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Folia, funk e rock’n’roll

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Com certeza, folião e beatlemaníaco nunca foram duas palavras que coubessem na mesma frase. Mas se "Sgt. Pepper’s lonely hearts club band", definitivamente, parece o disco mais carnavalesco da história dos Beatles, nada mais apropriado que transformar mais de quatro décadas de sucesso em folia. Missão cumprida. Promessa do carnaval de rua do Rio – este ano, no Aterro do Flamengo -, pela segunda vez a banda Sargento Pimenta aporta no Cultural Bar. O show será hoje, e o repertório, que reúne 25 hits em levadas de marchinha, maracatu, baião, afoxé, samba, funk e quadrilha, é só o início de uma série de apresentações em que, evidentemente, ficará claro o quanto diferentes ritmos se voltam para a folia de Momo por aqui.

"Não somos covers dos Beatles, mas uma formatação que vai além do carnaval, um espetáculo com instrumentação e personalidade próprias", destaca o produtor João Felipe Severo, sobre a trupe formada por duas guitarras (Leandro Donner e Felipe Fernandes – que também atuam como vocalistas e arranjadores) e baixo (Marcelo Saboya). "Trazer os Beatles em som de folia ajuda a difundir sua música e atrai um público mais jovem", observa. Os sopros ficam por conta de Victor Tosta no trombone, Felipe Miranda no sax, e Matheus Moraes e Pedro Paulo no trompete. A cozinha tem 13 percussionistas liderados por Felipe Reznik (caixa) e Mateus Xavier (repique), além de Deborah Pech no backing e na pandeirola.

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E se você é um daqueles que odeiam carnaval, existem outras alternativas ao tradicional samba-enredo e às marchinhas que, para muitos, parece grudar e não sair mais da cabeça. Desde a sua criação, em 1997, o grupo Farofa Carioca guarda um estilo musical acima de qualquer descrição e particularidade. Misturando vários "ingredientes", como funk, jongo, rock, jazz, rap, reggae e xote, a banda, atração de amanhã do Cultural, faz de tudo para não perder o compasso do bom e velho samba, sem, necessariamente, recorrer ao que o mundo tem como tradicional.

"Vejo que o momento já prepara os músicos para um repertório voltado à onda da folia, e nós, que temos estilos de A a Z, sabemos adaptar tudo e qualquer coisa", sintetiza o vocalista e compositor Mario Broder. "Certa vez, uma revista me pediu para resumir o Farofa em uma palavra, e respondi carnaval, pois nossa musicalidade genuinamente brasileira diz isso, até quando estamos no exterior, onde o público sempre acha que nós somos o carnaval", arremata o músico, que volta no dia 12 para encerrar o Corredor da Folia ao lado do Funk’n Lata, na Praça da Estação, às 21h.

Mantendo uma tradição de mais de dez anos, a irreverente banda paulistana Velhas Virgens volta as atenções ao Carnavelhas, prestando, em 2012, uma homenagem a personalidades da música, da TV e do cinema, como Mussum, Seu Madruga, Dercy Gonçalves, Grande Otelo e Costinha. "No carnaval, não paramos de fazer rock, ele continua, pois fazemos marchinhas com as mesmas guitarras pesadas", declara o vocalista Paulão. "Adoramos tocar rock and roll e, no carnaval, adicionamos ‘brasilidade’ a ele. É como se pegássemos Chuck Berry e misturássemos com Bezerra da Silva. "

"Fazer marchinhas ‘roqueiras’, foi um jeito de adaptar o rock para o carnaval", completa o músico, sugerindo que, enquanto o rock normalmente é feito em um andamento 4×4, as marchinhas seriam em 2×4. "Embora similares, são diferentes do samba, por exemplo, que é sincopado."

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Um carnaval embriagado, despretensioso, desbocado e despudorado, como deviam ser os bailes do século passado. O Velhas Virgens só quer se divertir revigorando a tradição dos velhos bailes de salão tão característicos desta época, mas com músicas autorais, feitas para isso. Sem passar por Minas, entretanto, a turnê pitoresca visa a internacionalizar a ideia do projeto, ao destacar a importância de Carmem Miranda, através de figurinos, cenários e set list com alguns hits popularizados pela Pequena Notável.

Por aqui, a mistureba de músicos diversos do ritmo da festa popular será temperada ainda pelo retorno de grupos como Exalta Rei (dia 10) e Mulheres de Chico (dia 12). A semelhança? Todos usam da admiração pelo ídolo (Roberto Carlos e Chico Buarque, respectivamente) para ingressar na passarela da folia. "Começou como uma brincadeira de amigos que gostam muito de carnaval e de inventar os próprios blocos, até para fugir dos blocos gigantescos do Rio", comenta uma das criadoras do Exalta Rei, Roberta Sauerbronn, sobre a identidade versátil do grupo que também se rende ao som de outros reis, como Elvis Presley, Michael Jackson, Luiz Gonzaga e Ray Charles.

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Com a tarefa e aguardar os foliões do bloco Parangolé Valvulado na Praça Antônio Carlos, as Mulheres de Chico prometem não deixar a poeira baixar enquanto a banda passar. "O Chico é senso comum. Todo mundo gosta, e a ideia de fazer o bloco só com Chico agrada a todos, até quem não conhece muita da obra dele, porque está no imaginário coletivo", ressalta Gabi Buarque, uma das quatro vocalistas da trupe formada por 25. Essa formação, porém, é específica para o período de carnaval, quando as musicistas se dedicam a mais de 30 canções do ídolo, além de "Canto de Ossanha" e "Berimbau", ambas de Vinicius de Moraes e Baden Powell.

Na próxima quarta, a Orquestra Voadora também vem à cidade misturar medalhões do rock nacional e internacional, como Michael Jackson, Stevie Wonder, Mutantes e Secos & Molhados em um liquidificador carnavalesco. A inusitada combinação de sopros e percussões, aliada à atmosfera setentista proposta pelos cariocas, é vista como a cereja do bolo que, independentemente do recheio, tem sabor de carnaval.

SARGENTO PIMENTA

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Hoje, às 23h

Abertura com 2 Na Roda e fechamento com Primata no Samba

 

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Cultural Bar

 

FAROFA CARIOCA

Amanhã, às 23h

Abertura e fechamento com Feira Libre

 

Cultural Bar

 

 

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