião, sexo e racismo, vêm à tona.
Inspirado em uma história da tradição chinesa, o espetáculo infantil "Biliri e o pote vazio" lança mão de técnicas de luz e sombra, para apresentar um enredo que tem a honestidade e o amor à natureza como mote. Contextualizado em um tempo longínquo, o teatro mostra um imperador sem herdeiros que propõe um desafio a todas as crianças. Cada uma recebe uma semente de flor que deverá ser cuidada para que o mais dedicado receba o trono. Apaixonado por flores, Biliri assume a tarefa com afinco, mas sua semente não germina. Mesmo assim, para a surpresa de todos, ele recebe o trono, ao apresentar o vaso vazio para o imperador, que reconhece sua honestidade como trunfo.
Para dar vida à história, o diretor Ricardo Karman aliou recursos multimídia à milenar técnica chinesa de teatro de sombras, utilizando artifícios de animação computadorizada. Tudo isso para fazer com que o público não possa identificar quando os personagens são atores de verdade ou recursos do teatro de sombras. Além disso, as cenas se desenvolvem ao som das sonatas de Beethoven.
Os convites para as montagens em espaços fechados devem ser trocados por um livro de literatura em bom estado, na sede da Funalfa (Avenida Rio Branco 2.234, Parque Halfeld), de segunda a domingo, das 9h às 17h. Cada pessoa pode trocar até dois convites por atração.
