Manuscrito de memórias
Leminski dizia que aos 17 todo mundo é poeta, mas o difícil era continuar sendo aos 30, 40, 50. Guardei na gaveta o poeta que fui, diz o escritor e professor Alexandre Faria sobre Lágrima palhaça, livro que ele lança em Juiz de Fora nesta terça. A obra, que ficou engavetada há mais de 20 anos, pode ser lida, segundo o autor, como um manuscrito de memórias, pois mostra a trajetória de uma existência com começo, meio e fim, em que o leitor tem a oportunidade de fazer uma avaliação positiva ou negativa da vida.
Apesar de ser um livro curto, Alexandre sugere uma releitura, pois propõe um jogo de descobertas, sentido, relação entre os poemas. Tendo sua primeira versão datilografada e encadernada com espiral por uma professora – que pediu a outro aluno que desenhasse a capa -, a obra propõe reflexão sobre o fazer poético.
Professor do curso de pós-graduação em letras da UFJF e pesquisador de literatura, identidade e outras manifestações culturais, Alexandre afirma que o livro não tem qualquer relação com sua linha de pesquisa, até porque foi escrito quando ainda garoto e não imaginava que seria um pesquisador da literatura marginal. Lançada por Aquela Editora, que trabalha com formato de produção econômico, a publicação custa R$ 7.
Mesmo não tendo pretensão acadêmica, trocar literatura com a classe marginalizada também é o objetivo do poeta. Depois de Juiz de Fora,Lágrima palhaça será lançado em duas comunidades cariocas, no Sarau do Zé, na Baixa do Sapateiro, e no Sarau de Manguinhos, na Biblioteca Parque de Manguinhos, no Rio de Janeiro.
Alexandre também publicou Literatura de subtração, Anacrônicas e Urânia, além de ter organizado o livro Anos 70 – poesia e vida, e a revista Ipotesi, sobre literatura marginal.
Lançamento de livro hoje, às 20h
Brauhaus
(Rua Tavares Bastos 49 – São Mateus)
