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Outros Brasis na tela grande

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 O Brasil são muitos. Na música contemporânea, há um país fervilhando no Pará. Para a literatura, o Rio Grande do Sul é um dos maiores celeiros de jovens autores. Até mesmo a televisão, frequentemente apontada como lugar de poucas opções, anda a passos largos em Porto Alegre. Em sua 16ª edição, a Mostra de Cinema de Tiradentes, que ocorre entre os dias 18 e 26 de janeiro, confirma o potencial descentralizador da cultura nacional, mostrando que o meio cinematográfico se desenvolve com bastante inventividade fora do eixo Rio-São Paulo. Anunciada ontem, a programação do evento conta com 65% dos filmes produzidos em Minas Gerais, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Paraná e Bahia.

Seguindo estéticas e narrativas diferenciadas, essas produções têm alcançado visibilidade por meio de editais de incentivo governamental e festivais nacionais e internacionais. Reconhecida na telona por seguir caminhos alternativos e de qualidade, a atriz Simone Spoladore é a homenageada desse ano da mostra. Natural de Curitiba e radicada em São Paulo, ela iniciou sua carreira nos palcos e em curtas-metragens paranaenses.

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Apresentados ao longo do evento que agita a pequena cidade mineira e inaugura a agenda de festivais pelo Brasil, os filmes "Nove crônicas para um coração aos berros", de Gustavo Galvão, "A memória que me contam", de Lúcia Murat, e "Sudoeste", de Eduardo Nunes, constituem a homenagem à artista, que também atuou em "Lavoura arcaica", de Luiz Fernando Carvalho, o qual lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Grande Prêmio BR de Cinema em 2002.

Elogiado pela crítica especializada, o longa-metragem "Onde Borges tudo vê", assinado pelo paraibano Taciano Valério, abre o festival, contando a história de Napoleão, um cego dono de um hamster chamado Borges, amante da obra do escritor argentino Jorge Luis Borges, que diz guardar uma obra inédita do ídolo. Tradicional no evento, a Mostra Aurora, dedicada a jovens diretores, apresenta sete concorrentes, entre documentários ("Ventos de Valls", "Matéria de composição", "Nas minhas mãos eu não quero pregos", "Flutuantes" e "Os dias com ele") e ficções ("Ferrolho" e "Linz – Quando todos os acidentes acontecem"), sendo três produções mineiras. A novidade nessa competição fica a cargo dos R$ 50 mil, do Prêmio Itamaraty, destinados ao vencedor.

Outra inovação é a criação de mais três mostras temáticas no evento: Transições, Autorias e Sui Generis, que contemplam produções mais originais e cineastas emergentes. Entre os destaques dessas três reuniões de filmes, "Jards", de Eryk Rocha, vencedor na categoria melhor direção no Festival do Rio do ano passado; "Otto", do aclamado Cao Guimarães, premiado como melhor documentário no Festival de Brasília de 2012; e "Vertigem branca", produção experimental dirigida por Breno Silva, Dellani Lima e Simone Cortezão.

Utilizando-se do bucolismo de Tiradentes como cenário, a mostra leva os longas "Um filme para Dirceu", de Ana Johann, "Dossiê Jango", de Paulo Henrique Fontenelle, "Cuia de Santo Amaro", de Joel Almeida e Josias Pires e "Em busca de um lugar comum", de Felippe Schultz Mussel, para o Largo das Fôrras, na Mostra Praça. Não menos aguardados, os curtas metragens também espelham a grandiosidade do festival, que esse ano recebe 97 curtas de 14 estados brasileiros, exibidos nas mostras Fora de Centro, Foco, Panorama, Praça, Formação, Juvenil, Mostrinha e Cena Mineira.

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Música e discussão

Para não deixar a cidade parar, a Mostra de Cinema de Tiradentes reserva, ainda, shows ao longo dos oito dias do evento. Abrindo a programação musical, que acontece no Cine-Tenda, sede do festival, o grupo Tapa Buraco mostra a força do instrumental mineiro. No dia seguinte, além do tradicional cortejo, a mostra recebe o cantor e compositor Sérgio Pererê. Seguem as apresentações do Todos os Caetanos do Mundo, no domingo; Blue Drop Jazz Quartet, na segunda; A Fase Rosa, na terça; Brascubazz, na quarta; Verônica Sabino, na quinta; Delegascia, na sexta; e, para encerrar, o grupo Iconilli.

Incentivando a reflexão acerca dos caminhos do cinema nacional, a mostra também terá dois seminários. Com o tema "Fora de centro – Estilos cinematográficos", um dos encontros reunirá os cineastas Adirley Queirós, Marcelo Ikeda e Sérgio Borges, os críticos Ismail Xavier e Jean-Claude Bernardet e o curador da mostra Cléber Eduardo, para discutir sobre os estilos narrativos e os sistemas de produção. O outro debate, intitulado "Fora de centro – Procedências da produção", receberá os cineastas Ana Johann, Dellani Lima, Guto Parente e Silvio Da-Rin, o fotógrafo Ivo Lopes Araújo e o jornalista e crítico João Carlos Sampaio. Durante o festival também irão acontecer encontros com diretores e convidados da mostra.

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