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Atores leem para crianças nos Correios

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Para o produtor cultural Marcelo Aouila, o prazer da leitura vem do incentivo. "Se tratamos o livro como algo bacana, um presente, o estímulo fará com que se crie o hábito. E não basta dizer à criança que ler é legal, que você quer que ela leia e pronto. Explicar que a leitura vai fazer com que ela conheça outros universos, possa contar histórias, enriqueça o seu vocabulário, é importante", avalia Marcelo, produtor do projeto "Lê pra mim?", promovido pelos Correios. Chegando a sua 17ª edição, a proposta será sediada, entre hoje e 7 de outubro, no Espaço Cultural Correios de Juiz de Fora, reunindo personalidades dos cenários nacional e local, como atores, escritores e jornalistas.

Encabeçado por Aouila, ao lado da idealizadora do projeto, a atriz e produtora Sônia de Paula, o "Lê pra mim?" teve início em 2010, no Rio de Janeiro, e já conta com público de dez mil crianças, em edições realizadas no Rio, Brasília, São Paulo, Salvador e Belém. Ao todo, mais de cem artistas e personalidades já participaram do projeto, lendo histórias infantis à plateia. Ao fim de cada leitura, sempre aberta ao público, os pequenos são presenteados com um livro infantil.

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Serão entregues senhas com uma hora de antecedência do início das leituras, e não haverá lugar marcado. A área de apresentação comporta 90 crianças, de 4 a 10 anos, que são acomodadas em almofadas no formato de livros gigantes.

Fazem parte do elenco escalado para a edição, que terá sessões às 11h e às 15h, os atores Tonico Pereira ("A grande família"), Solange Badim ("Salve Jorge"), Mariana Xavier ("Minha mãe é uma peça"), Carlos Machado ("Amor à vida"), Sidney Sampaio ("Salve Jorge"), Douglas Silva ("Esquenta"), a jornalista Leda Nagle ("Sem censura"), além de representantes da cidade, os escritores Eliardo França e Mary França, a atriz Sandra Emília, as jornalistas Christina Musse e Érica Salazar, o músico Dudu Costa, entre outros.

 

Leitura inesquecível

Segundo o produtor Marcelo Aouila, cinco pontos foram pensados para tornar o projeto de incentivo à leitura ‘Lê pra mim?’ diferente dos demais. O primeiro deles foi o fato de os produtores não terem conhecimento de nenhum outro evento que reunisse, em um curto espaço de tempo, tantos artistas. "O objetivo principal é fazer com que essas crianças tenham um referencial. Queremos que eles pensem: ‘Se esse artista que eu admiro, que eu vejo na TV, um músico, um escritor, um jogador de futebol, uma bailarina, está lendo para mim, ler deve ser uma coisa realmente boa".

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O segundo ponto é poder contar, em todas as leituras, com um intérprete de linguagem brasileira de sinais (libras), que faz a tradução simultânea para crianças com deficiência auditiva. Outro objetivo da dupla é levar essa leitura para lugares que tivessem outros atrativos, como pontos turísticos. "Já realizamos edições no Farol da Barra, em Salvador, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e na Estação das Docas, em Belém", conta.

Por fim, os produtores decidiram pensar em uma alternativa para que aquele momento não fosse esquecido pelos pequenos. Nesse intuito, são doados, ao fim de cada apresentação, livros de histórias infantis. A seleção das obras é feita por uma pesquisadora do projeto, que mescla os clássicos às edições de novos autores. "As editoras parceiras também nos indicam obras, para que possivelmente adotemos. Os livros são comprados, mas também recebemos doações de algumas editoras." Mais de nove mil livros já foram distribuídos desde a terceira edição do evento, na qual a ideia foi incorporada ao projeto.

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Formado em engenharia civil, Aouila assina a cenografia de diversos espetáculos teatrais, sobretudo infantis. "Entrei nesse meio por influência da Sônia (de Paula), que já possui uma carreira de produtora voltada para essa área de 20 anos, somos sócios há dez." Da assistência de produção, Aouila passou a cuidar da cenografia e, depois, a de fato produzir. "Acho que o que realmente me motiva a trabalhar com o universo infantil é a possibilidade de contribuir para a formação de plateias. Saber que quem está hoje assistindo à leitura de um artista vai tomar gosto pelas artes e vai integrar, certamente, no futuro, a plateia de uma peça de teatro, levando seu filho."

Segundo a pesquisa "Retratos da leitura no Brasil", de 2011, 87% dos não leitores do país nunca foram presenteados com livros na infância. A melhora do panorama, entretanto, é vista com otimismo pelo também autor da obra "Cuidado com os óculos!" – que será lida em Juiz de Fora, por Leda Nagle. "É importante citar que o Governo federal, e não é de hoje, vem procurando incentivar a leitura, comprando livros de editoras e distribuindo em escolas pelo país. Inclusive muitas editoras vivem dessa venda", diz. "Também já é mais frequente o pai optar por dar um livro de presente ao filho. As publicações infantis são mais vendidas que as adultas, pois não se compra um livro para a criança, mas dois, três. Claro que a maioria desse público está nas ditas classes A e B, mas a C e a D também já começaram a entrar nessa história, motivada pelos programas de incentivo."

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