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Músico juiz-forano Mathias lança primeiro EP sobre enxergar a beleza nos pequenos momentos

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Artista juiz-forano inicou sua carreira na internet (Foto: Amorthentia Fotografias / Divulgação)

Nesta sexta-feira (3), o músico juiz-forano Mathias lança seu primeiro EP, intitulado “Coisas boas”. Disponível em plataformas digitais de música, o trabalho, que reúne cinco canções autorais, transita entre o R&B e a nova MPB. A faixa-título, lançada como prévia, já atingiu 240 mil reproduções no Spotify.

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Segundo Mathias, as composições falam sobre afeto, amadurecimento e esperança. As obras desse novo EP são nomeadas: “Coisas boas (Interlúdio)”, “Hoje eu quero viver”, “Leal”, “Fala para mim (Status de amigo)” e “Coisas boas”.

“Esse EP é um convite a acreditar nas coisas boas que podem acontecer, mesmo em meio às incertezas. É sobre celebrar o presente e enxergar beleza nos pequenos momentos”, destaca. O músico, que é formado em publicidade, movimenta seu trabalho via redes sociais e iniciou sua carreira no ano de 2020 por meio de conteúdos virais.

Hoje, o artista acumula mais de 500 mil seguidores no Instagram e Tik Tok e já fez parcerias com artistas de relevância nacional, como sua atuação como backing vocal do cantor Jão, no Prêmio Multishow de 2023.

Tribuna: Como você iniciou na área da música?

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Mathias: Eu faço aula desde muito novo e cheguei a estudar no CEMHFA (Conservatório Estadual de Música de Juiz de Fora) durante uns sete anos. Mas eu era muito novo, então me faltava a responsabilidade, aquele senso de dedicação. Eu vim também da igreja evangélica, então, tudo que eu sei, principalmente em relação a cantar, foi por conta desse suporte. No Conservatório,  cheguei a fazer vários instrumentos, fiz violão, violino, flauta, piano…passei por todos e descobri que eu sou ruim em todos. Eu só senti realmente prazer pela música quando eu comecei a cantar e, assim, eu quis desbravar um pouco mais. Agora, o instrumento que eu toco é o teclado e o ukulele, que eu aprendi sozinho porque eu queria gravar vídeos para o Tik Tok.

Como nasceu a ideia desse EP e o que ele representa dentro da sua trajetória artística?

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Eu ‘tô’ muito feliz com o nascimento desse EP porque já tem um tempo que eu quero lançar algo nesse sentido, que eu sinto que é uma preparação para um álbum. Acho que agora eu realmente me sinto um pouco mais músico, eu vim aí do ambiente de pandemia, eu sempre amei música, mas comecei na criação de conteúdo e essa parte musical era uma coisa que eu ‘tava’ começando a gerenciar, que eu levava muito como cover, até eu lançar a minha primeira música. Aí, eu senti essa vontade enorme de me expressar e foi um período que eu desbravei mais a composição, tive contato com pessoas que escrevem muito bem, e pensei  ‘acho que chegou o momento de eu tentar lançar alguma coisa que conte mais um pouco da minha história, pra que eu consiga cativar mais as pessoas também’.

O artista de 29 anos já lançou diferentes singles nas plataformas (Foto: Amorthentia Fotografias / Divulgação)

O EP tem cinco faixas. Você pensou nele como um conceito único ou como canções independentes que se complementam?

O nome do EP é “Coisas boas”, por causa dessa faixa “Coisas boas”, que é a última. Eu lancei ano passado, meio que despretensiosamente, e assim que eu postei um vídeo dela, viralizou e bateu muitas visualizações. Acabou que esse EP demorou esse tempo de um ano e pouco porque eu queria trazer algumas músicas que fizessem sentido com esse contexto. A ideia é contar uma historiazinha, sabe? Dessa lógica de que a vida é boa, mas tem coisas imprevisíveis que acontecem, situações que deixam a gente mais triste, mais cabisbaixo, mais desorientado. Todos os sentimentos são necessários ‘pra’ gente estar presente. A questão é não deixar esse sentimento consumir a gente por completo. 

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Quais referências atravessaram o seu processo de criação?

O Djavan é a minha maior referência. Depois vem Liniker, Jorge Ben, Caetano… Acho que eu sou fã de todos os ‘grandões’ da MPB. Dos mais antigos até os atuais. A Marina Sena, por exemplo, acho que tem muito poder e ela vem com uma pegada muito nova do MPB. Meu estilo acaba batendo com artistas que pegam MPB, R&B, um pouco ali também de samba, pagode, e acabo fazendo um medley de todos os artistas que eu curto. 

