Comprei ingresso para a semifinal da Copa das Confederações ainda em 2012. Se tudo desse certo, a seleção brasileira disputaria esse jogo na capital mineira. A última vez que eu tinha visto o Brasil jogar foi na década de 1990, no Morumbi. Como tinha menos de 10 anos, não me lembro de muita coisa. Em BH, fui do Centro ao estádio, na região da Pampulha, em impressionantes 20 minutos, em um ônibus quase vazio, direto e gratuito. Reflexo de um bem-vindo feriado municipal, decretado pela prefeitura em função do jogo, bem no meio da semana.
Ver de perto o reformadíssimo Mineirão foi surpreendente e emocionante. A nova estrutura é de primeira: cadeiras confortáveis e boa visibilidade em todos os lugares da torcida, que pôde entrar tranquilamente. A grande insatisfação veio da organização: banheiros sujos e filas gigantescas para comprar cerveja (inclusive durante a partida). Presenciei início de tumultos por conta de torcedores que tentavam furá-las. Nos poucos pontos de venda de comida e bebida, os preços abusivos assustavam: R$ 6 por uma garrafa de água e absurdos R$ 12 por um latão de cerveja.
A confusão na distribuição dos assentos também deu margem a reclamações, principalmente de famílias e grupos de amigos que ficaram separados. Fica a pergunta: seria inviável para a Fifa permitir ao torcedor escolher seu lugar (ou pelo menos o setor) já na compra do ingresso? Outro ponto negativo foi o retorno para a casa, exato oposto da ida: desorganizado, lento e cansativo. E a culpa nem foi das legítimas manifestações no entorno do estádio.
Ah, sim, o jogo: deu 2 a 1 para o Brasil. Tenso, mas emocionante. Principalmente pela torcida, que, apesar da rivalidade exacerbada entre atleticanos e cruzeirenses, deu um show (importante participação reconhecida, inclusive, pelo técnico Felipão). A implicância eterna causada pela bipolaridade do futebol na capital mineira ficou visível nas permanentes provocações entre os grupos que, mesmo ambos vestindo amarelo, faziam questão de gritar alto Galo! e Zêro!. Assim como a deles, minha voz ficou no Mineirão. A alegria de ver a seleção em campo – num belo estádio, com uma torcida apaixonada, carimbando o passaporte para a final do torneio – veio comigo. Futebol não tem jeito, mexe com os nervos da gente. O saldo final foi positivo por conta das fortes emoções vividas. Imagina na Copa!
