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Inquietações cotidianas

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Em uma manhã corriqueira, uma repórter de TV vai a uma favela carioca entrevistar uma mãe de família. No meio da reportagem, aparecem os dois filhos da mulher, que, perfurados por balas, morrem diante das duas. O que de imediato causa vertigem à jornalista, servirá, também, como peça-chave para uma vida de alucinações. Em seu primeiro livro, Cecília Giannetti aborda a realidade a partir de sua faceta mais cruel. Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi (2007), com selo da editora Agir, foi recebido de forma calorosa pela crítica e rendeu à autora indicação ao Prêmio São Paulo de Literatura de 2008.

A escritora é a convidada deste sábado do Ave, Palavra, projeto da Livraria A Terceira Margem, que vem promovendo na cidade encontros de literatura contemporânea ao longo do ano. O universo kitsch, o clima hospitalar, a crítica à sociedade de consumo e as muitas vísceras dos personagens aparecem em sua obra a fim de causar desconforto em quem lê. Cecília Giannetti parte de perspectivas de estranhamento (palavra que significa justamente colocar-se de fora de uma situação conhecida) para abordar de frente os fantasmas que sempre insistimos em varrer para debaixo de nossos fofos tapetes, avalia a escritora e crítica Noemi Jaffe.

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A escritora carioca foi coautora, ao lado de João Paulo Cuenca, Michel Melamed e Luís Fernando Carvalho, da minissérie Afinal, o que querem as mulheres?, exibida pela Globo em 2010. Com roteiro fragmentário e fantástico, a série de humor retratava o universo feminino através da psicanálise freudiana.

O segundo livro de Cecília pretende preservar a leveza da minissérie, sem perder a acidez de sua obra de estreia. A publicação integrará a série literária Amores expressos, da editora Companhia das Letras.

Quem divide a cena, na Galeria Pio X, com Cecília é a escritora e poeta Prisca Agustoni, autora de A morsa (2010), da Mazza Edições. Além de pontuar a distância entre a prosa e a poesia, as autoras discutirão o presente literário brasileiro e os muitos pontos de contato entre literatura e realidade.

Suíça radicada em Juiz de Fora, Prisca também atua como professora da Faculdade de Letras da UFJF. Para sua literatura, já publicada em Itália, Portugal, Suíça e Brasil, reservou temas caros a sua intimidade, como a saudade, o exílio, as distâncias e o amor. Explorados pela autora, os muitos eus estão presentes nos versos sensíveis à desordem, seja ela ampla e universal ou intimista e individual.

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AVE, PALAVRA

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Encontro com Cecília Giannetti e Prisca Agustoni

Neste sábado, às 15h, na livraria A Terceira Margem

(Galeria Pio X loja 127)

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3216-7320

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