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Dois espiões numa fria

armie hammer e henry cavill interpretam os agentes sovietico e americano que precisam se entender em plena guerra fria

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Armie Hammer e Henry Cavill interpretam os agentes soviético e americano que precisam se entender em plena Guerra Fria
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Armie Hammer e Henry Cavill interpretam os agentes soviético e americano que precisam se entender em plena Guerra Fria

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Entre os lançamentos da semana nas salas de cinema de Juiz de Fora (são nada menos que seis), chega a ser irônico que a principal delas chegue à cidade carregando a marca do fracasso retumbante. Dirigido por Guy Ritchie (“Sherlock Holmes” e ex-marido de Madonna) e com Henry Cavill (o atual Superman dos cinemas) e Armie Hammer, “O agente da U.N.C.L.E.” é outra produção a fazer feio nas bilheterias americanas em 2015, faturando míseros US$ 26 milhões nas duas primeiras semanas de exibição, em agosto, para um custo de cerca de US$ 80 milhões. Com isso, o filme se junta a uma lista onde já estão “Quarteto Fantástico”, “Ted 2”, “Tomorrowland”, “Pixels”, entre outros.

A princípio, o longa teria tudo para ser um sucesso, ao levar para a tela grande a série de TV produzida entre 1964 e 1968 mostrando a improvável união entre agentes secretos americanos e soviéticos em plena Guerra Fria. Com Robert Vaughn e David McCallum (de “NCIS”) nos papéis de Napoleon Solo (CIA) e Ilya Kuryakin (KGB), respectivamente, “O agente da U.N.C.L.E.” mostrava as aventuras dos dois principais agentes da organização United Network Command for Law and Enforcement (Rede de Comandos Unidos de Lei e Aplicação, em português) para desbaratar os planos da maléfica T.H.R.U.S.H. (Technological Hierarchy for the Removal of the Undesirables and the Subjugation of Humanity, ou Hierarquia Tecnológica para a Remoção de Indesejáveis e a Subjugação da Humanidade em português), recrutando muitas vezes gente comum para a execução das missões.

Um dos méritos da série era mostrar, em plena década de 1960, americanos e soviéticos trabalhando em conjunto pelo bem comum da Humanidade, a exemplo do que podia ser visto em “Star trek”. Como bônus, a série chegou a ter a assessoria luxuosa de sir Ian Fleming, o criador de Bond, James Bond. Para o filme de 2015, Guy Ritchie buscou manter a essência do original.

Elogiado, sim, porém mal de bilheteria

O primeiro acerto do diretor foi manter a história na década de 1960, no auge da Guerra Fria, em que Estados Unidos e a antiga União Soviética estavam a um passo da destruição mútua. O filme tem início em 1963, com Napoleon Solo recrutado para resgatar, em Berlim, Gabriella Teller (Alicia Vikander), filha de um cientista alemão que se bandeou para o lado dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial. O agente americano é interceptado por Kuryakin, mas consegue escapulir com a moça. Depois, ele é comunicado de sua próxima missão: resgatar o pai da moça na Itália, sequestrado por dois integrantes da T.H.R.U.S.H. para que construa uma bomba atômica – mais anos 60, impossível. Ele deve realizar o resgate em cooperação com Gabriella, e – tcharam! – Kuryakin, para desgosto dos dois agentes. Solo, o americano, faz o estilo James Bond, enquanto seu colega soviético é mais cerebral, frio, intelectual.

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“O agente da U.N.C.L.E.” recebeu uma série de resenhas positivas por parte da crítica, que elogiou a caracterização da época, as cenas de ação e o clima de filme de espionagem tão típico do período. Apesar de todos os adjetivos dedicados ao filme, ele fracassou nos Estados Unidos e vai ter que suar muito nos mercados internacionais para cobrir todos os custos de produção. De todas as razões especuladas para a débâcle do longa de Guy Ritchie, talvez a que melhor explique a situação seja o fato de que Hollywood precisa aprender que nem toda boa série, livro, história em quadrinhos vai fazer sucesso na tela grande.

Um dos grandes erros da indústria do cinema tem sido adaptar séries de TV que, mesmo tendo feito sucesso em sua época, são produtos das décadas de 60 e 70 relembrados por uma minoria de nostálgicos que nem sempre vai conseguir a atenção das novas gerações – muito disso, claro, resultado da insistência de Hollywood por criar franquias a partir de produtos já testados e aprovados anteriormente, mesmo que esse “anteriormente” seja na época dos avós da geração do século XXI.

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Se “Missão: Impossível”, por exemplo, conseguiu voltar dos mortos na década de 90, muito se deve ao carisma de Tom Cruise e do cartaz do diretor Brian di Palma; “Anjos da lei”, por outro lado, apostou no humor escrachado, e até se pensa num crossover com “Homens de Preto”. Por outro lado, séries lançadas há 40, 50 anos, como “Os Vingadores” (aquele filme com Uma Thurman e Ralph Fiennes), “Starsky & Hutch”, “Besouro Verde” e “Sombras da noite”, “A feiticeira”, “Miami Vice”, “Perdidos no espaço” e “SWAT”, não só fracassaram como, em sua maioria, foram no mínimo produções execráveis. O mesmo vale para a ainda mais antiga “Cavaleiro Solitário”, que inclusive tinha Armie Hammer no papel principal.

Está na hora de os engravatados de Hollywood se lembrarem que nem sempre o ditado “nada se cria, tudo se copia” vai funcionar.

O AGENTE DA U.N.C.L.E.

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UCI 3 (dub): 13h30 e 18h30. UCI 3: 16h e 21h. Cinemais 4 (dub): 14h40 e 19h20. Cinemais 4: 17h e 21h40. Palace 2: 14h10, 16h40, 19h10 e 21h40 (exceto segunda-feira). Santa Cruz 1 (dub): 18h45 e 21h

Classificação: 12 anos

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