
Amigos desde a década de 1960, Renato Teixeira e Sérgio Reis voltam a cantar alguns dos clássicos do sertanejo de raiz
O ditado “amigos, amigos; negócios à parte” pode valer para muita gente no ramo musical, tendo provocado até o fim de amizades, parcerias e diversos grupos musicais. Para os fãs, felizmente, este não é o caso dos parceiros de longa data Renato Teixeira e Sérgio Reis, que apresentam, nesta quinta-feira, no Cine-Theatro Central, o show de divulgação do mais novo DVD ao vivo da dupla, “Amizade sincera II”, lançado em março deste ano. Amigos desde a década de 1960, Renato e Sérgio vão tocar alguns clássicos da música sertaneja de raiz, como “O menino da porteira”, “Romaria”, “Beijinho doce”, “Trem do Pantanal” e “Deus e eu no sertão”, entre outras. Sérgio Reis, inclusive, gravou no seu repertório a maioria dos clássicos compostos por Renato Teixeira.
O sentimento de amizade, porém, não fica restrito à dupla. A geração seguinte de músicos das duas famílias também estarão presentes no palco, com dois filhos de Sérgio Reis (Paulo Bavini, na viola de dez e violão; e Marco Bavini, na viola) e um de Renato Teixeira (Chico Teixeira, no violão de 12 cordas) acompanhando a dupla. “O Chico e o Paulo e o Marco dão um toque especial ao ‘Amizade sincera’. Filhos também são amigos, e é muito bom poder estar no palco com eles, que são muito talentosos”, elogia Renato Teixeira. Além dos herdeiros, os dois artistas terão a companhia de Levy (contrabaixo), Natan Marques (violão e guitarra) e Marcinho Werneck (flauta).
“Amizade sincera II” é considerado por Renato como uma “curadoria da música caipira” que, de acordo com ele, leva o público a visitar a memória de grandes composições e autores. E o resultado tem ido além do palco. “O ‘Amizade sincera’ já é disco de ouro e agora, na 16ª edição do Grammy Latino, ganhou como melhor álbum de música sertaneja. É o meu primeiro Grammy, e o quarto do Sérgio. Tem sido uma belíssima recepção”, comemora.
De olho nos novos nomes
Ao mesmo tempo, Renato Teixeira está atento para as transformações que o gênero vem passando nas últimas décadas, em que mestres como Tonico & Tinoco foram substituídos por artistas que cantam sobre a “festa pela festa” ou “beber até cair”, resultado dos rumos que a indústria fonográfica vem buscando para tentar sobreviver e faturar nos dias atuais. “É difícil ver interpretes procurando bons compositores em busca de novas canções. E isso é muito triste, quem perde é a música e a cultura”, lamenta Teixeira. “Estamos falando de um mercado que, segundo dados do Ibope e da ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de disco), representa 70% do mercado em comparação a outros gêneros, e só falta uma coisa para ele: bons compositores, como o próprio Victor Chaves”, acrescenta, destacando ainda que tem esperança de que o espaço para o sertanejo de raiz nas rádios, naqueles programas ao vivo, possa voltar. “Em breve terei novidades sobre (isso)”, diz, sem revelar mais detalhes.
A crítica ao momento atual, porém, também tem espaço para elogiar os compositores da nova safra, que agradam os ouvidos de Renato Teixeira. “Até gravamos uma música de Victor & Léo no primeiro e segundo DVDs. Também há Chico Teixeira, Nô Stopa, Roberta Campos e Folk na Kombi, com trabalhos sinceros.”
AMIZADE SINCERA II – COM RENATO TEIXEIRA E SÉRGIO REIS
Nesta quinta-feira, às 21h
Cine-Theatro Central
(3215-1400)

