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Patrimônio em nossas mãos

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No projeto idealizado pelo professor do curso de arquitetura da UFJF Jorge Arbach – um CD-ROM que reproduz os ladrilhos hidráulicos fabricados pela Companhia Industrial e Construtora Pantaleone Arcuri -, a memória afetiva confunde-se com o patrimônio histórico. "Os ladrilhos sempre estiveram presentes em minha vida. Nasci numa casa onde havia um grande piso com este revestimento. Ficava maravilhado com os detalhes e o ordenamento da composição. Depois me mudei para uma nova casa que ficava ao lado de uma fábrica de ladrilhos hidráulicos. Então, resgatar a riqueza do catálogo da Pantaleone é resgatar um pouco da minha história de vida", conta ele.

Além de mostrar uma compilação com os padrões feitos pela fábrica juiz-forana, a mídia, desenvolvida em parceria entre UFJF e Funalfa, permite a montagem de inúmeros ladrilhos, em que o "arquiteto" é quem controla o mouse do computador. "O simples resgate do catálogo de ladrilhos da Pantaleone Arcuri não seria suficiente para este projeto. A preciosidade não está só na quantidade de modelos produzidos e comercializados, mas na infinidade de combinações ornamentais possíveis entre eles. Hoje, com a tecnologia digital, podemos experimentar todas essas possibilidades", explica Arbach. No material, é possível experimentar cinco tipos de simulação, que imitam cinco áreas de pisos para revestimento. "A nomenclatura adotada para compor as partes das grades dessas simulações foi retirada da nomenclatura da confecção dos tapetes em tecido. Pois, em essência, o piso de ladrilho decorado busca perenizar visualmente os tapetes de tecido", explica Arbach.

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Para o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, a interatividade é uma peça-chave do projeto, que permite a democratização do resgate do partrimônio. "Trabalhos como este permitem que a valorização patrimonial saia dos segmentos que têm como obrigação discuti-la. É um resgate informal da memória, mas que favorece uma experiência muito interessante: a do saber fazer, a de pôr as mãos no patrimônio, que pode ser usado como fins tanto educacionais quanto profissionais ou pelo simples prazer de brincar com os ladrilhos."

Responsável pelo projeto gráfico do CD, o designer Márcio Henrique Oliveira acrescenta que o material possibilita uma verdadeira imersão no período em que a fábrica funcionava a pleno vapor. "Há toda uma ambientação histórica por meio de textos e imagens que contextualizam a fabricação dos ladrilhos hidráulicos e a relevância da Pantaleone Arcuri para a cidade. Procuramos criar um pequeno universo que remete a tudo isso."

Parte deste universo continua vivo em Juiz de Fora e região, em estabelecimentos comerciais, residências e mesmo em algumas calçadas. "Visitei diversas construções antigas, fazendas da região, prédios públicos e locais inusitados como estacionamentos e calçadas e fotografei os ladrilhos presentes nestes espaços. Infelizmente, a maioria está em um estado muito precário de conservação, sobretudo porque muitas pessoas não têm consciência das raízes históricas e culturais que eles possuem", lamenta a arquiteta Paula Rocha, que assina o trabalho de pesquisa.

Outra participante do projeto, a estudante de arquitetura Paula Vasconcelos destaca que a valorização da estética retrô aumenta ainda mais a relevância do CD-ROM. "Ele pode até ser utilizado por profissionais de arquitetura e decoração como simulador de padrões para um ambiente. Por não ser uma cidade histórica tradicional, como tantas mineiras, Juiz de Fora muitas vezes é esquecida em sua riqueza cultural, e trabalhos como este podem ajudar a reverter este descaso."

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