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Aventura no entorno do Parque de Ibitipoca

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Só um carro de cada vez pelo corte de pedra, onde passaria estrada de ferro
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Só um carro de cada vez pelo corte de pedra, onde passaria estrada de ferro

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Janela do Céu, Pico do Pião, Circuito das águas e Ponte de Pedra. Para quem já visitou o Parque Estadual de Ibitipoca, os atrativos acima não são novidade. Pelo contrário. É para lá que a maioria dos visitantes em busca de ar puro, cachoeiras, caminhadas e belas paisagens acaba indo. O que pouca gente sabe é que a região oferece outras opções de passeios tanto para turistas mais aventureiros quanto para os mais sossegados. Uma das mais recentes é o percurso de bote pelo Rio Grande. O passeio, feito na Fazenda do Cedro e operado pela Sauá Turismo há pouco mais de oito meses, é ideal para quem gosta de tranquilidade. A propriedade, uma Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN), fica na Vila do Souza, a cerca de uma hora de Ibitipoca.

O trajeto de 35km passa por estradas de terra que serpenteiam florestas e povoados como os de Rancharia, Várzea do Brumado e Palmital. Uma parada obrigatória para fotos é num dos três cortes de pedra. Na década de 1950, trabalhadores locais retiraram enormes quantidades de terra de morros para a construção de uma estrada de ferro que nunca saiu do papel. O resultado são estreitos corredores de até 20 metros de altura escavados entre montanhas e com paredes tomadas de vegetação que só dão passagem para um veículo por vez.

Já na fazenda, o guia Márcio Lucinda Lima leva os visitantes por uma trilha leve de meia hora até o topo das formações rochosas, de onde se avista o Rio Grande e fazendas da região. Ele conta que a história da fazenda remonta à época da colonização. "Por volta de 1800, nossos ancestrais receberam estas terras como concessão de sesmarias. Aqui já existiu um antigo garimpo, com extração de ouro", diz. Após a caminhada, pausa para um lanche rápido com direito a banho de cachoeira. Refeitos do calor, os visitantes ganham coletes e capacetes antes de entrar nos botes para o percurso de 4,5km de passeio contemplativo pelas águas calmas do Rio Grande. Em algumas partes do rio, Márcio explica que o turista pode pular na água e ir flutuando, deixando-se levar pela corrente suave. Após o passeio, é servido almoço com pratos típicos da região: arroz, feijão, angu, pernil, galinha caipira, farofa de farinha de milho e couve refogada.

 

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A pé, a cavalo ou de bike

Já para quem prefere um pouco mais de adrenalina, a dica é o trekking que leva até a bela vista da Janela do Céu por baixo e da Serra das Areias. Saindo de Ibitipoca, são 15km até a Vila dos Moreira. O percurso também pode ser feito de mountain bike ou a cavalo. Mas vale o aviso do guia Rodrigo Paranhos: "Aqui tem muito morro. Fazer o trajeto de bicicleta só é indicado para quem está acostumado". As sete quedas da Janela do Céu totalizam 200 metros e ficam em uma área particular que faz limite com o parque.

O acesso se dá por uma trilha leve num trecho de Mata Atlântica que dura cerca de 25 minutos até as três primeiras quedas. As outras quatro são inacessíveis a pé. A subida até a terceira queda exige boa dose de atenção, pois é feita entre pedras escorregadias, mas a vista vale a pena. A cachoeira tem um belo paredão à esquerda e um poço conhecido como "banheira real". Na volta, não deixe de parar na casa da Dona Luzia, que vende quitutes caseiros como goiabada cascão, queijo, broa de fubá e colchas de retalho.

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Perto dali, ao lado da Mata do Luna, habitat natural de macacos mono-carvoeiro, fica a entrada do caminho até a Serra da Areias, também dentro de terras particulares. A visitação só é permitida com a presença de guias credenciados. São 5km de trilha leve por entre alamedas de araucárias. Em vários pontos, é possível avistar os vales de montanhas que caracterizam a região. Mas o que impressiona mesmo é o extenso paredão de pedra situado na face Oeste do parque, que abriga o Pico do Pião. Abaixo dele, areias brancas formam uma paisagem inesperada entre a vegetação dos campos de altitude. "Quem está dentro do parque e vai até o Pião não imagina que está praticamente à beira de um precipício. O entorno é muito bonito e vale a pena ser visitado", destaca Paranhos.

Ao final da tarde, com o sol já caindo por trás das montanhas, o passeio termina com um almoço feito no fogão a lenha de Dona Lúcia, na Vila dos Moreira. Alface fresca, arroz, feijão, batata frita, o tradicional frango caipira, farofa e suco de limão galego colhido no pé. E deixe um espaço para a sobremesa: doce de leite feito no tacho, goiabada com queijo e arroz-doce com açúcar queimado.

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