
Natalie Mauá investiu economias em música e videoclipe; “Keep calm” fez sucesso no YouTube
Aquilo que todo mundo faz – mas não conta – já foi tema de filmes, livros, peças, músicas, quadros… Do Marquês de Sade a Madonna, com uma pitada do derrière de Paolla Oliveira para atualizar e apimentar as vontades alheias, o sexo e seus fetiches sempre chamam a atenção de todos, mesmo que poucos confessem ter assistido à célebre “cena da manteiga” em “O último tango em Paris”. O que não deu para esconder, porém, foi a curiosidade em torno de “50 tons de cinza”, o best-seller da escritora inglesa E. L. James que vendeu milhões ao redor do mundo – inclusive no Brasil -, em que uma universitária virginal se envolve com um empresário e é transportada para um mundo onde o sadomasoquismo é a lei. Flores e bombons? Que nada: o lance do “pornô para donas de casa” (como já foi tachado por alguns) é na base do chicote.
E é com o chicote em punho que a cantora mineira Natalie Mauá vem fazendo sucesso na internet com o pop eletrônico “Keep calm”. A música, inspirada em “50 tons de cinza”, já acumula mais de 500 mil visualizações no YouTube – até segunda-feira, o videoclipe já havia sido assistido 510.262 vezes. Antes que alguém atire a primeira cinta-liga, o vídeo foi lançado em 12 de fevereiro de 2014, exatamente um ano antes do lançamento da versão para o cinema do livro, que vai tomar as salas do país na próxima semana.
“Eu só fui tomar conhecimento do livro (lançado em 2012) em 2013. Fui visitar uma prima em Belo Horizonte, e estávamos conversando sobre livros, que estava cansada de auto-ajuda, e ela recomendou o ’50 tons de cinza’. Cheguei a pensar que fosse um livro de moda (risos). Na semana seguinte, estava em uma praia no Rio, em Ipanema, e vi todo mundo lendo o livro, o mesmo no dia seguinte, na Barra. Fiquei curiosa e comprei um exemplar”, conta Natalie. Já em Descoberto (sua terra natal), aproveitou a vontade de compor algo novo para escrever uma canção sobre a história do sucesso sadomasô, a partir de algumas palavras-chave do livro. “Voltei para Belo Horizonte e mostrei a música para uma amiga que também havia lido o livro, e ela reconheceu na hora.”
Animada com o resultado, Natalie resolveu arriscar e juntou as economias a fim de gravar “Keep calm” com o produtor Dudu Viana, no Rio, quando ainda morava em Juiz de Fora, no final de 2013. Daí saiu o que ela define como “pop contemporâneo”, repleto de batidas eletrônicas. Mas só ter uma música embaixo do braço, para ela, não seria o suficiente para chamar a atenção, ainda mais com a dificuldade que é implantar uma produção independente nas rádios. “Cismei que tinha que fazer um videoclipe. Minha monografia na universidade foi sobre o Skank, e vi que a internet era essencial para que as pessoas conhecessem meu trabalho”, diz. “Contratei uma produtora de vídeo de Juiz de Fora, e fizemos a gravação em janeiro do ano passado, em uma mansão. Cheguei com a ideia pronta, e eles a encaixaram dentro do orçamento, com algumas coisas criadas na hora.”
No vídeo, Natalie Mauá chega a uma festa onde se depara com o bonitão que dá asas à sua imaginação, e a partir daí as vontades dizem a que vieram, com direito a roupa de couro, algemas, vendas e o onipresente chicotinho. Para chegar a mais de meio milhão de visualizações no YouTube, ela partiu com força para a divulgação nas redes sociais, televisão… E até mesmo a “rede social” à moda antiga. “Meu pai, Edival, é maravilhoso, também adora cantar. Ele não tem muita intimidade com informática, internet, então ele foi a uma lan house lá em Descoberto e pediu para um menino imprimir um papel com um link do vídeo. Ele levava esses papéis para todo lugar, entregava para todo mundo que encontrava e pedia para assistirem a meu vídeo”, recorda.
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Mais música, mais vídeo
O retorno alcançado com “Keep calm”, por enquanto, ainda se resume a se tornar um nome mais conhecido no mundo virtual, além dos convites para se apresentar. Para reforçar a “marca” e aumentar as chances de fechar contrato com alguma gravadora, Natalie gravou mais quatro músicas no final do ano com Dudu Viana e Leo Lachini. Junto com “Keep calm”, eles vão formar o primeiro EP da cantora, que deve ser lançado no formato digital ainda este mês. Da nova leva, “It’s a braggie” está programada para se tornar o próximo videoclipe, com expectativa de gravação – desta vez no Rio – ainda em fevereiro.
“Tenho algumas outras composições prontas, mas por enquanto vou divulgar essas cinco a fim de conseguir uma gravadora. Enquanto isso, também estou montando um novo show, com uma nova banda, em Belo Horizonte, onde moro desde julho”, planeja Natalie, que compôs a primeira música aos 5 anos e que, após se formar em filosofia e comunicação social pela UFJF, resolveu se dedicar integralmente ao sonho de ser cantora.
Com todos os tons a que tem direito.