Como foi o processo de gravação e produção das músicas?

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‘Coisas boas” mudou muito desde o rascunho do projeto inicial até o lançamento. Eu fiz a postagem da faixa-título, que teve um alcance bom e me permitiu ir no programa do Marcos Mion. E, aí, eu tive que lançar porque, ‘pra’ ir ‘pro’ programa, eles precisavam que a música já estivesse registrada. Então, eu fiz tudo muito rápido ‘pra’ esse lançamento, que era só ‘pra’ ser um rascunho, porque a ideia era maturar ‘pra’ ficar dentro do projeto do lançamento. Acabou que ela ficou sendo o carro-chefe, e as outras meio que fui adaptando pra encaixarem ali dentro do que eu queria vender junto com ela. Foi tudo totalmente independente também, eu e meu produtor, o Davi. Fizemos tudo sozinhos. Foram longos períodos de gravação para poder construir o que eu queria. 

Autodidata, Mathias faz uso do ukulele com frequência em seus vídeos (Foto: Amorthentia Fotografias / Divulgação)

Como você enxerga a circulação da música independente na cidade?

Meu trabalho é todo feito de maneira independente, desde esse processo de criação da capa, escrita das letras, direção de arte, roteiro à produção de material de internet. É muita coisa pra pensar e organizar, mas é uma coisa que eu gosto muito, então acaba realmente não sendo tão desgastante no geral. Eu acho que ser artista no Brasil não é fácil, é muito peculiar, né? Mas Juiz de Fora é um berço de artistas incríveis. Aqui tem muitos artistas bons, desde o pessoal da música ao pessoal da arte, da dança… eu fico admirado. Juiz de Fora é realmente um canal de distribuição de muitos na área e eu realmente gosto de ver que eles estão crescendo demais. Eu espero que eu consiga também estar cada vez mais presente nesse quadro de artistas que estão ganhando mais visibilidade. Eu sinto que ainda ‘tô’ na etapa de plantar muito, mas graças a Deus ‘tô’ tentando colher algumas coisas já interessantes nesse início da jornada.

Com quem você gostaria de trabalhar em projetos futuros?

O Djavan, com certeza, mas aqui da cidade é o RT Mallone, um cara que eu admiro muito, um querido. Quando você conhece ele fora do cenário artístico, de trabalho, é um cara de admirar. A Camila Brasil também ‘tá’ fazendo um samba bem delicioso, ‘tá’ arrasando muito, cantando muito, ela é bem incrível. Tem também artistas mais consolidados, como Iza, Duquesa, Djonga, Liniker e Thiaguinho. 

 Quais são os temas centrais que atravessam a sua música hoje?

Eu confesso que eu tô aberto com temas, porém, tem camadas já um pouco direcionadas. Eu acho que a questão dessa mensagem de positividade é uma coisa que eu sinto que ‘tá’ presente, o amor, o autoconhecimento, até questões raciais, que são mais sérias. Eu acho que essa pauta em específico de questões raciais e sexualidades são pautas que eu nunca bati tanto na tecla, mas são coisas que também, pra mim, como artista, fazem sentido. Acredito que, ainda como artista, eu ‘tô’ me descobrindo um pouco, me considero ainda um ‘artista bebê’, assim, no início da jornada, sabe? ‘Tô’ caminhando e ‘tô’ bem novinho nesse processo, mas fico feliz de já ser uma referência ‘pra’ algumas pessoas, principalmente ‘pra’ jovens negros. 

Mathias relata que anseia retornar para os palcos e se conectar mais as pessoas (Foto: Amorthentia Fotografias / Divulgação)

Qual mensagem você deixaria para as pessoas que vão ouvir seu novo EP?

Acho que a mensagem ‘pra’ quem vai me conhecer por meio desse EP é que dá ‘pra’ fazer as coisas acontecerem, mesmo que o processo, às vezes, demonstre ao contrário. O plantar é muito difícil, mas o colher é gratificante e precisamos desse tempinho para as coisas darem essa guinada que a gente quer tanto.

Quais são seus planos após o lançamento?

Eu acho que agora, com o pós-lançamento, a primeira coisa que eu quero fazer é voltar a tocar, fazer muitos shows com esse EP e já lançar músicas novas. Eu quero poder estar mais em contato com as pessoas. Eu sinto que fiquei muito tempo preso na internet, só criando vídeos e entregando conteúdo online, sem o contato presencial que eu adoro tanto.

 Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli

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