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Revolução dentro da revolução

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Antes vista como de baixa qualidade, a música independente, no Brasil e no mundo, atingiu o topo do mercado. Independente não quer dizer underground. Até então, enquanto veiculada na internet, a música independente era sinônimo de música amadora, e hoje é a nova música do Brasil, observa Marcelo Castro, baixista da Silva Soul, banda que encerrou a edição local do Grito Rock na última quinta.

Convidado de destaque da noite, o compositor pernambucano Di Melo trouxe na bagagem o relançamento do único disco (de 1975), que conta com ferramentas alternativas, como o selo Brasilis Grooves, para atingir os fãs.

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Para o jornalista e assessor de bandas, João Paulo de Oliveira, os músicos estão conseguindo realizações antes restritas a intermediários, como a rádio, a gravadora e o produtor. É possível, atualmente, ter seus próprios canais de divulgação, gravar em casa ou pagar horas em estúdio de forma mais facilitada e com certa qualidade, além de o próprio músico ou um dos integrantes ser o produtor.

A web é o canal

Ao possibilitar a conexão com um grande número de pessoas, a internet rompeu barreiras geográficas e possibilitou grande intercâmbio cultural, sugerindo outras interpretações para o conceito da palavra independente. Surge aí outra discussão: o que, de fato, é ser independente?.

As redes sociais atuam como disseminadoras de conteúdo na internet, o que pode vir a interferir no ranking das músicas. Com um clique, o conteúdo é compartilhado em diversas plataformas de interação social, e assim dissemina-se uma música até então desconhecida. Muitos artistas já perceberam a importância da comunicação on-line e trabalham cada vez mais sua imagem utilizando recursos digitais, observa a coordenadora de internet da Universal Music, Raquel Arellano, debruçada sobre o estouro da cantora americana Rebecca Black e o sucesso Friday, o vídeo mais assistido no YouTube em 2011.

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Integrante do Fora do Eixo em São Paulo, o produtor Gabriel Ruiz destaca a utilização de uma plataforma alternativa de disseminação musical no Grito Rock, o Toque no Brasil (TNB). Coube à plataforma, conforme Ruiz, a conexão entre produtores e bandas durante o festival, cujo mote é justamente estimular a circulação de artistas pelo país, criando micro e macrorrotas. A novidade é que as rotas surgidas na plataforma ganharam nomes como Rota do Descobrimento, Rota do Dendê, Rota Caipira, entre várias outras, explica o produtor, sobre a ferramenta que visa a atender a demanda também alimentada por redes sociais como SoundCloud e MySpace.

Parte do portal MTV, o site Rock’n’Beats também se encaixa nesse espaço do novo mercado musical, onde se ouve e se vê música pelo YouTube e compartilha-se com os amigos no Facebook, Orkut, Twitter etc. É assim que todos nós fazemos essa roda girar. O Rock’n’ Beats garimpa essas bandas e as leva para os palcos das festas que produz e para as notícias de seu site. Música independente não é mais sinônimo de gravação de garagem com qualidade duvidosa, é o presente e o futuro da música, declara André Felipe de Medeiros, um dos integrantes do blog Música Pavê (http://musicapave.com), divulgado pelo Rock’n’Beats, com produção de notícias, resenhas, entrevistas, matérias especiais, cobertura de shows, grandes festivais como Rock in Rio, SWU e Planeta Terra e lançamento de artistas por meio de download.

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Segundo André Felipe, em seu artigo Semana de Arte Moderna de 2012, o exercício é imaginar como seria um evento desse porte hoje, que provavelmente não aconteceria no Teatro Municipal de São Paulo e teria transmissão ao vivo pela web, em alguns dias que marcariam para sempre o período que vivemos na música.

Espaço para o novo

De olho nas formas independentes de disseminar obras musicais, a Petrobras abriu a seleção para projetos com foco na produção independente esse ano. Em nota publicada no site da empresa, o compositor e ensaísta José Miguel Wisnik defende que o programa tenha como referência a produção artística, seja ela individual ou coletiva. As gravadoras independentes poderão se beneficiar indiretamente, na medida em que abriguem projetos artísticos aprovados, mas não como gravadoras.

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Na opinião do compositor, o artista ou banda que tiver o seu projeto aprovado poderá fazer CD ou apenas disponibilizar os fonogramas gravados no Creative Commons, selo de licenciamento gerenciado pelo Governo federal. A maioria das gravadoras e/ou dos selos independentes é de artistas e/ou produtores excluídos da produção fonográfica pelo estrangulamento gradual que as ‘majors’ têm promovido. A ‘intelligentsia’ da produção musical/fonográfica nacional está nas independentes. Ou, colocando a questão de outra maneira: as independentes são a forma de organização mais elementar e indispensável para a subsistência da produção musical e fonográfica nacional, define ele no site.

Iniciativas como a do programa Petrobras cultural, desta forma, contribuem para a constatação de que a expressão independente deixou o underground. Afinal, mais do que atingir as massas, as bandas independentes estão consolidando um conceito de cultura, literalmente, fora do eixo, termo utilizado para aqueles que vêm, com sucesso, divulgando seu trabalho através de mídias alternativas.

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