Ícone do site Tribuna de Minas

Balé da superação

PUBLICIDADE

Eles fizeram da queda um passo de dança. As palavras de Fernando Sabino poderiam servir de epígrafe para a Cia Dança Masculina Jair Moraes. Para os cerca de 20 bailarinos que integram o grupo de Curitiba, a dança surgiu não apenas como um meio de expressão artística, mas como uma oportunidade inesperada. Recrutados por meio de um projeto social do Teatro Guaíra, esses jovens encontraram no palco a certeza de que teriam de se superar para conquistar seu espaço no mundo. A energia que surge dessa superação é o dínamo do espetáculo Tubo de ensaio, que encerra a programação do 3º Festival Nacional de Dança, promovido pela Funalfa.

PUBLICIDADE

No balé que chega ao Teatro Pró-Música, os bastidores são também atração principal. Enquanto parte do elenco executa a coreografia no centro do palco, outros bailarinos ensaiam no fundo ou aguardam sua vez de assumir a cena sem se esconder nas coxias. A ideia de privilegiar a carpintaria da dança está presente também nos figurinos minimalistas, muito próximos das roupas usadas na prática diária do grupo. Eles fazem um pouquinho de tudo. É um ensaio realmente, até para desmistificar o trabalho que a gente faz, define o criador da companhia e maître do Balé Teatro Guaíra, Jair Moraes.

A mescla proposta inclui de balés com características brasileiras a coreografias cômicas no encerramento. Temos uma gama muito grande de estilos. Não é só clássico, nem contemporâneo: é dança, sintetiza o diretor. Antes de o espetáculo começar, enquanto chega e se acomoda no teatro, o público poderá acompanhar os bailarinos durante uma aula no palco e exercícios de aquecimento.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

À música e aos passos coreografados, somam-se as palavras. Em busca de um resultado que costurasse diferentes linguagens, Jair Moraes arriscou colocar seus bailarinos recitando poema. Na apresentação de hoje, haverá dois textos especialmente selecionados para Juiz de Fora, uma espécie de agradecimento pela acolhida que a companhia recebeu na última edição do festival. Os fragmentos foram selecionados de um presente que o coreógrafo recebeu da Funalfa, o calendário criado pela entidade neste ano que traz trechos de autores locais e imagens de crianças do projeto Gente em primeiro lugar, fotografadas por Nina Mello. Jair, aliás, não poupa elogios ao produto e também à recepção dos juiz-foranos. Às vezes, uma simples foto pode fazer toda a diferença na vida dessas crianças, diz.

O caminho da dança não trouxe facilidades aos jovens bailarinos, mas a lição de seguir adiante apesar das inúmeras dificuldades, algo incorporado pelo criador da companhia. Durante os oito anos de atividade do grupo, Jair Moraes teve que aprender a lidar com a resistência de jovens que tiveram um começo difícil. Uma resistência que, vencida, reverteu-se em dedicação. Hoje, quase metade dos integrantes cursa faculdade. Outra parte divide a jornada de trabalho com os ensaios, que acontecem diariamente das 19h30 às 23h30. Alguns precisam de dois ônibus até o Centro de Curitiba, outros só conseguem aparecer na metade do ensaio. Tenho que dar aula, ensaiar e ir orientando os outros que vão chegando, descreve o diretor, que na falta de um pianista, marca o tempo das coreografias batendo um cabo de vassoura no chão.Todos vêm para a dança por alguma carência. No início, vinham para tomar café e comer banana. Mas não gosto de desistir, nem de ser vítima. Problema há em toda parte, o que falta é vontade de lutar.

PUBLICIDADE

Adepto dos desafios, Jair Moraes também enfrenta a dificuldade de desenvolver coreografias para um grupo exclusivamente masculino. Sua missão é criar para um grupo extremamente heterogêneo, com jovens na faixa dos 16 aos 30 anos de idade, e com características físicas que diferem muito do padrão convencional. Além disso, o balé curitibano busca se afirmar de forma viril, desmistificando preconceitos. A nossa ideia é que as pessoas os respeitem enquanto homens, resume.

PUBLICIDADE

CIA DANÇA MASCULINA JAIR MORAES

Hoje, às 20h

Teatro Pró-Música

(Avenida Rio Branco, 2.329)

Ingressos podem ser trocados por um livro de literatura em bom estado

Sair da versão mobile