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Sobre ‘comemórias’ e estímulos

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"Comemórias". O neologismo que transita entre o verbo comemorar e a partilha de memórias é o que mais define o ano de 2013 na sólida carreira de Lenine, que cunhou o termo. "Sim, ‘comemórias’! São 30 de carreira, 30 do álbum "Baque solto", 20 do "Olho de peixe" e 15 de "O dia em que faremos contato". Olhei para trás, curti o que vi, e, ao longo da vida, em tantos trabalhos em que me envolvi, com tanta gente bacana, sempre ficou um residual emocional, afeto, carinho, entrega, cumplicidade… então resolvi comemorar!", conta o músico pernambucano.

Parte dos festejos inclui em levar seu "Chão" aos mineiros, passando por Juiz de Fora nesta sexta. Lançado em 2011, o álbum é um CD-síntese, em que as faixas se intercalam como uma grande e única música. "Não há qualquer repetição de versos e refrões, as canções são curtas, e desde o início fui movido por um desejo de procurar outros caminhos e relevos sonoros. A primeira medida que tomei foi me impor a tarefa de fazer um disco sem bateria e/ou percussão."

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Em "Chão", Lenine também explora diferentes sonoridades, somando diversos ruídos e recursos eletrônicos às canções, em um processo criativo que começou acidentalmente. "Quando fui gravar o primeiro lote de canções, a porta do estúdio não ficou fechada. Ao ouvirmos pela primeira vez a gravação de "Amor é pra quem ama", estava lá o canário da minha sogra, o Frederico, solando não só no tom, mas evoluindo com a canção. Ele foi a janela para descobrirmos um caminho: sons do cotidiano, e, mais, sem manipulá-los ou editá-los, construímos as canções em cima desses áudios originais."

Para o violonista, cantor e compositor, o que une este trabalho aos anteriores é tão somente o fato de serem crias dele. "Cada projeto é fechado em si, todo o processo de fazer é um mergulho profundo: compor, arranjar, produzir, gravar, mixar e masterizar. Quando chegamos ao final dele, e o disco fica pronto, é um grande exorcismo! A gente esquece o trabalho que deu e mergulha de novo no fazer, mas aí é a hora do palco, e o palco é lugar mágico, nada se repete, tudo é novidade. E daí seguimos na estrada até o momento em que pinta o desejo de fazer um novo projeto." No que diz respeito ao que move novas criações, o pernambucano não titubeia. "O segredo é ser fiel ao seu estímulo."

Lenine garante que a atmosfera de ruídos e sons inusitados do CD é reproduzida no show, por meio do uso de quatro canais de áudio. "O show de ‘Chão’ é ‘surround’! Para quem assiste, é um mergulho na tridimensionalidade sonora e uma experiência sensorial agradável, muito mais associada a salas de cinema, não a teatros. Agora, imagina esta possibilidade sonora migrando para palheta de sons de uma orquestra", diz ele, anunciando o projeto "Chão sinfônico", que introduz instrumentos clássicos em apresentações gratuitas em praças públicas ainda este ano.

No repertório, faixas do trabalho mais recente juntam-se a grandes conhecidos do público, já consagrados no amplo cancioneiro de Lenine. "Procuramos priorizar as músicas que dialogam com a atmosfera de ‘Chão’, como ‘A ponte’, que traz o áudio original de Caju e Castanha, ‘A rede’ e ‘Candeeiro encantado’. Sucessos não faltam: ‘Hoje eu quero sair só’, ‘Paciência’ e ‘Jack soul brasileiro’ estão garantidas!", assegura.

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Com a versatilidade que lhe é comum, Lenine ainda tem grandes planos para 2013, além da turnê do último álbum e seu projeto com orquestra. Os aniversários de seus discos serão comemorados com uma série de "pelo menos 30 shows", segundo o artista. Ainda este mês, ele embarca com o maestro holandês Martin Fondse para a turnê ‘The bridge’ pela Europa. O ano segue com a composição de trilha para espetáculo do grupo de dança Corpo e a apresentação com a banda punk cigana Gogol Bordello no Rock in Rio.

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Para o artista, o engajamento em tantas iniciativas diferentes é fruto de muita dedicação e entrega à música. "Tenho a impressão de que essa simultaneidade em vários nichos de trabalho tem me acompanhado a vida toda. Posso supor que a entrega com que faço fica evidente para quem ouve, ou imaginar que tenho um papel como cronista nesta vida, e que a reportagem musical que faço tem alguma relevância. Independente da faixa etária de quem a percebe. Realmente, não sei. Continuo fazendo…"

 

LENINE

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