Ele está ali, fato. Na praça em que tantas vezes sua música foi a trilha sonora dos fins de semana, no Jardim Glória, Ministrinho, é uma memória viva, seja nos casos contados em mesas de bar por aqueles que ouviram seu dedilhado, seja no legado musical reproduzido por uma nova geração de artistas. Também é verdade que o apelido que o consagrou, vindo dos tempos de jogador de futebol, está na placa que passou a indicar o nome da praça em sua homenagem. Mas a inscrição acabou honrando outro Toschi, Alfredo, irmão de Ministrinho, que nasceu Armando e faria hoje 99 anos.
Para o pesquisador de samba e músico Márcio Gomes, a confusão com os nomes dos Toschi é uma forma de fazer com que as pessoas deixem de mencionar Ministrinho ao falar do local, tornando a honraria "vazia". "Fica ainda mais confuso pelo fato de haver uma outra placa com o nome certo na praça. As pessoas ficam sem saber qual referência é a correta."
Márcio acredita ainda que a falta de um marco físico na praça também contribui para que a homenagem perca um tanto sua força. "Acho que seria interessante se houvesse uma estátua, algum tipo de monumento, que acaba virando a referência do lugar, como aconteceu com a estátua do Drummond em Copacabana e a do Pixinguinha na Travessa do Ouvidor, ambas no Rio, a do Pedro Nava na Rua da Bahia, em Belo Horizonte, e tantos outros exemplos. Isso enriqueceria o local, estimularia o turismo, e a praça certamente seria chamada de ‘Praça do Ministrinho’."
Na visão de Márcio Gomes, as homenagens a Ministrinho após a sua morte são importantes para que seu legado seja não apenas lembrado, mas mantido vivo. "Enquanto viveu, ele teve muito reconhecimento: estava presente na mídia, nos espaços musicais, fazendo a música acontecer. Depois de sua morte, as próximas gerações vêm deixando de conhecê-lo, inclusive as pessoas ligadas à música e ao samba."
No ano que vem, centenário de nascimento de Armando Toschi, eventos devem ajudar a manter acesa a memória do artista. Entre eles, uma exposição itinerante e uma série de shows, organizada por Márcio e outros músicos, que estão em diálogo com a Funalfa. Ainda este ano, o sambista deve se tornar cidadão benemérito de Juiz de Fora, por meio de projeto de lei apresentado à Câmara, que deve ser votado nos próximos dias.
