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Todos os tons de preto

samba funk e tim maia entram no repertorio das charmosas do tamborim divulgacao

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Samba, Funk e Tim Maia entram no repertório das Charmosas do Tamborim (Foto: Divulgação)
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Em um país onde o preconceito em relação à cor da pele ainda é presente, e feriados como o Dia da Consciência Negra podem ser analisados unicamente pelo prisma da questão do prejuízo econômico, colocar em destaque a cultura afro-brasileira e a negritude brasileira é um dos objetivos do festival Denigra JF, que realiza sua segunda edição neste sábado, a partir das 13h, no Espaço OAndarDeBaixo, com uma série de atividades artísticas e de conscientização afrodescendente, incluindo música, dança, moda, exposição, poesia e Freira Afro, com vários expositores locais.

Entre as atrações deste sábado, estão programadas as apresentações musicais e de dança da banda Zé do Black, DJ U Miranda, Pri Moreira, RT Mallone, Zumbreak Kingz, Remiwl Street Crew, MC Carola, Charmosas do Tamborim, Gilbert Salles, Felipe Stain e Oliver Duo. O Coletivo PretAção vai realizar intervenções poético-militantes com textos de integrantes do grupo e também de escritoras negras como Audre Lorde, Maya Angelou, Conceição Evaristo e Mirian Alves, visando o empoderamento de mulheres negras e com a participação do público de modo interativo.

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Integrante da comissão organizadora do Denigra JF – e baterista da banda Zé do Black -, Carla Detoni comemora a realização da segunda edição do evento, principalmente porque o movimento não tinha ideia da dimensão que o festival ganharia. Por isso mesmo, uma das mudanças em relação à edição de 2015 foi trazer o Denigra para OAndarDeBaixo, localizado na região central de Juiz de Fora. “É uma região por vezes discriminada e desvalorizada da cidade. Temos a missão também de valorizar esses locais, sugerir um outro olhar. Além de ser central, o local transpira cultura.”

Quanto às atrações, ela destaca as presenças de Gilbert Salles (vocalista do Cabeça de Nego) e Juliana Costa, que escreve para os “Cadernos Negros de São Paulo” e fará uma intervenção poética no evento. “O que não pode faltar são os representantes da cultura hip-hop de Juiz de Fora, teremos vários artistas. Outra novidade são as Charmosas do Tamborim, grupo de percussão feminino especializado em samba”, salienta. “Entre os novos talentos, o Oliver Duo é formado por dois meninos supertalentosos, o Renato na guitarra e o Be na voz. E o palco estará aberto para a moçada juvenil chegar e tocar.”

Os expositores também terão destaque. Por meio das exposições das peças o público tem acesso a objetos e moda que geralmente não são encontrados no comércio local. O Denigra JF abre espaço para os produtos da Ousadia Negra, Art Stain,Negríssima, Griot, Cabeça Feita, Negra Mulher Bella, Diferente Bolsas e Cad’ori Livraria. “Para o ano que vem, queremos abrir ainda mais essa diversidade. Proporcionar uma vivência ampla da cultura, com ainda mais arte, música e negócios.”

Militância e arte

RT Mallone é um dos nomes do hip hop juiz-forano que participam do evento (Foto: Divulgação)

Integrante da comissão organizadora do Denigra JF, Jussara Alves baterá ponto dobrado no evento. Além de ser uma das percussionistas do Charmosas do Tamborim, ela fará intervenções pedagógicas durante o evento. “A intervenção será em relação às alterações da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) no que diz respeito ao ensino de história e cultura afrobrasileiras nas escolas, e também ensinarei músicas em línguas africanas. Já as Charmosas vão interpretar canções de Tim Maia, funk das antigas e um pout-pourri com sambas enredo”, adianta.

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Com tantas batalhas a serem vencidas ainda, Carla e Jussara destacam a importância que movimentos como o Denigra JF têm para tentar virar o jogo quando o assunto é a valorização da cultura negra. “O Denigra é importante porque proporciona grande visibilidade. É bom estar lá, trocar ideias, vivenciar a cultura. É sair do sofá, ir lá dançar um pouco, ouvir o som! Conhecer pessoas diferentes de você, com um grande conhecimento”, diz Carla Detoni.

“Trabalhamos no sentido de valorizando as pessoas negras que a vida toda ouviram que o que era relacionado ao preto/negro era ruim”, acrescenta Jussara Alves. “Elas passam a se enxergar com novos olhos, e as pessoas não negra deixam de usar tal linguagem, que não passa de racismo linguístico naturalizado no discurso como algo normal, o que não é. O racismo não é e nunca foi problema só do negro. É um problema da sociedade que precisamos encarar e resolvermos juntos,

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e nada melhor do que conscientizar através da arte.”

DENIGRA JF

3 de dezembro, às 13h, no Espaço OAndarDeBaixo (Rua Floriano Peixoto 37)

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