Inspirado por ritmos que vão do jazz ao blues, passando por rock e MPB, o artista plástico Eliardo França vem estreitando, cada vez mais, sua relação com outras áreas do universo da arte. O resultado é a mostra "A música como inspiração para Eliardo França", em que o pintor reúne um set list formado por artistas como Miles Davis, Charlie (Bird) Parker, Dizzy Gillespie, Jimi Hendrix, Billie Holiday, Tom Jobim, Milton Nascimento, Geraldo Pereira, Luiz Gonzaga, Carmen Miranda, Adoniran Barbosa, Stanley Jordan e Dudu Lima, entre muitos outros.
"Sempre gostei muito de música clássica e jazz. Descobri que este é um tema que dá para transformar em material plástico, talvez pela frustração de não tocar qualquer instrumento", explica. "Esta foi a forma que encontrei para pintar a música." A série de 25 obras pode ser conferida na Galeria Dnar Rocha do Cultural Bar a partir desta quinta, quando a casa completa 13 anos de entretenimento.
O mergulho neste universo começou, segundo ele, por meio de ilustrações encomendadas pelo jornalista Jorge Sanglard, para textos publicados no jornal "As Artes entre as Letras", na cidade do Porto, em Portugal, e também veiculadas no portal Cronópios, em São Paulo, nos últimos dois anos. "As cores e a figura humana, por exemplo, sempre me inspiraram. E ver o Miles Davis, na fase final da vida, com aquelas roupas todas coloridas é uma maravilha para um pintor, além do carisma, é claro", ele destaca, citando alguns nomes que ainda não entraram na coleção. "Quero fazer algo mais ligado ao samba e ao choro agora, músicos em ação, exercendo sua profissão, como Pixinguinha."
A série de óleo sobre tela, desenhos e gravuras promete dividir, com a atração que está no palco, a atenção do público. No caso desta quinta, quem canta para os convidados é Moraes Moreira, que, inclusive, estará estampado na parede que receberá a "trilha sonora" de Eliardo França.
Três obras da exposição trazem Milton Nascimento, admirado em todo o mundo e cidadão honorário de Juiz de Fora, onde mantém amigos e parentes próximos. Em uma delas, o Bituca é flagrado tocando contrabaixo acústico, como fazia no início da carreira. Mas isto só reforça a mineiridade escondida por trás das pinceladas de Eliardo. "Não tenho intimidade alguma com ele (Milton Nascimento) e até prefiro não ter, pois seria difícil retratá-lo com tamanha interferência", afirma o pintor, informando que todas as peças estarão à venda.
Ao abolir o cenário – que, "às vezes, aparece acidentalmente e apenas quando é absolutamente necessário" -, Eliardo França faz com que suas figuras inspiradas na música ocupem todo o espaço da tela. Ele define que o fundamental em sua pintura é o ser humano e a sua construção.
Ao eleger o retrato de Carmen Miranda sua preferida, Eliardo conta como desenvolve seu processo criativo. "Uma ideia central vem à cabeça e, de repente, sai. O acaso também é amigo do pintor, e as coisas vão acontecendo, como na literatura em que, quando a gente percebe, os personagens estão te comandando."
Além de seguir com sua investida no caldeirão sonoro, o artista adianta que pretende dar sequência ao projeto em que vem desenvolvendo aplicativos para o iPad. "O primeiro foi ‘O rei de quase tudo’ (com a colaboração do filho Lucas França), e o próximo está por vir, pois ainda estamos negociando com algumas editoras em São Paulo", informa o pintor, que, como presente para os 70 anos de vida, só espera saúde e vida próspera no bosque que serve de estúdio e residência em Juiz de Fora.
A MÚSICA COMO INSPIRAÇÃO PARA ELIARDO FRANÇA
Abertura nesta quinta, às 23h. Visitação às sextas e aos sábados, a partir das 23h
Cultural Bar
(Av. Deusdedith Salgado 3.955 – Salvaterra)
